Crise causada pelo coronavírus resultou em paralisação de empresas e cerca de mil demissões em Santa Rita do Sapucaí | Crédito: Divulgação

Inovação. Essa é uma das palavras que mais se relacionam ao Vale da Eletrônica, localizado na cidade de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais.

Por isso, ao mesmo tempo em que a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) acertou em cheio o local, chegando a resultar em 80% de perda da produção nos meses de abril e maio, também fez com que os profissionais investissem ainda mais em desenvolvimento de novos produtos e soluções.

A afirmação é do presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto.

De acordo com ele, o Vale da Eletrônica passou pelas diversas fases vistas nas mais diferentes atividades pelo Estado, pelo País e até mesmo pelo mundo. Primeiramente, a região se viu obrigada a paralisar as atividades, por dois motivos principais.

Um deles era a dificuldade de obtenção de matéria-prima, inclusive importada. Além disso, outra questão foi o fato de que muitos negócios deixaram de ser fechados, pela própria situação econômica do Brasil.

Para passar pelo período, alguns empreendimentos optaram por redução de jornada e suspensão de contratos de trabalho. Demissões foram inevitáveis. O presidente do Sindvel calcula cerca de 1.000 empregos perdidos, em um universo de aproximadamente 14 mil trabalhadores, divididos em 153 empresas.

Essa época, embora tenha sido de paralisações por um lado, por outro, destaca Roberto de Souza Pinto, fez com que profissionais da região focassem ainda mais alternativas e inovação. O resultado disso, aliás, deverá contribuir para dar um fôlego maior para o Vale da Eletrônica nesse processo de retomada – atualmente, cerca de 80% das empresas da área já estão na ativa novamente.

“No mês de agosto, o Vale da Eletrônica vai ter um lote grande de produtos e propostas novas”, afirma o presidente do Sindvel.

Os meses anteriores, junho e julho, porém, afirma ele, serão um momento de aprendizado, de retomada da velocidade. Tudo está voltando aos eixos gradativamente.

“As empresas estão recebendo pedidos, realizando vendas. Estão indo bem”, afirma. “Estamos dando partida agora e indo devagarzinho”, destaca.

Respirador – Um dos produtos que devem chegar ao mercado já no fim de julho, de acordo com Roberto de Souza Pinto, é um respirador pulmonar. O projeto nasceu no Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel). A empresa Ventrix está dando continuidade ao projeto.

O produto poderá ser bastante útil, diz ele, não só na assistência aos pacientes acometidos pelo Covid-19, mas também para pessoas enfermas por outros motivos, que se encontram em UTIs e em tratamento, por exemplo.

Segundo o presidente do Sindvel, o respirador pulmonar será bastante econômico. Um produto similar na Ásia custa de US$ 35 mil a US$ 40 mil. No Brasil, será vendido a R$ 39 mil.

“Estão sendo feitos contatos com países da Europa, América do Sul, América do Norte. A partir de setembro, outubro, teremos mais um produto de exportação do Vale da Eletrônica”, ressalta.