A fronteira do caos
Todos já nos sentimos incomodados pela desordem em organizações e no governo. A desordem gera perda de tempo e dinheiro, causa confusão e gera brigas entre as pessoas. A tendência natural é buscar eliminar a desordem, mas isso parece impossível.
A teoria da complexidade (ou teoria do caos) estudou o problema através de diversas metodologias matemáticas. A conclusão é bastante contraintuitiva: a desordem é necessária para a evolução da organização e, portanto, sua sobrevivência.
Imagine uma organização como uma rede de relações entre “objetos”. Tais “objetos” podem ser pessoas, máquinas, processos e tecnologias. As relações são como eles interagem, tal simplificação vem da teoria das redes. Os “objetos” são chamados de “nós” ou “nodos”, e as relações são as formas de interação ou ligação.
No começo da existência de uma organização, existem poucas relações entre os objetos, a rede é simples, e nem todos os objetos são interligados. Na prática, não existe uma “organização”, mas sim subsistemas isolados. Existe muita desordem, nem existe uma ordem geral na verdade.
Na medida em que o número de relações entre objetos cresce, os subsistemas começam a se expandir e se interligar. Quando se atinge um certo nível de saturação, eles inevitavelmente se interligam, formando uma rede contínua que conecta todos os objetos, mas ainda é muito flexível. Este é um “ponto limite”, onde surge a organização como um todo, mas ela se encontra na “Fronteira do Caos”, a perda de algumas poucas relações pode desmontar a organização.
A partir desse ponto, novas relações não podem incorporar novos objetos na rede, pois todos já foram incorporados. Num primeiro momento, as novas relações dão mais estabilidade, ao mesmo tempo que reduzem a flexibilidade. E num segundo momento, a organização se torna cada vez mais rígida e inflexível. A rigidez eliminou a desordem, mas também a capacidade de ser flexível e adaptável.
Esta explicação por teoria das redes nos leva à teoria da complexidade. Quanto menos desordem, menos flexível a organização se torna, virando rígida e quebradiça. Ao invés de “vergar” e se adaptar às mudanças de um ambiente, a organização resiste e eventualmente algumas relações quebram, o que traz flexibilidade novamente, mas se muitas relações quebram ao mesmo tempo, a organização ultrapassa a “Fronteira do Caos” e se desfaz em alguns subsistemas menores, ou seja, ela “quebra”.
Uma organização idealmente deveria existir um pouco mais rígida do que a “Fronteira do Caos”, isso garante um certo grau de segurança, mas ao mesmo tempo flexibilidade. Ordem demasiada é ruim, pois tira a flexibilidade, e ordem de menos é ruim, pois arrisca a destruição da organização.
Isso leva a uma conclusão bastante contraintuitiva. O conselho e a diretoria de uma organização deveriam garantir que sempre existe um certo grau desordem, para evitar a rigidez excessiva. Se a desordem fosse completamente eliminada, existiria um risco para a organização, a de “quebrar” com as mudanças do ambiente, ao invés de “vergar e se adaptar”.
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