Créditos: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A gigante de origem chinesa State Grid Brazil Holding (SGHB) tem no País o seu principal destino de investimentos, segundo o vice-presidente da organização, Ramon Haddad. De acordo com ele, são muitas as oportunidades oferecidas por aqui, com diferenciais atribuídos como a segurança legal regulatória.

Atualmente, é a companhia que mais investe no setor elétrico, tendo desembolsado R$ 6 bilhões em 2018.

Com tanta expressividade, a empresa tem sido cogitada como uma possível compradora da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A privatização da estatal mineira é, atualmente, uma das prioridades do governo de Minas. Porém, esse é um processo complicado.

De acordo com a Constituição do Estado de Minas Gerais, é necessário que 46 dos 77 deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovem a venda. Posteriormente, deverá ser feito um referendo com a população.

Por isso, quando indagado acerca do interesse da companhia chinesa na Cemig, Ramon Haddad afirma que a empresa tem a intenção de estudar o que estiver à disposição no mercado, o que não é o caso da estatal mineira atualmente.

“Como a Cemig ainda não está à disposição, sequer sabemos se isso vai para a frente, porque depende de uma aprovação da Assembleia, de um movimento muito intenso do governo, eu não tenho condição de informar a quem quer que seja que nós temos interesse de participar de uma venda, privatização, capitalização da companhia”, diz ele, que destaca também que, caso o cenário seja definido, a empresa poderá estudar a compra “tal como de outras empresas do mercado”, ressalta.

A mesma posição ele mantém em relação à Eletrobras, que ainda não tem um cenário completamente determinado. “Tudo depende muito de como será colocado no mercado”, frisa.“Eu não tenho condições de falar que a State Grid vai se interessar por esses negócios, sem antes conhecer qual é o modelo que vai ser proposto por cada uma dessas empresas”, diz.

Acerca de quais atrativos são interessantes para que a companhia possa mirar os seus aportes, Ramon Haddad afirma que são a qualidade dos ativos e um retorno adequado dos investimentos. “Apresentando esses dois princípios básicos, isso tornaria qualquer tipo de movimento, de venda, atrativo para a State Grid”, afirma.

Procurada para comentar acerca da privatização e dos possíveis interessados em sua compra, a assessoria de imprensa da Cemig afirmou que não se pronunciaria sobre o assunto, que deveria ser tratado com o governo de Minas Gerais.

Governo – O DIÁRIO DO COMÉRCIO procurou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sede) para saber se já há empresas interessadas na Cemig, bem como acerca do processo de privatização e da sua importância para o Estado.

“Informamos que a privatização da estatal mineira está sendo avaliada por uma equipe técnica. As propostas ainda serão encaminhadas pelo Executivo à Assembleia Legislativa. O governo de Minas Gerais entende que as estatais serão melhores operadas nas mãos da iniciativa privada, contribuindo para a melhoria da performance, cobertura e qualidade dos serviços oferecidos”, disse o órgão, em nota.

A State Grid construiu no Brasil a maior linha de transmissão do mundo de +800kV, que conecta a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, à região Sudeste, passando por Tocantins, Goiás, Minas Gerais e chegando a Paracambi, no Rio de Janeiro. A linha tem 2.539 km e foi orçada em R$ 8,77 bilhões.

Eletrobras tem lucro de R$ 716 milhões

Rio de Janeiro – A Eletrobras registrou lucro líquido de R$ 716 milhões no terceiro trimestre deste ano, mostrando recuperação ante o resultado negativo de R$ 2,2 bilhões observado em igual período do ano passado. A receita bruta alcançou R$ 8,8 bilhões, alta de 9,7% ante o mesmo trimestre de 2018.

O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Eletrobras evoluiu 303%, comparativamente ao terceiro trimestre do ano passado, somando R$ 2,8 bilhões.

O aumento na receita, no valor de R$ 1 bilhão, contribuiu para o resultado positivo da estatal.

Destacam-se o contrato de comercialização de energia da Usina Termelétrica Mauá 3 (UTE Mauá 3), localizada no Amazonas, e melhorias da gestão dos ativos de geração, no montante de R$ 250 milhões, relativos às usinas geradoras de energia elétrica que tiveram suas concessões prorrogadas pela Lei 12.783/2013.

O resultado foi influenciado ainda pela redução de 17% dos gastos recorrentes da Eletrobras com pessoal, material, serviços de terceiros e outras despesas, o que significou diminuição em torno de R$ 371 milhões no trimestre.

No acumulado de janeiro a setembro de 2019, a Eletrobras teve lucro líquido de R$ 7,624 bilhões, superando em 1.985% o prejuízo líquido de R$ 404 milhões apresentado nos primeiros nove meses de 2018. (ABr)