As obras estruturais e ambientais na barragem custaram R$ 600 milhões em 2019 - Crédito: REUTERS/Washington Alves

A Vale gastou cerca de R$ 4,5 bilhões neste ano, entre obras emergenciais de reparação e indenizações, em virtude do rompimento da barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) ocorrido em janeiro. Somente as intervenções estruturais e ambientais somaram algo em torno de R$ 600 milhões. Para os trabalhos previstos para os próximos anos, a mineradora estabeleceu planos e orçamentos globais.

De acordo com o diretor especial de Reparação e Desenvolvimento da empresa, Marcelo Klein, foram concluídas as obras emergenciais de contenção de rejeitos anunciadas em junho, visando a reduzir o carreamento de sedimentos para o curso do rio Paraopeba. As intervenções emergenciais realizadas também incluíram a remoção e destinação adequada dos rejeitos, após liberação do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, e a recuperação do trecho atingido do Paraopeba.

“Estes trabalhos considerados de maior urgência são auditados semanalmente por uma agência indicada pelo Ministério Público. Agora estamos finalizando o plano de recuperação definitivo, que deverá ser apresentado em fevereiro”, anunciou em entrevista coletiva.

Entre a barragem 1 (B1) e a confluência do ribeirão Ferro-Carvão com o rio Paraopeba, a Vale construiu três grandes estruturas de contenção (duas barreiras hidráulicas filtrantes e um dique), além de 25 pequenas barreiras estabilizantes. A empresa também instalou uma cortina de estacas metálicas próxima à confluência do ribeirão com o rio. Além disso, a mineradora implantou uma Estação de Tratamento de Água Fluvial (ETAF) no local.

Os trabalhos deste ano permitiram a remoção de 1,2 milhão de metros cúbicos de rejeitos da área atingida, após vistoria do Corpo de Bombeiros, transportados para uma área dentro da mina, previamente definida e autorizada pelos órgãos competentes. Estes, por sua vez, contabilizam até o momento 257 mortos e 13 pessoas desaparecidas.

Em virtude do rompimento, foram carreados 10 milhões de metros cúbicos de lama da mineração. A meta é que tudo seja removido até 2023. Para isso, a Vale estima inversões da ordem de R$ 1,8 bilhão. “O licenciamento da cava do Feijão, onde serão depositados definitivamente estes rejeitos, está em processo avançado”, afirmou.

Para a execução das obras realizadas neste exercício, foram mobilizadas 45 empresas, 584 equipamentos e 2,8 mil trabalhadores.

Em relação ao orçamento previsto para os próximos exercícios, a Vale comunicou, via fato relevante, que alterou suas projeções de desembolsos relacionados a Brumadinho. Somente para o ano que vem, a mineradora estima aportes de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões. Para 2021, de até US$ 1,9 bilhão, para 2022, de até US$ 1,25 bilhão. E para o período de 2023 até 2031, aproximadamente US$ 8 bilhões. As cifras incluem os valores a serem aportados nos projetos de reparação e de descaracterização de barragens da mineradora.

Território-parque – Para o ano que vem, uma das principais obras previstas diz respeito a um projeto de requalificação urbana chamado território-parque em Córrego do Feijão. Embora ainda não esteja orçado e nem tenha previsão do início das obras, a expectativa, conforme o diretor especial de Reparação e Desenvolvimento da Vale, é de que tenha as primeiras intervenções concluídas em dezembro do ano que vem.

De acordo com ele, o projeto inclui ações de melhoria da infraestrutura (reforma, pavimentação e urbanização de ruas, casas e estruturas), reativação econômica e desenvolvimento do turismo local, além de cuidado com a memória das vítimas do rompimento da barragem.

“A proposta de território-parque para Córrego do Feijão atende a dois objetivos, prioritariamente. O primeiro, humano, de reparar e permitir que as famílias da principal região impactada pelo rompimento possam retomar rotinas. O segundo, de gerar desenvolvimento econômico ao local”, destacou.