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A retomada das indústrias do Vale da Eletrônica, localizado em Santa Rita do Sapucaí, no Sul do Estado, está sendo desafiadora. Com o mercado demandador, o setor vem enfrentando dificuldades para adquirir todos os tipos de matéria-prima, que também ficaram mais caras.

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto, agosto foi marcado pelo retorno mais efetivo das empresas. Porém, o avanço da produção está sendo prejudicado pela falta de matéria-prima e encarecimento das mesmas.

“Em agosto, os trabalhadores que estavam afastados ou com a carga horária reduzida pelo programa do governo federal retomaram. Estamos com as indústrias funcionando, sem desemprego e tudo voltando ao normal. Mas a dificuldade grave é o aumento dos custos da matéria-prima e a escassez da mesma”.

Ainda segundo Souza, as empresas encontram dificuldades de adquirir todo tipo de matéria prima, desde os componentes eletrônicos até mesmo embalagens de papelão, cartolina e plásticos. Os custos com a logística, que têm sido desafiadora, também ficaram mais elevados.

“No mundo há uma escassez geral de produtos e com o consumo em alta, os preços subiram. É uma preocupação muito grande do setor. Muitas vezes, compramos um lote inteiro e só recebemos parte. Com a falta, a fabricação é prejudicada e as entregas para o mercado também. Os empresários estão com dificuldade e preocupados em manter os mesmos preços. A retomada tem sido bem difícil”, explicou.

Souza disse que ainda não houve paralisação das atividades em função da dificuldade de abastecimento. A queda no desempenho e o índice de aumento nos custos ainda não foram calculados

A situação dos empresários do setor é delicada, já que estão acumulando prejuízos desde o início do ano, quando a pandemia começou a afetar o mercado da China e com o mundo globalizado, os reflexos foram sentidos no polo da eletrônica.

Negociação salarial – Um dos receios dos empresários é a data-base dos trabalhadores da metalurgia e eletrônicos, que acontece em outubro. Com a redução das margens, a concessão de reajuste salarial irá impactar de forma negativa nos caixas das empresas.

“Teremos em outubro um impasse muito difícil de gerenciar. As empresas não estão conseguindo sobreviver da forma que mercado está comportando, com escassez de matéria-prima e custo alto. Por outro lado, o aumento dos custos de vida também atinge os trabalhadores, que precisam do reajuste do salário para sobreviver e as empresas não têm condições de ajustar”.

Para Souza, a única forma de frear o aumento dos custos, em geral, é através do consumo menor. “O que precisamos fazer é reduzir o que estamos consumindo em 30% a 50%, para que a oferta fique equilibrada à demanda e os preços recuem. É uma situação muito difícil de superar porque há um desequilíbrio no mercado”.

APL mantém a atração de investimentos

Mesmo com os desafios, o Arranjo Produtivo Legal (APL) Eletroeletrônico de Santa Rita do Sapucaí vem sobrevivendo devido à estruturação. A região tem atraído diversas empresas e tem expectativas positivas para os próximos anos.

“Graças à estruturação do APL, as empresas estão sobrevivendo. Temos estrutura para sustentar o baque forte provocado pela pandemia de Covid-19. Se não fosse o arranjo, haveria o fechamento de empresa e dispensando funcionários em massa”, disse o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto.

Ele ressaltou ainda, que devido à estruturação, a oferta de mão de obra, a logística e localização privilegiadas e as expectativas de maior desenvolvimento nos próximos anos, empresas têm sido atraídas para a região.

Segundo Souza, o grupo francês Bureau Veritas, proprietário do NCC – Organismo Certificador Designado (OCD) e do laboratório Multiteste, empresas especializadas em ensaios, testes e certificações para equipamentos eletroeletrônicos, e vai transferir as operações para o Vale da Eletrônica. A previsão é que as unidades comecem a funcionar a partir de outubro.

Segundo as informações do Sindvel, de imediato serão oferecidos os testes e certificações para equipamentos de telecom, com aprovação Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). E, gradativamente, serão oferecidas também as certificações Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O investimento do grupo Bureau Veritas em Santa Rita do Sapucaí será da ordem, inicialmente, de R$ 10 milhões, com uma previsão de geração de 10 a 15 postos de trabalho para profissionais especializados.

“A instalação da NCC e Multiteste é de grande importância para as indústrias do APL. Com essas unidades, as empresas terão acesso facilitado e ágil gerando economia no processo de homologação dos produtos. O processo, hoje, é feito enviando os produtos para outros estados, o que demanda mais tempo e amplia os prazos para que os mesmos cheguem ao mercado. Ainda este ano, virá para Santa Rita, instituto que vai trabalhar dentro das empresas para acelerar a tecnologia 4.0”.

Souza ressalta que as indústrias do Vale da Eletrônica esperam o reconhecimento do Parque Tecnológico Aberto de Santa Rita do Sapucaí, por parte do governo de Minas Gerais. O reconhecimento, cuja expectativa é que aconteça rapidamente, viabilizará a atração de investimentos nacionais e estrangeiros gerando desenvolvimento sustentável do município, com a atração de novas empresas e a geração de emprego e renda.