Volume de serviços em Minas registra queda de 1,7% em maio
O volume de serviços em Minas Gerais registrou queda de 1,7% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025. Em relação a abril, o índice apresentou crescimento discreto de 0,1%, após avançar 1,5% no mês anterior. Apesar disso, o resultado mensal foi melhor que o nacional, que recuou 0,4% no mesmo período. Os dados constam na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quarta-feira (15).
Na comparação anual, pesaram negativamente os serviços de transportes e auxiliares aos transportes e correio, com queda de 5,6%, e outros serviços, que caíram 0,6%. Em contrapartida, as atividades de informação e comunicação tiveram alta de 1,8%. Os serviços profissionais, administrativos e complementares (0,5%) e os prestados às famílias (0,2%) contribuíram para evitar uma retração ainda maior no mês.
Já no acumulado do ano, o volume de serviços em Minas Gerais apresentou queda de 1,2% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado reflete, principalmente, as retrações observadas nos serviços profissionais e administrativos (-4,7%) e nos transportes (-3,1%). Ao longo dos meses, no entanto, o indicador vem mostrando redução gradual das perdas. Nos dois primeiros meses do ano, a queda acumulada era de 2,4%. Entre janeiro e março, o recuo passou para 1,5%.
De acordo com o economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, a relativa estabilidade do setor em maio frente a abril, com alta de 0,1%, sinaliza uma acomodação após o crescimento mais forte registrado no mês anterior (1,5%), em linha com o cenário de desaceleração gradual da economia brasileira.
No acumulado do ano, Pio observa dinâmica semelhante. “Os transportes permaneceram como o principal destaque negativo (-3,1%), seguidos pelos serviços profissionais e administrativos (-4,7%). Por outro lado, o segmento de serviços de informação e comunicação apresentou a maior influência positiva, ao crescer 2,6% no período”, ressaltou.
Tendência é de crescimento moderado
Para 2026, a expectativa de Pio é que o setor de serviços mantenha uma trajetória de crescimento moderado. “Esse movimento deve ser sustentado, sobretudo, pela demanda das famílias, estimulada pelo mercado de trabalho resiliente e pelas medidas de estímulo ao crédito e à renda”.
Esse impulso, contudo, tende a ser parcialmente contido pelo elevado nível de endividamento das famílias. “A Selic ainda em patamares elevados desestimula investimentos e impõe limites adicionais ao ritmo de crescimento do setor”, explica.
Além disso, o economista da Fiemg destaca que entre os segmentos, os serviços de informação e comunicação devem permanecer como um dos principais vetores de crescimento da atividade.
No entanto, os serviços de transporte seguem como ponto de atenção, diante das incertezas associadas ao conflito no Oriente Médio. “Eventuais restrições à oferta de petróleo tendem a elevar os preços internacionais e, assim, pressionar os custos e limitar o desempenho do segmento”.
Diante desse cenário, a Fiemg mantém a projeção de crescimento de 2,1% para o volume de serviços no Brasil em 2026.
Turismo em Minas cresce em maio, mas segue em queda no acumulado do ano
Considerando apenas as atividades relacionadas ao turismo, Minas Gerais registrou, em maio, a maior alta do País na comparação com abril, com avanço de 1,4%. O resultado, porém, não foi suficiente para reverter a queda acumulada de 5,6% no ano no setor de serviços, a segunda maior entre os estados, atrás apenas do Ceará (-5,8%).
Na comparação com maio de 2025, o índice de atividades turísticas em Minas Gerais recuou 2,8%, acompanhando a tendência nacional. No Brasil, a retração foi de 1,6%, o terceiro resultado negativo consecutivo.
No Brasil, a queda foi pressionada, principalmente, pela redução da receita das empresas de transporte aéreo de passageiros. Regionalmente, segundo o economista da Fiemg, a retração também pode estar relacionada ao aumento dos custos do setor. “No País, houve queda de 1,6% nas atividades turísticas, resultado pressionado principalmente pela redução da receita no transporte aéreo de passageiros. Minas acompanhou essa mesma tendência, com retração”, afirmou.
Na comparação mensal, porém, Minas apresentou desempenho positivo. “Apesar dos desafios, o resultado pode refletir os programas implementados pelo governo para estruturar o turismo no Estado, como o Projeto Estratégico de Diversificação da Oferta Turística – Novas Rotas Turísticas em Minas Gerais”, conclui.
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