Temer pede continuidade da agenda política

31 de julho de 2018 às 0h00

São Paulo – Num discurso marcado pela defesa do legado do governo, que está a cinco meses de encerrar o mandato, o presidente Michel Temer pediu, ontem, continuidade da agenda implementada desde que chegou, há dois anos, ao Palácio do Planalto. “Meu maior desejo neste momento é que nós não venhamos a cortar aquilo que já foi começado. Precisamos continuar, e continuar exige governo de quatro anos, quem sabe de oito anos”, declarou o emedebista ao discursar em almoço com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “O continuísmo, no sentido de projetos que foram implementados ao longo desse tempo, é fundamental. E acho que a consciência nacional tem que tomar ciência de que não podemos parar tudo que está aí… As políticas que implementamos com o apoio de todos os senhores deve ser prestigiada”, acrescentou o presidente no encontro com empresários da indústria. Temer fez na Fiesp um longo levantamento de medidas e feitos de seu governo. Citou, entre eles, as reformas do ensino médio e trabalhista, a regra que fixou um teto aos gastos públicos, a recuperação das estatais, a repactuação das dívidas dos Estados e a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. Foi uma agenda conduzida num prazo de dois anos diante de uma oposição classificada por ele como “radicalíssima”. Em mensagem direcionada aos candidatos e pré-candidatos das eleições de outubro, Temer pregou o fim de uma radicalização que divide, assim como “não é útil ao País”, e observou que sem o Congresso não se governa. “Digo isso para que os nossos pré-candidatos ouçam e se conscientizem disso para não dizerem barbaridades que, às vezes, dizem. Se você não tiver diálogo efetivo com o Congresso, você não governa”, disse Temer. “Depois do momento político-eleitoral, vem o momento político-administrativo, onde é importante ter oposição, mas não no sentido político e sim no sentido jurídico… Após as eleições, tem que buscar o bem comum”, emendou. O presidente criticou ainda a desarmonia entre poderes e órgãos do Estado. “O que mais precisamos no País é concórdia. Instituímos nestes últimos anos um sistema de discórdia, de quase ódio, uma disputa, por exemplo, entre os poderes do Estado e entre órgãos dos poderes do Estado”, declarou Temer. Desemprego – O presidente Michel Temer reclamou, na ocasião, de ser responsabilizado pelo alto índice de desemprego do País. “Tentam me colocar a pecha de gerar 13 milhões de desempregados”, afirmou. “Mas a realidade é que em apenas dois anos fizemos reformas importantes para a economia, coisas que outros governos de quatro, oito anos não conseguiram. Não podemos voltar atrás.” (AE) INDÚSTRIA COBRA MEDIDAS DO ATUAL GOVERNO Empresários da indústria aproveitaram a visita do presidente Michel Temer (MDB), ontem, à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para cobrar medidas como a redução do custo de crédito, um programa de renegociação de dívidas das empresas do setor com bancos e o veto ao tabelamento dos preços de frete rodoviário. Em discurso proferido em almoço com Temer, o presidente em exercício da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, elogiou a reforma trabalhista e o regime que estabeleceu um teto aos gastos públicos, mas disse que o sistema financeiro e a alta carga tributária do País inibem investimento e, como consequência, prejudicam a geração de emprego e renda. “Se os juros não fossem tão elevados, a arrecadação com impostos de renda seria bem maior”, comentou o executivo. Roriz cobrou do presidente a retomada dos investimentos em infraestrutura, uma ampla reforma tributária, que reduza o número de tributos e padronize alíquotas no território nacional, e medidas para reduzir custo de crédito, classificadas como “cruciais”. Nesse ponto, pediu que o governo estimule a competitividade no setor bancário. O presidente da Fiesp disse que o setor não precisa de medidas protecionistas, mas cobrou isonomia em relação a países que competem com o Brasil no mercado internacional. Pediu ainda um programa de renegociação de dívidas bancárias das empresas para, segundo ele, dar fôlego para a recuperação da indústria. “As medidas aqui propostas não precisam esperar o próximo governo, e o senhor pode contar com nosso apoio”, afirmou Roriz a Temer. Depois do presidente da Fiesp, Jacir Costa, presidente do conselho superior do agronegócio da entidade, defendeu a livre negociação das empresas com seus transportadores, ao