Economia

Mercado de trabalho aquecido ajuda varejo mineiro a crescer acima da média nacional

Setor de consumo se destaca em junho e no segundo trimestre de 2026, impulsionado por fatores como injeção de dinheiro e mercado de trabalho robusto
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Mercado de trabalho aquecido ajuda varejo mineiro a crescer acima da média nacional
Varejo em Minas em junho interrompeu trajetória negativa registrada nos dois meses anteriores, segundo Índice Stone | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Alessandro Carvalho

O ano de 2026 não tem sido esplendoroso para o varejo brasileiro e mineiro, mas está longe de estar em recessão, com crise no consumo. Segundo o Índice Stone do Varejo, medido mês a mês, junho teve alta geral e ainda interrompeu a trajetória negativa registrada nos dois meses anteriores, avançando 1,1% na comparação mensal com abril e maio, que registraram quedas de 0,2% e 0,7% respectivamente.

Com o fechamento do segundo trimestre, já é possível fazer um balanço mais completo do período. Frente ao segundo trimestre de 2025, o volume de vendas do varejo brasileiro cresceu 4,2%. Minas Gerais tem destaque, pois teve crescimento de 6,4%, acima da média nacional, que ficou em 5,7%.

Já na comparação com o trimestre imediatamente anterior, considerando os ajustes sazonais, os avanços foram de 1,7%. Dessa forma, o varejo encerra o segundo trimestre de 2026 em nível superior ao de 2025 e também acima do patamar verificado no começo deste ano.

O que influenciou a alta

Praticamente todos os segmentos de consumo do varejo tiveram crescimento em junho, mas os itens de uso mais cotidiano, mais pessoal, seguem como a base do consumo do varejo nacional e mineiro.

Destaque para artigos farmacêuticos (+0,6%), de higiene pessoal (+2,0%), alimentos, bebidas, supermercados e hipermercados (+1,0%), eletrodomésticos/móveis (+1,3%) e materiais de construção (+2,3%), que foram os destaques positivos do varejo como um todo.

Já combustíveis (-1,8%), jornais, revistas, papelaria e livros (-6,7%) e vestuário, calçados e tecidos (-1,1%) foram os pontos de queda do levantamento no mês de junho.

Trabalho e injeção de dinheiro

Alguns fatores podem explicar o bom desempenho do varejo mineiro e brasileiro em junho e no trimestre. Segundo o professor de ciências contábeis da Estácio BH, Alisson Batista, uma injeção de dinheiro na economia ajudou a manter os bons patamares do consumo no varejo. “Nesse primeiro momento, há uma injeção econômica muito forte. Estamos vindo de um período pós-entrega do Imposto de Renda, já tivemos duas injeções de recursos no mercado e, com isso, há uma pulverização muito forte de recursos financeiros. A própria região Sudeste, como um todo, também tem um movimento bastante aquecido”, explica.

O professor Alisson indicou outro ponto interessante para o varejo se manter sólido no País e, mais especificamente, em Minas, onde houve alta acima da média nacional: o mercado de trabalho. Minas criou mais de 87 mil empresas formais nos últimos meses, o que gerou nova massa de assalariados que, por consequência, reforçaram o mercado de consumo. Assim, “o maior número de ocupados também favorece o desenvolvimento econômico”.

“Também temos um cenário em que a inflação está de certa forma controlada, apesar do teto da meta estar sendo estourado. Em tese, os indicadores não animam tanto e vê-se aí um poder de compra menos efetivo. Contudo, você ainda vê filas no shopping, estacionamentos lotados, pessoas conseguindo adquirir vários itens. Ou seja, temos de fato um consumo bastante aquecido”, comenta Alisson.

Sustentação e juros

O mercado de trabalho continua sustentando a renda e evitando uma queda mais brusca no consumo, mas o alto nível de endividamento das famílias, somado ao custo elevado do crédito, segue sendo um dos principais fatores de restrição, indica o levantamento da Stone.

O ciclo de flexibilização monetária, iniciado em março e que já soma três cortes até junho, tende a aliviar gradualmente esse cenário, ainda que seus efeitos se façam sentir com certa defasagem. Por isso, o varejo deve continuar dependente da evolução das condições financeiras nos próximos meses.

“É importante considerar também que as reduções na taxa Selic vão impactar a economia somente daqui a quatro ou seis meses. Ou seja, é uma decisão tomada agora, mas cujo reflexo só veremos no futuro”, afirma o professor de ciências contábeis da Estácio BH, Alisson Batista, que pontua sobre a força da economia mineira, apesar dos contratempos dos juros e do endividamento das famílias.

“Não temos, de fato, uma questão de estagnação ou recessão. O estado continua crescendo, mas diminuiu o ritmo. Temos uma economia que gera emprego e possui uma base bastante sólida, diferente de outras regiões do país que sofrem com sazonalidade ou questões climáticas. Minas não sofre tanto nesse contexto, e o setor de serviços sempre estará envolvendo e protagonizando os números da nossa economia”, finaliza.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.

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