O volume de vendas do segmento supermercadista em Minas aumentou 10% em maio | Crédito: REUTERS/Sergio Moraes

O início da flexibilização das medidas de distanciamento social em combate ao Covid-19 em diversas cidades de Minas Gerais, em maio, fez com que o varejo apurasse aumento no volume de vendas naquele mês frente a abril, mas não foi suficiente para elevar os níveis de comercialização nas demais bases comparativas.

Ainda é cedo para falar em retomada, especialmente naquelas regiões em que o processo de reabertura foi tardio e/ou sofreu retrocesso, como é o caso da Capital.

A avaliação é da economista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Minas, Cláudia Pinelli, ao comentar os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que indicou avanço de 17,1% na comercialização do varejo mineiro na série com ajuste sazonal.

“Em abril tínhamos praticamente todos os estabelecimentos fechados e qualquer aumento da flexibilização que ocorresse em maio refletiria na melhora do indicador. Mas não necessariamente significa uma melhora do cenário, principalmente, porque quando comparamos com as demais bases, os números continuam negativos”, comentou.

Segundo o IBGE, em relação ao mesmo período de 2019, a variação das vendas do comércio varejista em Minas Gerais foi de -1,2% e no acumulado do ano observou-se baixa de -3,2%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o resultado do Estado ficou positivo em 0,7%.

“É difícil falar sobre expectativas, porque a retomada está ocorrendo de forma muito diferenciada mesmo dentro de Minas Gerais. Cada município vive um quadro e ainda tem a questão da renda das famílias, que está sendo fortemente afetada pela pandemia”, ponderou.

Setores – Em termos de setores, a analista lembrou que as atividades consideradas essenciais têm segurado o desempenho. Em maio, seis das 13 atividades investigadas apresentaram avanço na comparação com o mesmo mês de 2019, com destaque para hipermercados e supermercados (10%) e móveis (2,8%).

Por outro lado, os setores de livros, jornais, revistas e papelaria (-62,5%) e tecidos, vestuário e calçados (-32%) apresentaram os maiores recuos. Já no comércio varejista ampliado, o setor de veículos, motocicletas, partes e peças apresentou recuo de 25% e o setor de material de construção, queda de 1,7%.

Aumento de casos de Covid-19 leva BH à fase 0

No caso de Belo Horizonte, a flexibilização teve início no dia 25 de maio, quando o prefeito Alexandre Kalil (PSD) autorizou o funcionamento das primeiras atividades.

No entanto, diante do aumento do número de casos e ocupação excessiva dos leitos hospitalares voltou à fase 0 no fim do mês passado, quando, no dia 29, os demais setores foram novamente proibidos de funcionar.

Desde o início da reabertura da cidade, o Comitê de Enfrentamento à Epidemia do Covid-19 da prefeitura apresenta, semanalmente, balanço da situação epidemiológica e os próximos passos do plano de flexibilização. Com o recuo anunciado pelo próprio prefeito no fim de junho, porém, os anúncios deixaram de acontecer.

Na última semana, Kalil e os membros do Comitê chegaram a se reunir com representantes de diversos segmentos empresariais de Belo Horizonte e disseram que não havia previsão de retomada da flexibilização, agendando novo encontro para ontem (8), que não ocorreu.

“Os números não nos permitem nada diferente do que está acontecendo hoje. Então, nós não temos o porquê de fazer uma reunião sem objetivo. Eu recebo duas, três vezes por dia os números das ocupações (de leitos de UTI e de enfermarias), as transmissões (Rt)”, comunicou o líder do Executivo na segunda-feira (7).

Em contato com a reportagem, o presidente do Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), Nadim Donato, informou que novo encontro está agendado para o dia 16 de julho e que a expectativa é que as condições estejam mais favoráveis à retomada.

Apesar disso, também nesta semana, Kalil voltou a se reunir com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), um dos setores mais afetados pelo fechamento da cidade. Diante da gravidade da situação, o presidente-executivo da entidade, Paulo Solmucci, assumiu as negociações com o Executivo municipal.

Procurado, Solmucci confirmou o encontro com o prefeito de Belo Horizonte e a retomada da discussão do processo de reabertura da Capital entre a Abrasel e a Prefeitura. Ele disse que agora a entidade aguarda a melhora dos índices epidemiológicos para que a reabertura, de fato, possa acontecer.

Por fim, de acordo com o último boletim epidemiológico, Belo Horizonte tem, até o momento, 201 óbitos pela doença e 9.361 casos confirmados. Em termos de leitos, 92% das UTIs para Covid-19 estão ocupadas e 76% das enfermarias voltadas para a doença também.

Crescimento é recorde no Brasil

Rio e São Paulo – As vendas no varejo do Brasil registraram aumento recorde em maio com menor impacto do isolamento social, mas recuperou apenas parte das perdas dos dois meses anteriores devido às restrições para combate ao coronavírus.

Em maio, as vendas varejistas subiram 13,9% na comparação com o mês anterior, melhor taxa desde o início da série histórica em janeiro de 2000, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ontem.

O resultado positivo se dá depois de perda recordes de 16,3% em abril, após queda de 2,8% em março. “Abril até agora foi o fundo do poço, e a melhora tem a ver com uma adaptação do comércio à nova realidade”, explicou o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve perda de 7,2%, terceira taxa negativa consecutiva. “Foi um crescimento grande percentualmente, mas temos que ver que a base de comparação foi muito baixa. Se observamos apenas o indicador mensal, temos um cenário de crescimento, mas ao olhar para os outros indicadores, como a comparação com o mesmo mês do ano anterior, vemos que o cenário é de queda”, explicou Santos.

Mas os resultados foram melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de alta de 6,0% na comparação mensal e de queda de 12,1% sobre um ano antes.

As decisões de fechar lojas físicas e outros estabelecimentos por todo o País devido ao surto de coronavírus pesaram em cheio sobre o consumo, bem como as incertezas trazidas pela pandemia em torno da economia e do trabalho.

Mas de acordo com o IBGE, de todas as empresas consultadas na pesquisa, 18,1% relataram impacto do isolamento em suas receitas em maio, contra 28,1% em abril.
Em maio, todas as atividades pesquisadas registraram ganhos. O maior crescimento percentual foi visto em Tecidos, vestuário e calçados, de 100,6%.

As vendas de Móveis e eletrodomésticos subiram 47,5%, enquanto de Outros artigos de uso pessoal e doméstico aumentaram 45,2%.

O setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que tinha recuado em abril, viu aumento de 7,1% nas vendas em maio.

No varejo ampliado, houve crescimento de 19,6% sobre abril, sendo que a atividade de Veículos, motos, partes e peças registrou alta de 51,7%, enquanto a de Material de construção aumentou 22,2%. (Reuters)