pedir o veto à política de preços mínimos de frete, concedida pelo Planalto para encerrar a greve dos caminhoneiros. “O tabelamento afeta a competitividade e encarece o custo de vida”, declarou. Costa aproveitou ainda para pedir a volta do programa de devolução de impostos pagos por empresas exportadoras, o Reintegra. Exame – Após receber de representantes da indústria uma lista de pedidos, o presidente Michel Temer prometeu examinar as reivindicações. Observou, porém, que as demandas dos empresários não se resolvem rapidamente. “Sobre essas questões pontuais levantadas, nós vamos solucionando pouco a pouco porque, digo eu, essas coisas não se resolvem de um dia para outro”, declarou o emedebista. Ao discursar durante almoço oferecido pela Fiesp, Temer concordou com o comentário, que ouviu no encontro, de que ainda pode fazer muito nos cinco meses que lhe restam de mandato. Ele aproveitou ainda a reunião para relatar aos empresários assuntos que foram tratados em sua participação, na semana passada, na cúpula do Brics (como é conhecido o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Johannesburgo. Segundo Temer, a China se comprometeu a reexaminar a sobretaxação de açúcar e frango importados do Brasil. O presidente informou ainda que a Caixa está avaliando a ampliação de crédito para moradias. PRESIDENTE DIZ QUE ACORDO SOBRE FRETE ESTÁ PRÓXIMO Empresários da indústria aproveitaram a visita do presidente Michel Temer (MDB), ontem, à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para cobrar medidas como a redução do custo de crédito, um programa de renegociação de dívidas das empresas do setor com bancos e o veto ao tabelamento dos preços de frete rodoviário. Em discurso proferido em almoço com Temer, o presidente em exercício da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, elogiou a reforma trabalhista e o regime que estabeleceu um teto aos gastos públicos, mas disse que o sistema financeiro e a alta carga tributária do País inibem investimento e, como consequência, prejudicam a geração de emprego e renda. “Se os juros não fossem tão elevados, a arrecadação com impostos de renda seria bem maior”, comentou o executivo. Roriz cobrou do presidente a retomada dos investimentos em infraestrutura, uma ampla reforma tributária, que reduza o número de tributos e padronize alíquotas no território nacional, e medidas para reduzir custo de crédito, classificadas como “cruciais”. Nesse ponto, pediu que o governo estimule a competitividade no setor bancário. O presidente da Fiesp disse que o setor não precisa de medidas protecionistas, mas cobrou isonomia em relação a países que competem com o Brasil no mercado internacional. Pediu ainda um programa de renegociação de dívidas bancárias das empresas para, segundo ele, dar fôlego para a recuperação da indústria. “As medidas aqui propostas não precisam esperar o próximo governo, e o senhor pode contar com nosso apoio”, afirmou Roriz a Temer. Depois do presidente da Fiesp, Jacir Costa, presidente do conselho superior do agronegócio da entidade, defendeu a livre negociação das empresas com seus transportadores, ao pedir o veto à política de preços mínimos de frete, concedida pelo Planalto para encerrar a greve dos caminhoneiros. “O tabelamento afeta a competitividade e encarece o custo de vida”, declarou. Costa aproveitou ainda para pedir a volta do programa de devolução de impostos pagos por empresas exportadoras, o Reintegra. Exame – Após receber de representantes da indústria uma lista de pedidos, o presidente Michel Temer prometeu examinar as reivindicações. Observou, porém, que as demandas dos empresários não se resolvem rapidamente. “Sobre essas questões pontuais levantadas, nós vamos solucionando pouco a pouco porque, digo eu, essas coisas não se resolvem de um dia para outro”, declarou o emedebista. Ao discursar durante almoço oferecido pela Fiesp, Temer concordou com o comentário, que ouviu no encontro, de que ainda pode fazer muito nos cinco meses que lhe restam de mandato. Ele aproveitou ainda a reunião para relatar aos empresários assuntos que foram tratados em sua participação, na semana passada, na cúpula do Brics (como é conhecido o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Johannesburgo. Segundo Temer, a China se comprometeu a reexaminar a sobretaxação de açúcar e frango importados do Brasil. O presidente informou ainda que a Caixa está avaliando a ampliação de crédito para moradias.

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