Vinho da Casa

Wine South America aquece a Serra Gaúcha com Brasil líder no consumo mundial

Sexta edição do evento reuniu 400 marcas, negócios internacionais, enoturismo e lançamentos em momento de setor em alta no país

Os termômetros marcavam 3 graus quando os primeiros expositores e visitantes começaram a chegar a Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, para a 6ª edição da Wine South America. Três dias depois, ao fim do evento, o frio já havia sido espantado pelas centenas de litros de vinho degustados pelos sete mil visitantes. Afinal, pelos corredores do Fundaparque, 400 marcas nacionais e internacionais apresentavam rótulos de mais de 20 países e suas diferentes características.

Toda essa movimentação gira em torno de um setor em crescimento no país, impulsionado pela valorização de produtos de maior qualidade e pelo aumento do tíquete médio. Ano passado, o Brasil registrou o maior aumento de consumo de vinho do mundo – 41,9%, segundo dados fresquinhos da Associação Internacional da Vinha e do Vinho.

Com protagonismo natural, o anfitrião Rio Grande do Sul trouxe boas novidades. A Pizzato lançou seu Tannat Syngle Vineyard Colheita 2022 do vinhedo Dr Fausto; a Aurora apresentou ao mercado seu tinto Millésime Cabernet Sauvignon 2020 – uma grande safra na região exaltada de forma unanime pelos enólogos da região; e a vinícola Lidio Carraro apresentou – dentro de sua filosofia purista – dois novos rótulos: o Agnus Cabernet Franc 2025 e o assemblage Elo’s 80% Cabernet Sauvignon e 20% Malbec, safra 2018.

Com foco no enoturismo, muitas vinícolas apresentaram seus planos para novas experiências. Nessa esteira, o trio Artur Farias, Lucinara Masiero e Ivane Fávero apresentaram a inédita Escola do Enoturismo – projeto que vai levar formação profissional para a área.

A Itália – que nunca deixou completamente a Serra Gaúcha – apareceu nessa edição de forma explícita. Na quinta posição entre os exportadores de vinhos para o Brasil em valor, os produtores do país querem avançar. Para isso, foram organizadas algumas iniciativas, como masterclasses com o professor e especialista em vinhos italianos Marcelo Vargas. Além disso, sua participação aumentou para mais de 30 empresas e cerca de 300 rótulos.

Wine South America
Foto: Marcelle Justo

Não só nos corredores da Wine South as castas italianas vêm ganhando força. Adriano Miolo, diretor-superintendente (CEO) e enólogo-chefe do grupo familiar de mesmo nome afirma que a empresa está voltando às raizes e trazendo castas deixadas lá pelos anos 1980, como Sangiovese da Toscana, Nebiollo (Piemonte) e todos os tipos de Moscatos, na sede do Vale do Sào Francisco.

Wine South America
Foto: Marcelle Justo

De Santa Catarina, a IP (Indicação de Procedência) da Uva Goethe aponta para novos caminhos e mais divulgação nacional dos vinhos da casta híbrida que traz brancos do litoral do estado. Entre os vinhos de inverno, o espaço de Brasília teve destaque com oito marcas, incluindo a própria vinícola Brasília.

Entre os estrangeiros, Portugal, França, Espanha, Chile e Argentina, além de estreias como Nova Zelândia e Alemanha. No total, foram R$ 120 milhões em negócios gerados, índice 20% acima do resultado anterior. Todos eles regados a vinho e à promessa de que coisa boa vai chegar na sua taça em breve.

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