Redes de lojas e centro de compras prepararam descontos e horários diferenciados para atrair o consumidor - Crédito: Divulgação/Via Varejo

Até R$ 1,5 bilhão em vendas. Esse deverá ser o resultado registrado pela Semana do Brasil no comércio belo-horizontino, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo Souza e Silva.

A iniciativa do governo federal, que tem como objetivo a promoção de descontos em lojas físicas e virtuais de todo o País, começa nesta sexta e vai até o próximo dia 15 (domingo).

Os números na capital mineira representam um incremento de cerca de R$ 300 milhões em comparação aos últimos meses de setembro. Para Silva, trata-se de um crescimento bastante significativo.

“Tanto os consumidores quanto os lojistas têm se preparado cada vez mais para ações como essa”, avalia o profissional.

Enquanto os comerciantes têm transmitido informações mais claras sobre as promoções, os clientes também têm feito mais pesquisas para avaliar bem os negócios que irão realizar.

Descontos especiais – Silva destaca que os benefícios oferecidos pelos lojistas poderão ser vários. Além dos descontos, há, ainda, condições especiais de pagamento, brindes em compras ou ações do tipo “leve dois, pague um”.

Conforme apuração realizada pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO na quinta-feira (5), os descontos na Capital estão alcançando os 80% em alguns estabelecimentos.

Movimentação – Conforme destacam os profissionais consultados pela reportagem, o mês de setembro não é marcado por datas comemorativas, como o Dia das Mães, dos Pais ou Natal, por exemplo. Por isso, a Semana do Brasil chega em um bom período.

A maior parte dos entrevistados, no entanto, não comenta as expectativas, em números, em relação às vendas. O gerente regional da Via Varejo em Minas Gerais, Fernando Segatto, porém, ressalta que as perspectivas são de que o primeiro fim de semana de setembro deste ano, com a ação, tenha o melhor volume de vendas para o mês da história.

“Fizemos contratos com a indústria para deixar as nossas lojas abastecidas. Vamos receber os clientes com uma grande festa, realizando grande queima de mostruários e oferecendo vários produtos novos, como estamos anunciando”, afirma.

Além disso, a Casas Bahia e o Pontofrio, para ter mais tempo de atender os clientes, abrirão as portas a partir das 6h.

Já no Minascasa, de acordo com o coordenador de marketing do shopping, Henrique Fagundes, a perspectiva de aumento de fluxo é de 10% a 15% e de 10% de crescimento das vendas durante o período.

“A iniciativa é muito interessante. O comércio estava carecendo muito disso”, avalia.

O gerente de Marketing do BH Shopping, Renato Tavares, afirma que o estabelecimento está acreditando muito no evento que, posteriormente, poderá ser, inclusive, uma nova Black Friday.

Preparo – Além de focar os descontos especiais, os lojistas também estão investindo bastante na divulgação e na decoração. O líder de Marketing do Shopping Estação BH, Rumenigue Marchioro, por exemplo, ressalta que as cores verde e amarela estão se espalhando pelo mall. “Estamos colocando a cara da campanha. Até a música do shopping vai ser diferenciada”, diz.

Oportunidade – A gerente de Marketing do shopping Del Rey, Marina Moura, avalia que o fato de a Semana do Brasil ter o apoio do governo federal faz com que grandes marcas, que por vezes não entram em ações do tipo, acabem aderindo ao período promocional.

“Em relação à aderência, até agora mais do que o dobro dos lojistas aderiram à liquidação em comparação à última que tivemos”, destaca ela.

Para a gerente de Marketing do Diamond Mall, a iniciativa é um estímulo a mais em um “mês de entressafra” O gerente de marketing do Pátio Savassi, Marcelo Portela, por sua vez, avalia que esse é o momento em que o dinheiro do consumidor vai render mais.

Empresários estão menos otimistas no País

Rio – O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) registrou queda de 1% em agosto e alcançou 114,9 pontos. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), que calcula o indicador, esse foi o quinto mês consecutivo de recuo. Apesar disso, em relação ao mesmo período do ano passado houve alta de 10,8%.

Conforme a CNC, todos os subíndices caíram no mês e o principal destaque negativo, ficou com o referente às condições atuais da economia, que registrou 88,1 pontos e foi o único abaixo da zona de satisfação de 100 pontos. O subíndice teve também a maior variação negativa do mês (-1,5%).

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, a economia brasileira ainda apresenta um ritmo fraco de crescimento e os consumidores seguem cautelosos. Ainda assim, ele apontou um quadro de melhora para o futuro.

“Isso afeta a confiança dos empresários, principalmente, em relação ao quadro atual. Mas as expectativas seguem em níveis elevados, mostrando que o comércio vê uma melhora no cenário de mais longo prazo”.

A CNC chamou atenção para o fato de que mesmo sendo o foco negativo do Icec de agosto, “até mesmo o subíndice que mede a percepção quanto às condições atuais da economia do empresário do comércio avançou +20,9% diante de agosto de 2018, evidenciando uma melhora expressiva do cenário atual em relação ao ano passado”.

Expectativas – Mesmo com uma retração de 1,4%, o maior subíndice entre todos que compõem o Icec, foi o referente às expectativas que ficou em 156,3 pontos em agosto. Na comparação com o ano passado os empresários mostraram uma percepção mais favorável com alta de 7,9%.

Investimento – O ritmo de variação negativa do subíndice em relação às intenções de investimento ficou menor na comparação ao mês passado (0,3%) contra queda de 1,1%.

De acordo com a CNC, a tendência positiva na comparação com agosto de 2018 se manteve, com alta de 7,5%, o que para a economista da entidade, Catarina Carneiro da Silva, indica um ambiente melhor para os investimentos.

“A maioria dos varejistas (65,4%) ainda mantém planos de contratação para os próximos meses, maior do que a proporção do mês anterior, quando foi 64,2%”.

A economista disse que essa foi a única variação mensal positiva em agosto dentre todos os quesitos, tendo também a maior variação (+10,1%) anual do subíndice.

“Ao mesmo tempo, o percentual de empresários relatando nível de estoque abaixo do adequado nos seus estabelecimentos comerciais (15,6%) aumentou pelo quarto mês seguido, um indício de que eles podem estar mais pessimistas do que deveriam em relação a sua capacidade de venda”. (ABr)