Economia

Veolia pretende ampliar portfólio e escala de incineração de resíduos na usina de Sarzedo

A multinacional francesa projeta aumentar o processamento para 30 mil toneladas/ano e passar a tratar resíduos hospitalares, além de industriais
Veolia pretende ampliar portfólio e escala de incineração de resíduos na usina de Sarzedo
Foto: Divulgação Veolia

A multinacional francesa Veolia, especializada em gestão de água, resíduos e energia, planeja expandir as operações de incineração na usina de Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A meta é iniciar o tratamento de resíduos hospitalares em breve, além de chegar a 30 mil toneladas processadas por ano até 2028 ou 2029.

As informações foram reveladas ao Diário do Comércio por Gabriel Chifflier, diretor de Resíduos Perigosos e Hospitalares da Veolia para Ibéria e América Latina. A unidade foi adquirida pelo grupo em novembro de 2025, quando pertencia à EcoVital. O valor da transação não foi divulgado.

Inaugurada em 2014 e passando por retrofit entre o ano passado e este ano, a usina mineira é considerada uma das maiores e mais modernas da América Latina. A unidade possui capacidade de incinerar 48,2 mil toneladas de resíduos por ano e dispõe de tecnologia de ponta e rígidos controles ambientais, como um sistema de neutralização seca para efluentes gasosos.

Recebimento de resíduos hospitalares e volumes de processamento

Especializada no tratamento térmico de resíduos industriais perigosos (Classe I), a planta não tem licença ambiental para processar resíduos de serviços de saúde. No entanto, conforme o diretor, a empresa prepara, neste momento, a documentação para solicitar ao órgão competente do Estado o aumento do escopo de atividades.

Chifflier explica que se trata de uma modificação administrativa simples, prevista para ocorrer no prazo de três a seis meses. Não há necessidade de investimentos, uma vez que a incineração dos resíduos hospitalares perigosos será feita na própria estrutura existente.

Gabriel Chifflier
Foto: Divulgação Veolia

Não é possível precisar a participação de cada tipo de resíduo na usina, já que os da área da saúde ainda não podem ser recebidos. Contudo, a estimativa é que eles representem entre 10% e 20% do volume tratado, enquanto os industriais deverão responder por 80% a 90%.

Especificamente sobre os resíduos industriais perigosos, os principais recebidos pela unidade vêm das indústrias agroquímica, química e farmacêutica, de acordo com ele. Entretanto, a operação atende outros setores, como o mineral, o automotivo e o de tintas.

A projeção para 2026 é que a usina processe, ao todo, entre 12 mil toneladas e 18 mil toneladas de resíduos, o que está distante da capacidade instalada em razão de gargalos na demanda. A expectativa, porém, é que esse montante cresça nos próximos anos, como já mencionado.

“Vamos tentar receber o máximo de resíduos possível de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Creio que essa seja a área de influência da nossa planta, evidentemente com mais influência em Minas Gerais e Rio de Janeiro devido à distância, porque a logística ‘mata’ o negócio. Quanto maior a logística, maior o custo”, afirma.

“Embora esses sejam os estados de maior influência, se houver um resíduo muito complexo em Camaçari (Bahia), por exemplo, ele pode vir para Minas Gerais. Isso é possível, mas é necessário que a complexidade do resíduo justifique a distância devido ao custo”, pontua.

Grupo prevê investimento em caldeira e tem aporte em turbina no radar

O alcance da projeção de 30 mil toneladas de resíduos tratados anualmente em Sarzedo viabiliza novos aportes na usina, de acordo com Chifflier. Isso inclui a instalação de uma caldeira para produzir vapor e de uma turbina para produção de eletricidade, o que permite a incineração com recuperação energética direta.

Ele esclarece que a caldeira custaria cerca de US$ 500 mil, investimento considerado viável e que, portanto, deve se tornar realidade até 2030. A maior parte do vapor gerado seria utilizada na própria planta, e o excedente seria vendido para indústrias que estejam próximas da unidade. Já a turbina demandaria mais recursos, incluindo instalações de conexão à rede elétrica, e ainda não possui previsão de saída do papel.

Dependência de aterros e coprocessamento, falhas na legislação e descarte inadequado de resíduos

Conforme o diretor da Veolia, a geração de resíduos é inevitável, embora seja popular no mercado dizer que se produz zero resíduo. Chifflier também afirma que é verdade que o setor industrial gera menos resíduos atualmente em relação a algumas décadas, mas os resíduos gerados estão cada vez mais complexos.

Em função dessa complexidade, torna-se necessário o surgimento de novas tecnologias de tratamento e de grandes usinas, como a de Sarzedo. Segundo ele, plantas como a da RMBH não são a única solução, mas são importantes para a correta gestão de resíduos perigosos.

No Brasil, segundo o diretor, há dependência de aterros sanitários e de coprocessamento em cimenteiras. Para Chifflier, essas alternativas precisam existir, porém outras infraestruturas também são necessárias para que não haja gargalo estrutural no futuro.

Sede da Veolia
Foto: Divulgação Veolia

De acordo com ele, ainda há falhas na legislação brasileira de economia circular, por exemplo, que deveria englobar mais resíduos perigosos. Soma-se a isso o descarte inadequado de resíduos perigosos em aterros.

O diretor afirma que esses fatores afetam investimentos em novas tecnologias e novas plantas de tratamento no País. Chifflier afirma que a própria Veolia gostaria de ter mais unidades, mas não consegue justificar as inversões.

Números da Veolia em Sarzedo

• Capacidade instalada de 48,2 mil toneladas de resíduos por ano;

• Meta de atingir 30 mil toneladas processadas anualmente até 2028 ou 2029;

• Previsão de processar entre 12 mil e 18 mil toneladas em 2026;

• Resíduos hospitalares devem representar entre 10% e 20% do volume tratado;

• Resíduos industriais responderão por 80% a 90% da operação;

• Unidade foi adquirida pela Veolia em novembro de 2025;

• Planta passa por retrofit desde o ano passado;

• Caldeira para produção de vapor deve receber investimento de cerca de US$ 500 mil até 2030;

• Área de influência inclui Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina;

• Operação atende indústrias agroquímica, química, farmacêutica, mineral, automotiva e de tintas.

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