Apesar do primeiro crescimento do setor de serviços em Minas no ano, cenário ainda aponta desaceleração
O volume de serviços em Minas Gerais registrou alta de 0,1% em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025. Já em relação a março deste ano, o avanço foi mais expressivo, de 1,4%, superando as quedas registradas em março (-0,5%) e fevereiro (-0,1%), além do desempenho nacional, que registrou elevação de 1,2%. Os dados constam na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quinta-feira (11).
Na comparação anual, pesaram negativamente os setores de serviços profissionais, administrativos e complementares, com retração de 5,6%, e de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, com queda de 1%. Em contrapartida, as atividades de informação e comunicação (3,9%), os serviços prestados às famílias (1,7%) e outros serviços (11,1%) contribuíram para evitar uma retração do volume de serviços em abril.
Já no acumulado do ano, o volume de serviços em Minas Gerais apresentou queda de 1,1% frente ao mesmo período de 2025. O resultado reflete, principalmente, as retrações observadas nos serviços profissionais e administrativos (-6%) e nos transportes (-2,5%). Apesar disso, o indicador vem mostrando uma redução gradual das perdas ao longo dos meses. Nos dois primeiros meses do ano, a queda acumulada era de 2,4%. Entre janeiro e março, o recuo passou para 1,5%.
De acordo com o economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, os indicadores sugerem uma recuperação moderada do setor de serviços, principalmente após a desaceleração observada no primeiro trimestre de 2026.
Segundo Pio, esse movimento deve ser sustentado, sobretudo, pela resiliência do mercado de trabalho, pela expansão da massa salarial e pelos estímulos de curto prazo à renda, fatores que contribuem para manter a demanda por serviços.
Tendência de desaceleração
Ainda assim, a expectativa para o restante do ano permanece de desaceleração gradual do setor. “Apesar da perspectiva de redução da taxa básica de juros ao longo dos próximos meses, a Selic deverá permanecer em patamares elevados, restringindo o ritmo de expansão da atividade econômica e limitando decisões de consumo e investimento”, avalia.
Além disso, Pio destaca que os serviços de transporte devem permanecer como principal ponto de atenção, por representarem o segmento de maior peso na estrutura do setor.
“O segmento ainda deve sentir os efeitos do aumento dos custos operacionais, especialmente em função da elevação dos preços dos combustíveis, como diesel e querosene de aviação”, comenta.
Em contrapartida, o economista disse acreditar que os serviços de informação e comunicação tendem a continuar apresentando desempenho relativamente mais resiliente ao longo do ano, contribuindo para sustentar o resultado agregado do setor.
Diante desse cenário, a Fiemg projeta crescimento de 2,1% para o volume de serviços no Brasil em 2026. “Embora os dados mais recentes apontem para uma melhora da atividade de serviços, o cenário permanece marcado por cautela. As condições financeiras ainda restritivas e a pressão dos custos operacionais devem limitar o ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026”, conclui.
Primeiro crescimento mensal do ano
Para o economista do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Erico Grossi, o crescimento mensal de 1,4% em abril é o dado que mais chama atenção. “Foi o primeiro crescimento do ano. Desde janeiro, vínhamos observando resultados negativos”, observa.
No entanto, ele comenta que o setor de serviços está respondendo à política monetária contracionista, que exerce impacto negativo sobre a economia como um todo. “No segundo semestre de 2025 o setor de serviços começou a frear e desde dezembro trazia um resultado negativo, voltando a crescer só agora”, diz.
Apesar disso, Grossi ressalta que o volume de serviços permanece próximo do recorde histórico registrado em dezembro de 2024. “Apesar de estarmos recuando, estamos cada vez mais próximos do nível recorde de Minas. Estamos 1,8% abaixo desse volume máximo histórico”, salienta.
No entanto, ele observa um processo de resfriamento da atividade econômica. “Esperamos que esse cenário continue em 2026. O volume de crescimento será menor que o ano anterior, porém, positivo. A desaceleração aconteceu, mas estamos muito próximos do melhor momento da história”, comenta.
Atividades turísticas acumulam queda de 6,3% no ano em Minas
Em abril, enquanto o volume de serviços em geral cresceu 1,4% em relação a março, as atividades turísticas avançaram 1,9% no período em Minas Gerais. No Brasil, o setor também registrou resultado positivo na comparação mensal, com alta de 1,2% no volume de serviços e de 4,1% nas atividades turísticas.
No entanto, no acumulado do ano, o setor de turismo em Minas Gerais registra queda de 6,3% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto, no Brasil, há avanço de 0,4%. Nesse caso, o economista da Fiemg explica que a retração pode estar relacionada ao aumento dos custos do setor.
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