Estado tem um saldo negativo de 111.555 postos de trabalho no acumulado do ano até maio | Créditos: REUTERS/Nacho Doce

Os pequenos negócios são os mais impactados pela crise imposta pelo Covid-19. Pesquisa Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-Minas) indica que cerca de 25% das pequenas empresas do Estado que tinham funcionários com carteira assinada já fizeram alguma demissão.

No acumulado de 2020 até o quinto mês, o déficit de empregos em Minas chegou a 111.555 postos de trabalho considerando os diferentes portes de empresas, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia.

“As micro e pequenas empresas são, de fato, as mais sensíveis e diante de um cenário adverso são as primeiras a sentir. Com os efeitos econômicos da pandemia, grande parte das que tinham funcionários já teve que demitir e essa demissão foi de, em média, duas pessoas”, detalhou a assistente do Sebrae Minas, Gabriela Martinez.

Ainda segundo a pesquisa da entidade, do total das empresas mineiras entrevistadas, 31% tiveram que suspender temporariamente o contrato de trabalho, 21% diminuíram a jornada de trabalho com a redução de salário, 14% deram férias coletivas, 9% reduziram o salário com complemento do seguro-desemprego.

Neste sentido, a analista explicou que as medidas foram adotadas pelas empresas como primeira alternativa e que as que posteriormente optaram por demitir, possivelmente, já não vinham numa situação financeira muito boa antes mesmo da crise. Em todos os casos, conforme ela, o longo período de suspensão dos alvarás foi determinante para a decisão.

“Infelizmente vivemos uma situação totalmente atípica, em um período de insegurança que acaba impactando mesmo aqueles setores que continuam autorizados a funcionar, pois as pessoas estão sem renda, mais cautelosas e gastando menos”, ponderou.

Situação comprovada por outro levantamento feito pelo Sebrae Minas, com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid-19. De acordo com a pesquisa, em maio, o percentual de mineiros que estavam desocupados ou na informalidade chegou a 33%.

Renda – Ainda segundo os dados, das 9,257 milhões de pessoas que estavam ocupadas no Estado naquele mês, 81% não foram afastadas de suas atividades devido ao coronavírus.

Dessas, 9% estavam trabalhando de forma remota, 35% tiveram rendimento efetivo menor que o normalmente recebido. E 35,7% dos domicílios mineiros receberam auxílio emergencial do governo federal.

“A retomada ainda é algo muito nebuloso em Minas Gerais, pois a curva está em ascensão. Consumidores e empresários estão sem perspectivas. No caso dos negócios, o momento é de buscar alternativas para sobreviver. Nem que as medidas incluam demissões, pois somente assim o empresário vai conseguir equilibrar as contas e vislumbrar um horizonte positivo lá na frente”, finalizou.

Pedidos de seguro-desemprego recuam no País

Brasília – Os pedidos de seguro-desemprego chegaram a 653.160 em junho, informou ontem o Ministério da Economia. O resultado representa uma queda de 32% na comparação com maio, em que foram contabilizados 960.309 requerimentos, havendo, portanto, uma diferença de 307.149. Na comparação com junho de 2019, com 508.886 pedidos, houve aumento de 28,4%.

Do total de pedidos de junho, 443.492 (67,9%) foram realizados via web, seja por meio do portal gov.br ou por meio da Carteira de Trabalho Digital.

Os três estados com maior número de requerimentos foram São Paulo, com 199.066 pedidos; Minas Gerais, com 70.333, e Rio de Janeiro com 52.163 requerimentos.

Quanto ao perfil dos solicitantes, 39,6% são mulheres e 60,4% homens. A faixa etária que concentrava a maior proporção de requerentes é de 30 anos a 39 anos de idade, com 32,1% dos pedidos. Em termos de escolaridade, 59,9% têm ensino médio completo.

Em relação aos setores econômicos, os pedidos estiveram distribuídos entre serviços (41,7%), comércio (25,4%), indústria (18,7%), construção (10,1%) e agropecuária (4,1%).

Resultado acumulado – No acumulado de janeiro a junho, foram contabilizados 3.950.606 pedidos de seguro-desemprego. O número representa aumento de 14,8% em comparação com o acumulado no mesmo período de 2019, de 3.442.780 pedidos.

Do total de requerimentos em 2020, 53,1%, o equivalente a 2.096.532, foram realizados pela internet, seja por meio do portal gov.br ou pela Carteira de Trabalho Digital.

No mesmo período de 2019, um percentual de apenas 1,4% dos pedidos (49.752) foi realizado via internet.

Segundo o Ministério da Economia, as superintendências regionais do Trabalho do governo federal ampliaram os esforços para garantir o atendimento não presencial aos cidadãos durante o período da pandemia do Covid-19. Foram disponibilizados canais adicionais de atendimento remoto.

Estatais – As desestatizações e a realização de programas de desligamento voluntário enxugaram o quadro de pessoal das estatais federais em 3,7% no ano passado, de acordo com o Ministério da Economia. Segundo o 13º Boletim das Estatais Federais, o número de empregados caiu de 494.919 em 2018 para 476.644 em 2019, diferença de 18,3 mil pessoas.

Segundo a pasta, do total de desligamentos, cerca de 3,5 mil decorreram de desestatizações (venda de subsidiárias) e o restante, em grande parte, decorreu de programas de desligamentos voluntários de empregados (PDV). Somente esses programas reduziram os gastos das empresas em R$ 2,1 bilhões.

Entre as principais empresas, as maiores reduções de quadros foram observadas nos Correios, com 5.866 empregados a menos em 2019, Banco do Brasil (4.235 desligamentos) e Petrobras (1.030). Em quarto lugar vem a Caixa Econômica Federal, que dispensou 860 funcionários. As demais estatais enxugaram o quadro em 6.284 pessoas. (ABr)