Crédito: William Iven/Pixabay

Lugar de mulher é aonde ela quiser. Atualmente, o Brasil conta com 24 milhões de mulheres empreendedoras, segundo dados da Rede Mulher Empreendedora (RME). Elas estão divididas entre empreendedoras estabelecidas (10 milhões) e iniciantes (14 milhões).

Do grupo de 10 milhões, cerca de 44% são donas de empresas de micro e pequeno porte, com faturamento anual entre R$ 48 mil até R$ 3 milhões, e 56% de microempreendedores com faturamento anual de até R$ 48 mil.

Mesmo com as dificuldades as mulheres estão conquistando espaço no mercado de trabalho ou abrindo sua própria empresa. Ainda sim, o mundo ideal está distante, mas não é impossível.

O dia 19 de novembro é Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, data lançada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para valorizar e incentivar as mulheres empreendedoras. Para comemorar, confira sete histórias de sucesso.

Sabrina Nunes, CEO da Francisca Joias

Nascida em Itinga, Sabrina se tornou empreendedora cedo, começou vendendo picolés na zona rural da cidade, mas sem muitas oportunidades na região recebeu uma proposta de trabalho em um canavial em Maracaju (MS).

“O tempo que fiquei cortando cana foi difícil. Mas era o que eu tinha para fazer. Lá mesmo eu fiz contatos para conseguir me recolocar.” relembra, Sabrina Nunes.

Após sete anos, já formada em Serviço Social, e trabalhando como secretária, Sabrina conseguiu uma bolsa para estudar engenharia no Rio de Janeiro.

Em janeiro de 2012 resolveu fazer alguma atividade extra para complementar a renda. “Comprei R$ 50 em matéria-prima, no centro do Rio de Janeiro, fiz bijuterias e comecei a vender meus produtos pela internet”, diz.

Em agosto, decidiu criar uma loja virtual própria para a Francisca Joias. O e-commerce já ultrapassou a casa dos R$ 6 milhões em faturamento, conta com mais de 4 mil modelos e vende cerca de 12 mil peças por mês.

Tânia Gomes Luz, vice-presidente da ABStartups

Tânia Gomes começou sua trajetória empreendendo, fundou um e-commerce de nicho que foi super conceituado na época, a 33e34, loja que só vendia dois números de sapatos.

Após conseguir muitos investidores e alcançar seu objetivo com a marca, a empreendedora resolveu mudar de carreira. Anos depois, Tânia resolveu fundar a Girl Boss, consultoria para pequenos, médios e grandes negócios. Atualmente, Tânia é vice-presidente da ABStartups e faz palestras pelo Brasil falando sobre empreendedorismo e empoderamento feminino.

“O histórico de desigualdade de gênero também influencia na confiança das mulheres ao apresentarem seus negócios para investidores, por exemplo. Não acredito que a gente precise dessa segregação, mas estamos em um momento de investimento no Brasil que precisamos mais de apoio.”, avalia Tânia.

Sirlene Costa, Fundadora da Dassi Boutique

Sirlene Costa veio do Piauí para São Paulo ainda adolescente, quando tinha 12 anos, morando na periferia e vendo a realidade local, a empreendedora resolveu que não ficaria parada. Em 2011, começou a empreender em paralelo ao trabalho, na época os empreendedores vendiam apenas sapatos comprado em Jaú e revendidos em São Paulo.

Com os clientes pedindo um ponto físico, a empreendedora abriu uma loja física de 5 metros, mas, infelizmente, após um problema familiar a empreendedora fechou a loja.

Foi nesse momento que a empresária com a ajuda de um amigo resolveu vender produtos pela internet, em um dia ela vendeu três pares de sapatos.

Depois de muitas idas e vindas, a empresária abriu o e-commerce e usou o espaço da antiga loja para estoque, mas os clientes ainda pediam por uma loja física, não demorou muito e logo veio a primeira loja física.

“O sucesso foi tanto que a loja tinha fila na porta, nós abríamos a loja colocamos um pessoal para dentro e fechava a porta, depois que as pessoas compravam elas saiam e entravam novos clientes.”. Atualmente, a loja emprega mais de 100 pessoas, possui um e-commerce, e duas lojas físicas.

Simone Abravanel, CEO da PitaiaBank

Quando a Simone resolveu empreender, no final de 2018, e criar o primeiro banco digital com tecnologia blockchain do Brasil, a Pitaia Bank, ela não fazia ideia de como seria, principalmente, por ser uma mulher tentando revolucionar um mercado extremamente centralizar, tanto de verbas como de profissionais.

