Setor de serviços em Minas tem queda de 1,6% no 1º trimestre
Quando o olhar para o desempenho dos serviços em Minas Gerais nos três primeiros meses deste ano é direcionado apenas à luz dos números, o resultado não agrada. Houve quedas em todos os meses de 2024 nos serviços, gerando um 1º trimestre com recuo de 1,6% no Estado, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada sexta-feira (15).
Nesta base, recuaram os serviços nos grupos profissionais e administrativos (-6,3%), transportes e correios (-3,0%) e prestados às famílias (-2,3%). No trimestre, cresceram os grupos de outros serviços (10,1%) e de informação e comunicação (2,1%).
Em março, o volume de serviços em Minas Gerais caiu 0,7%, percentual menor que o registrado no Brasil (-1,2%). Em relação a março de 2025, o volume de serviços em Minas Gerais ficou estável (0,0%).
Entretanto, quando a leitura do cenário é feita sob uma ótica mais ampla, o resultado dos três primeiros meses do ano demonstra que o setor de serviços em Minas tem conseguido mostrar força e resiliência diante de conjunturas instáveis e de incertezas.
Essa é a avaliação do economista do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Adriano Miglio Porto.
“Esse recuo no setor de serviços vem ocorrendo nos últimos meses, em um cenário de muita incerteza. No plano internacional, guerras recentes geraram choques nos custos de energia, especialmente no petróleo, o que afeta o ambiente econômico de forma geral. Além disso, o Brasil possui um dos juros reais mais altos do mundo, próximo de 10% ao ano, o que restringe o dinamismo da economia”, explica Porto.
“Apesar desses dois fatores, ainda estamos próximos do patamar recorde alcançado em dezembro de 2024 e esperamos uma reação da economia no segundo semestre. O período eleitoral costuma trazer certo dinamismo e alguns incentivos, o que deve gerar alguma recuperação, ainda que o crescimento do setor de serviços neste ano seja mais modesto”, pondera.
Queda em Minas foi menor
A taxa dos serviços recuou em 13 das 27 unidades da federação em março. Minas Gerais apresentou um recuo inferior ao de vários estados com maior influência econômica. Destacaram-se as quedas em São Paulo (-2,1%), Mato Grosso (-5,2%) e Pernambuco (-3,9%) e as altas no Distrito Federal (10,3%) e Rio de Janeiro (1,8%).
No acumulado em 12 meses, o setor de serviços em Minas Gerais caiu 0,5%, diminuindo o recuo observado no mês anterior (-0,6%), mas ficando abaixo do crescimento de 2,8% registrado pelo Brasil. Cresceram no Estado os grupos de outros serviços (5,9%) e de informação e comunicação (2,7%). Contudo, grupos de maior peso, como os profissionais e administrativos (-3,0%) e transportes e correios (-1,9%), puxaram a queda.
“Analisando a evolução da pesquisa de serviços do IBGE, verificamos que, de 2022 até meados de 2023, Minas Gerais cresceu mais do que o Brasil. De 2023 até dezembro de 2024, houve uma desaceleração: passamos a crescer, mas de forma modesta, enquanto o País apresentou um crescimento mais dinâmico”, comenta Adriano Miglio, do BDMG.
Renda não ajudou
O recuo dos serviços no Brasil e em Minas pode indicar uma contradição com o momento econômico, já que há mais renda circulando devido à alta no nível de empregos e à manutenção do consumo em bons níveis, como demonstrou o levantamento do IBGE sobre o desempenho do comércio nos três primeiros meses do ano.
Todavia, Adriano Miglio, do BDMG, avalia que a análise sobre a relação entre renda circulante e os segmentos de serviços deve ser mais ampla, pois os setores podem ter dinâmicas distintas dentro da economia.
“Vale destacar que o setor de serviços é bastante amplo. Ele não abrange apenas serviços pessoais ou consumo interno, mas principalmente serviços empresariais e de transporte, este último sendo o de maior peso na pesquisa. O choque do petróleo, por exemplo, impactou fortemente o serviço de transporte aéreo”, explica.
“Mesmo com uma renda que sustenta parte da demanda, fator de resiliência da economia, dentro da lógica empresarial e de investimentos, há serviços que seguem dinâmicas próprias”, conclui o economista.
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