No acumulado do ano, houve queda de 7,4% nos pedidos de seguro-desemprego no País | Crédito: Divulgação

São Paulo/Rio de Janeiro – A taxa de desemprego do Brasil terminou o primeiro trimestre em 12,2%, com 12,85 milhões de desempregados no País, em um movimento sazonal, mas que já apresenta os primeiros sinais do impacto do novo coronavírus sobre o mercado de trabalho.

A Pnad Contínua divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira (30) mostrou aumento da taxa ante 11,0% no quarto trimestre de 2019 e 11,6% nos três meses até fevereiro. No mesmo período de 2019, o desemprego era de 12,7%.

O resultado de março ainda ficou abaixo da expectativa da pesquisa da Reuters de taxa de 12,5%, na mediana das projeções. É a maior taxa desde o trimestre encerrado em maio de 2019.

O mercado de trabalho brasileiro vinha esboçando uma recuperação em sintonia com a economia, mas agora sofre o golpe de um período sazonal que costuma mostrar que não houve sustentação das contratações feitas no final do ano anterior.

Entretanto, a pandemia de coronavírus vem mantendo lojas e comércios fechados devido ao isolamento social, e o mercado de trabalho tende a acompanhar a contração esperada no Produto Interno Bruto, com os impactos totais da pandemia ainda incertos e os isolamentos em muitos locais se prolongado por abril e maio.

“A pesquisa tem movimento sazonal de dispensas, mas tem claramente sinais do impacto do Covid-19”, disse o coordenador da Pnad Contínua, Cimar Azeredo. “O efeito da pandemia já apareceu de claro e de pronto em março”.

Entre janeiro e março, o total de desempregados no País era de 12,85 milhões, contra 11,632 milhões no quarto trimestre e 13,387 milhões no mesmo período do ano anterior.

O IBGE informou ainda que o total de pessoas ocupadas foi a 92,223 milhões nos três primeiros meses do ano, uma queda de 2,5% ante o período imediatamente anterior, o maior recuo de toda a série histórica.

“Não dá para separar efeito sazonal e do Covid-19. A ocupação reduziu muito, a busca por trabalho caiu pelo distanciamento social”, explicou Azeredo.

Os trabalhadores com carteira assinada no primeiro trimestre somavam 33,096 milhões, contra 33,668 milhões entre outubro e dezembro, também um sinal dos impactos da pandemia. Os empregados sem carteira no setor privado eram 11,023 milhões, ante 11,855 milhões no período anterior.

A taxa de informalidade chegou a 39,9% no primeiro trimestre deste ano, ante 41% no último trimestre de 2019, o que representa 36,8 milhões de trabalhadores. Os informais são os trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregadores sem CNPJ, os conta própria sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.

A Pnad mostrou ainda que o total de pessoas fora da força de trabalho subiu para 67,3 milhões, batendo novo recorde desde 2012. Esse grupo é formado por pessoas que não procuram trabalho, mas que não se enquadram no desalento.

Os desalentados, aqueles que desistiram de procurar emprego, somaram 4,8 milhões.
O rendimento médio do trabalhador chegou a R$ 2.398 nos três meses até março, de R$ 2.371 até dezembro.

Coleta – De acordo com Azeredo, a pesquisa foi realizada por telefone e ela não foi alterada, embora não tenha sido desenhada para ser realizada dessa maneira. Segundo ele, 80% dos domicílios que responderam em março responderam em dezembro.

“Só 20% não tínhamos contato. Usamos nossas bases e buscamos dados da saúde, motoboy, telegrama e artifícios para contactar as pessoas e fazer a pesquisa. A taxa de resposta da pesquisa ficou em 61% e sempre é mais de 80%”, completou.

Azeredo explicou que foi realizada uma auditoria interna sobre a qualidade da pesquisa e que a coordenação a avalizou. Para abril, a taxa de resposta, segundo ele, é de 50% até agora.

“Já perdemos o Caged e não podemos perder a Pnad Contínua, ainda mais em um momento difícil como esse para o mercado de trabalho”, disse. (Reuters)