Vale aposta em demanda da Índia por minério de ferro
A Vale avalia que a Índia se tornará uma grande consumidora de minério de ferro, enquanto a demanda da China seguirá robusta e o consumo de mercados como Estados Unidos e México poderá crescer, conforme o vice-presidente executivo técnico da companhia, Rafael Bittar. Segundo ele, a empresa está atenta a oportunidades nos minerais críticos e estratégicos, mas mantém o foco no negócio de ferro, além de cobre e níquel.
“Acreditamos que o minério de ferro, que está meio esquecido, continua sendo muito estratégico”, ressaltou o executivo durante o Mining Innovation Summit 2026, fórum de inovação no setor mineral, realizado nesta semana pelo Mining Hub, com o apoio do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte.
O vice-presidente da companhia foi um dos participantes do evento no painel “A estratégia de capital e as decisões de investimento na mineração”, ao lado da CEO da Anglo American Brasil, Ana Sanches, do cientista político, economista e diplomata Marcos Troyjo e do analista internacional da CNN Brasil, Lourival Sant’Anna.
Na oportunidade, Bittar destacou que os países emergentes vão consumir bastante minério de ferro. Ele pontuou que a descarbonização, que deve ocorrer em velocidades distintas pelo mundo, abre uma janela de possibilidades para o produto de alto teor do Brasil.
Números apontam crescimento no consumo indiano
Dados do governo federal mostram que a demanda da Índia por minério de ferro do Brasil já vem crescendo. Em 2025, as exportações brasileiras de minério de ferro para o país asiático totalizaram US$ 441,9 milhões, valor que representa um recorde na série histórica da plataforma Comex Stat, iniciada em 1997. Os embarques de Minas Gerais somaram US$ 82,9 milhões, o terceiro maior resultado da história.
O balanço anual da Vale também sugere um aumento no consumo dos indianos. A companhia não especifica no documento quanto vendeu para a Índia, no entanto, a receita líquida de vendas de minério de ferro da empresa para a Ásia, excluindo China e Japão, chegou a US$ 2,5 bilhões em 2025, montante 20,8% superior ao registrado em 2024.
A relação da Vale com a Índia também se fortaleceu no início deste ano. Em fevereiro, a companhia e as indianas NMDC e Adani Gangavaram Port assinaram um memorando de entendimento (MoU) visando cooperação para a construção de uma instalação no Porto de Gangavaram, destinada à blendagem e à venda de finos de minério de ferro.
O documento prevê que a mineradora brasileira forneça minério de alto teor e a NMDC, minério de baixo teor, ao passo que a Adani fique responsável pela infraestrutura portuária, área de mistura, operações de descarga, carregamento, gestão do pátio, obtenção de licenças e execução do blending conforme requisitos técnicos das partes. A iniciativa busca fortalecer a cadeia de valor da exportação de minério de ferro na costa leste do país asiático.
Desafios para o desenvolvimento de projetos de mineração no Brasil
Quanto ao tema principal do painel, o vice-presidente executivo técnico da Vale opinou que não faltará capital para investimentos no setor mineral no Brasil. Bittar enfatizou que o País, inclusive, tem sido um dos grandes destinos de recursos estrangeiros.
Na avaliação do executivo, haverá outros desafios para quem deseja investir em mineração no Brasil, como o ambiente regulatório, tributário e jurídico, que traz incertezas para investidores. Conforme ele, também existirá problemas relacionados à implantação de projetos com, por exemplo, escassez de mão de obra, juros “estrangulando” as construtoras e dificuldade de acesso a equipamentos de mineração.
Ao analisar os riscos que o setor mineral enfrenta no Brasil, a CEO da Anglo American Brasil também afirmou que falta previsibilidade. Ana Sanches ressaltou o longo tempo gasto com as etapas de licenciamento no País e as incertezas jurídicas que o processo traz.
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