De janeiro a março deste ano, Ibovespa atingiu seu pior trimestre na história, com queda de 36,86% | Crédito: Amanda Perobelli/Reuters

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) tem impactado e muito os números da Bolsa de Valores. A volatilidade, pelo menos em curto prazo, deverá continuar sendo uma realidade, segundo especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO. No Brasil, há mais uma situação que tem interferido nas comercializações de ações: a crise política.

Entre janeiro e março deste ano, o Ibovespa atingiu o seu pior trimestre na história, com queda de 36,86%. Em maio, porém, a Bolsa de Valores fechou em alta (8,57%). Poderia ter se recuperado mais, de acordo com o economista, consultor e professor nas áreas de estratégia, economia e desempenho empresarial, Carlos Caixeta, se as notícias políticas fossem mais calmas.

Desde a confirmação do primeiro caso de coronavírus no País, o Brasil registrou demissões e trocas de ministros, manifestações diversas, investigações governamentais, entre outros acontecimentos.

As turbulências foram tantas que nem mesmo os especialistas conseguem convergir em um ponto de vista que indique qual fator tem prejudicado mais a Bolsa de Valores.

Enquanto Carlos Caixeta destaca que o cenário nesse sentido poderia estar melhor não fossem as reviravoltas políticas, o professor e coordenador do curso de administração do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Eduardo Coutinho, acredita que, do lado real da economia, o Covid-19 é o maior responsável pelos números que oscilam na Bolsa.

“O grande gargalo é o novo coronavírus, que impede que a economia funcione de forma mais livre”, destaca ele. “É preciso haver uma sinalização sobre como as coisas vão caminhar a partir de agora”, comenta.

A analista da Terra Investimentos Sandra Peres, por sua vez, ressalta que as incertezas têm sido ainda maiores no cenário político, o que pode acabar contribuindo para uma piora na Bolsa de Valores e na economia. Mais do que a pandemia, inclusive, diz ela, que também está prejudicando fortemente o mercado de ações.

Se, por um lado, não há consenso entre o que mais tem prejudicado a Bolsa de Valores, por outro, os especialistas são unânimes em dizer: as oscilações permanecerão por um tempo. Por qual período, ainda não se sabe.

Eduardo Coutinho afirma que tudo depende de como será a resposta ao retorno das atividades econômicas. “O futuro é muito nebuloso. Ainda é difícil prever”, destaca ele.

Sandra Peres aponta, contudo, que a grande queda na Bolsa de Valores foi no mês de março, quando as medidas de isolamento social começaram a ser adotadas no País. “Os investidores acabaram se antecipando e derrubando os ativos”, relata. Agora, apesar da tendência de volatilidade, a recuperação já vem vindo – mas isso pode mudar, diz ela, se acontecer algo mais sério na política.

Carlos Caixeta chama a atenção, inclusive, para o fato de que a Bolsa de Valores é uma oportunidade neste momento para quem consegue lidar com as oscilações em curto prazo. “É um bom momento de fazer uma aposta na retomada das ações. Até o fim do ano, há uma grande probabilidade de recuperar a queda”, diz.

Segmentos – Mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus e às retrações na Bolsa de Valores, muitos setores continuaram mostrando sua força no mercado de ações.

Conforme os especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, os segmentos alimentício, farmacêutico, de infraestrutura e tecnologia foram alguns dos que se mostraram mais prósperos.