Economia

Vendas de material de construção caem até 5% na Grande BH

Vendas de material de construção caem até 5% na Grande BH
Além da demanda mais fraca, setor enfrenta vários desafios, como aumento expressivo nos custos agravado pelo conflito no Oriente Médio, que pressionou para cima o preço dos produtos derivados do petróleo | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Alisson J. Silva

O setor de material de construção começou 2026 em ritmo mais fraco. Entre janeiro e abril, as vendas registraram queda estimada entre 3% e 5% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção (Sindimaco), Paulo Machado Zica de Castro.

De acordo com o dirigente, o desempenho negativo reflete um conjunto de fatores econômicos que vêm reduzindo o consumo das famílias e pressionando os custos do setor. Entre os principais fatores apontados está o alto nível de endividamento das famílias, somado às taxas de juros elevadas, que restringem o crédito e reduzem o poder de compra.

Segundo Castro, parte da renda disponível também tem sido desviada para outras despesas, o que impacta diretamente o varejo de materiais. “O dinheiro está sumindo na mão do consumidor. Juros altos, gastos com essas bets, inflação, tudo isso contribui com a diminuição da capacidade de investimento em reformas e construções”, diz.

Dessa forma, mesmo quando o consumidor decide comprar, ele adquire menos itens. “Se antes a família tinha R$ 10 mil para gastar, agora compra menos produto com o mesmo valor. O cliente tem sumido por causa das condições econômicas do Brasil”, explica.

Além da demanda mais fraca, o setor enfrenta aumento expressivo nos custos. No fim de 2025 e início de 2026, a elevação do preço internacional de metais, especialmente o cobre, já havia impactado itens como cabos, tubos e conexões metálicas.

Mais recentemente, a crise no Oriente Médio agravou o cenário, elevando os preços de derivados de petróleo. Isso afeta diretamente materiais como PVC, CPVC, polietileno e polipropileno, amplamente usados na construção civil. “Produtos como tubos, conexões, caixas d’água e telhas plásticas tiveram altas que variam, em média, de 25% a 35%”, destaca o diretor.

O encarecimento dos insumos também está ligado a fatores externos, como oscilações no mercado internacional e aumento da demanda global. Segundo Castro, o setor sofre impacto do levante da indústria de veículos elétricos, que consome muito cobre, encarecendo o metal.

Com isso, as empresas acabam repassando parte dos custos ao consumidor final, o que reforça o ciclo de retração. Preços mais altos, reduzem o volume de compras. “Uma família que tinha um projeto de construir, vai gastar menos”, avalia.

Perspectivas para o restante do ano

Para os próximos meses, a expectativa do Sindimaco é de manutenção ou até um possível agravamento das dificuldades. A entidade avalia que os efeitos da crise internacional devem persistir, mesmo em caso de uma resolução rápida do conflito.

“Se a guerra acabar hoje, os preços dos produtos não caem até fim do ano. Os efeitos são a médio prazo, o impacto continua. A cadeia logística levará de cinco a seis meses para se normalizar”, afirma Castro.

No cenário interno, a combinação de inflação, juros elevados e incertezas fiscais também limita uma recuperação mais consistente. “Não enxergo muita perspectiva de melhora neste ano. A tendência é de um cenário de igual dificuldade ou até maior”, conclui.

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