Mas isso não foi empecilho para a empresária, hoje ela gerencia sozinha um banco digital juntamente com uma Exchange com mais de 4mil clientes, a fintech com menos de um ano de operação, já coleciona grandes conquistas e lançamentos no mercado.

A Pitaia Bank possui a conta digital, na qual todo processo de abertura de uma conta é feito via aplicativo. Os usuários podem manter saldos separados em Reais e em Bitcoins. A qualquer momento pode comprar ou vender a criptomoeda, usando a Pitaia como corretora.

Além disso, o cliente consegue pagar boletos, fazer transferências, recarga de celulares. A fintech ainda traz mais uma novidade para o mercado financeiro, além disso, a fintech acaba de lançar a primeira máquina de POS que aceita pagamentos em Bitcoin.

“Quem nunca enfrentou obstáculos em um emprego? Certamente, se você trabalhou em uma empresa de moda ou acessórios, o processo foi mais fácil, mas com certeza você não saiu ilesa. A gente vai, faz e acontece, cai e levanta. É como eu costumo dizer na Pitaia, a mulher é blockchain, não tem outra explicação. rsrsrs.”, menciona a CEO do banco digital.

Juliana Zanin e Luísa Morato, Fundadora e Co-Fundadora da Camys

As advogadas Luísa Morato, 24, e Juliana Zanin, 38, resolveram largar a carreira e criar uma loja virtual focada em camisetas lisas premium, a Camys. A loja tem todo um conceito diferenciado, além das peças que vão do tamanho PP ao Super GG2, as empreendedoras defendem o conceito de moda sustentável.

“A produção das peças da Camys leva em conta três frentes: fair trade, responsabilidade social e ambiental. Nossos fornecedores possuem matéria-prima com selos de sustentabilidade, a mão de obra e local e certificada. E, principalmente, nossa cadeia produtiva não recebe, nem envia peças em sacos plásticos, as embalagens são 100% recicláveis e reutilizáveis, e a produção é 100% nacional.”, destaca Luísa Morato, uma das criadoras da marca.

O empreendimento ainda conta com mais novidades como, por exemplo, ser a única loja/comércio no Brasil a utilizar o algodão egípcio para roupas femininas. Com apenas 1 ano de mercado, as empreendedoras faturam com o e-commerce cerca de R$ 4 milhões. A previsão de faturamento para o segundo ano do negócio é R$ 12 milhões.

Luzia Costa, Fundadora Sóbrancelhas

Durante a infância, Luzia Costa adorava brincar de fazer as unhas e as sobrancelhas das colegas. Na adolescência, aprendeu sozinha como realizar esses procedimentos, transformando a brincadeira em coisa séria.

Luzia começou a empreender de fato depois de se casar, em 1999. Enquanto seu marido trabalhava como servidor público, ela teve uma série de negócios que não deram muito certo. Entre eles, uma pizzaria que a deixou cheia de dívidas.

Em tempos difíceis, a empreendedora chegou a vender pirulitos e conservas de tomates secos para sobreviver. De volta a Taubaté, em 2009, a empreendedora começou a atender em domicílio.

Ela fazia sobrancelhas, limpeza de pele e depilação com linha, que na época era uma novidade. O sucesso foi tanto que Luzia começou a dar algumas aulas particulares dessas técnicas e, logo, adquiriu um espaço que se tornou uma espécie de escola de estética.

Foi assim que, em dezembro de 2013, surgiu a Sóbrancelhas, uma rede de franquias que oferece serviços voltados para design de sobrancelha.

Leiza Oliveira, CEO da Minds Idiomas

Sua primeira fonte de renda, aos 15 anos de idade, foi cortar e costurar calcinhas e vender para suas colegas. “Isso me deu uma oportunidade de conhecer como funciona o mundo dos negócios. Quando você abre uma empresa, é necessário abrir caminhos e deixar as pessoas saberem o que você faz. Foi excelente para minha vida profissional.”

Leiza se formou no antigo Magistério, mas nunca se identificou com a carreira de docente. Decidiu, então, virar auxiliar de escritório em uma escola de inglês.

“Sou de uma família humilde e nunca tive como estudar inglês. Acabei me apaixonando pelo idioma, e decidi que queria ter uma escola só minha”, diz a empreendedora.

Depois de um ano e meio como auxiliar de escritório, Oliveira largou a vida de funcionária (e de costureira) e virou franqueada em tempo integral. Hoje, a escola de inglês Minds Idiomas, acabou evoluindo para uma rede de franquias que fatura mais de 72 milhões de reais/ano.