Economia

White Martins inaugura 1ª planta de hidrogênio verde do Sudeste

Usina tem capacidade para produzir 800 toneladas anuais, sendo 80% destinados ao mercado para atender à demanda em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais
Atualizado em 15 de abril de 2026 • 16:32
White Martins inaugura 1ª planta de hidrogênio verde do Sudeste

A brasileira White Martins, subsidiária da Linde, líder global em gases industriais e engenharia, inaugurou oficialmente nesta quarta-feira (15) a primeira planta de hidrogênio verde (H2V) do Sudeste do País. Em operação desde o fim de 2025, a unidade está localizada em Jacareí, no interior paulista, ao lado de uma instalação de gases atmosféricos da companhia. O valor do investimento é mantido em sigilo.

Com um eletrolisador alcalino pressurizado de cinco megawatts (MW) e alimentada por energia solar e eólica, a usina tem capacidade de produzir 800 toneladas anuais. Desse volume, 20% vão para a fabricante de vidros Cebrace e 80% serão destinados ao mercado, para atender à demanda dos setores metalúrgico, de alimentos e químico de São Paulo, Rio de Janeiro e também Minas Gerais, seja pelo H2V puro ou misturado com hidrogênio cinza.

“É a primeira planta de hidrogênio verde em escala industrial do Hemisfério Sul”, afirmou o presidente da White Martins e da Linde na América Latina, Gilney Bastos. “Neste momento, estamos fazendo frente às melhores operações da Europa, Estados Unidos e China”, destacou.

Alinhada com a descarbonização dos clientes, além das próprias metas, a empresa estima que, anualmente, a Cebrace deixe de emitir 1.610 toneladas de CO2 com o hidrogênio verde. Na totalidade da usina, 8.000 toneladas/ano devem ser evitadas em relação à produção de hidrogênio cinza. Segundo Bastos, a companhia deseja desenvolver a indústria nacional de H2V e não está nos planos atuais cobrar um preço premium, embora possa acontecer no futuro.

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Vista aérea de uma unidade industrial da White Martins, com grandes tanques brancos e um edifício que exibe o texto 'Pioneirismo em Hidrogênio Verde', em um dia ensolarado.

Foto: Divulgação/White Martins

Esta é a segunda unidade de hidrogênio verde da White Martins no Brasil. A outra, ativada em 2022, fica em Pernambuco, mas é considerada uma espécie de planta-piloto, com capacidade de produção anual de apenas 156 toneladas, das quais 80% são fornecidas para uma indústria alimentícia e 20% voltadas para o mercado.

Empresa vê Minas Gerais como vetor de crescimento e Estado pode receber instalações

Na lista de destinos do hidrogênio verde produzido em Jacareí, Minas Gerais é vista pela White Martins como um local com forte potencial para consumo do H2V e para receber instalações. Conforme Bastos, o Estado aparece no radar da empresa tanto para a construção de plantas próprias, que supririam a necessidade de clientes menores, quanto para abrigar unidades originadas em convênios específicos com clientes de grande porte.

O presidente salientou que praticamente metade do parque produtivo da companhia no País fica no território mineiro. Além disso, o Estado geralmente está entre os três que mais recebem investimentos. Neste ano, os aportes previstos são da ordem de R$ 1 bilhão e ele estima que de 20% a 30% devem ser endereçados para Minas Gerais.

Segundo o vice-presidente de Negócios da White Martins, Mário Simon, Minas Gerais é, para a empresa, o grande centro de relacionamento e produção de gases para a siderurgia. Ele salientou que há demanda no Estado pelo hidrogênio verde e já existem projetos em desenvolvimento com clientes em análise para a aplicação do produto.

Bastos acrescentou que a companhia observa diversas siderúrgicas interessadas em produzir aço verde como estratégia de diferenciação de mercado. Alinhado a essa vontade, encontra-se o parque industrial da empresa, que está atenta a Minas Gerais e entende que o Estado pode ser um de seus maiores vetores de crescimento.

Para o vice-presidente industrial da White Martins, Sérgio Sacchet, a própria planta no interior de São Paulo já tem condições de fornecer o H2V para a siderurgia mineira, dentro de determinados volumes possíveis e transportado por carretas, ainda que o setor tenha alguns projetos-piloto e outros mais avançados. Ele sublinhou que o sistema logístico é integrado, portanto, pode ser moldado de acordo com a demanda.

“Não precisamos partir de algo tão grande. Damos o ‘start’ com o produto que temos aqui [em Jacareí] e, daí, gostando e desenvolvendo, podemos partir para uma planta parecida”, ressaltou o presidente da empresa, Gilney Bastos, em complemento.

O repórter viajou para Jacareí a convite da White Martins

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