Tributos e encargos oneram o preço da energia elétrica no País

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Tributos e encargos oneram o preço da energia elétrica no País

Não é de hoje que o chamado “custo Brasil” se apresenta como um dos entraves ao desenvolvimento econômico nacional. A carga tributária brasileira é conhecida como uma das mais altas e complexas do mundo e onera todo o setor produtivo, inclusive a energia. Levantamento do Instituto Acende Brasil em parceria com a PricewaterhouseCoopers (PwC) mostrou que encargos e tributos representam quase metade da conta de luz dos brasileiros.

O estudo, realizado anualmente, leva em consideração os resultados financeiros de 35 empresas do setor elétrico brasileiro, que representam cerca de 70% do mercado de geração, transmissão e distribuição de energia. E a última pesquisa revelou que 47,71% da receita bruta operacional arrecadada pelas companhias foram destinados ao pagamento de tributos e encargos em 2017, número que chegou a 47,94% em 2016.

Segundo o levantamento, em 2017, as empresas pesquisadas recolheram R$ 83,85 bilhões para pagar os impostos e encargos. Em 2016, o montante foi de R$ 83,29 bilhões.

De maneira detalhada, os tributos federais somaram R$ 27,57 bilhões, 33% do total; enquanto os tributos estaduais chegaram a R$ 37,20 bilhões, 44% do total. Já os municipais somaram R$ 4 milhões, ou 0,02%.

Entre os tributos federais, destacam-se por ordem de peso na arrecadação: a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – consumindo 10,41% do faturamento do setor; o Programa de Integração Social (PIS), 2,22%; o Imposto de Renda, 2,11%.

No âmbito estadual, há apenas a incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), mas que, sozinho, representa mais do que todos os impostos federais somados: 21,17% em média.
Na avaliação de especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, a energia é considerada um setor de alta capilaridade e, por isso, acaba sendo utilizada como instrumento de arrecadação.

O coordenador do grupo de estudos do setor elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro, chama a atenção para o fato de a tarifa energética ser dividida em três partes e os custos relacionados a aspectos técnicos da atividade representarem apenas um terço do total.

“Temos os custos com o setor elétrico propriamente, como geração, transmissão e distribuição; os encargos e os impostos. Isso significa que grande parte da tarifa paga pelos consumidores é usada em outras frentes que não a atividade-fim. São os encargos e os tributos relacionados principalmente aos governos federal e estadual”, aponta.

Para se ter uma ideia, somente os encargos setoriais, que cobrem os custos como subsídios a fontes renováveis, descontos tarifários e geração de energia nos sistemas isolados, somaram R$ 19,04 bilhões em 2017, 23% do total não relacionado a serviços de energia.

Na comparação com outros países, conforme Castro, a relação fica ainda mais absurda e o preço no Brasil ainda maior. “Isso acontece, porque os outros países não têm essa política econômica de transformar o setor de energia elétrica num grande arrecadador de impostos e pagador de subsídios”, ressalta.

Impasses ambientais – O diretor da CMU Comercializadora de Energia, Walter Luiz de Oliveira Fróes, concorda com os argumentos e ressalta que, diante tamanho peso dos gastos com encargos e tributos, qualquer aspecto setorial se torna irrelevante. De toda maneira, ele destaca os impasses ambientais que diminuem as potências das termelétricas e, consequentemente, aumentam o custo da energia.

“Um bom exemplo é usina de Belo Monte, que foi projetada para ter 20 mil megawatts (MW) de potência instalada e energia assegurada de 12 mil MW. Mas com as normas ambientais, a potência abaixou para 11 mil MW e a garantida para 4 mil MW. Isso praticamente triplicou o custo da energia, considerando os R$ 35 bilhões de investimentos”, explica.

Por fim, Fróes avalia que parte da solução para os gastos está nas fontes de energia renováveis, que, segundo ele, são mais baratas e estão disponíveis no Brasil inteiro. Para isso, porém, ele afirmou que a União precisaria estabelecer um plano nacional consistente de apoio a este tipo de geração.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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