Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

São Paulo – Lições aprendidas com crises anteriores fizeram o Banco do Brasil (BB) ficar mais preparado para cenários como o atual, o que o deixou em condições de prever um crescimento menor dos índices de inadimplência nos próximos meses, disseram executivos do banco ontem.

“O BB tem uma posição relativamente privilegiada em relação aos demais bancos, considerando a origem de seus resultados”, disse o presidente-executivo do BB, Rubem Novaes, a jornalistas em teleconferência sobre o resultado do primeiro trimestre.
Novaes e outros executivos do BB citaram como exemplos dessa potencial vantagem a exposição relativamente baixa da carteira do banco a pequenas e médias empresas, público diretamente afetado pela crise atual; a forte fatia do consignado no crédito a pessoas físicas; e o fato de mais da metade do empréstimo do agronegócio ter mitigadores de risco.

O BB fez uma provisão adicional para perdas esperadas com inadimplência de cerca de R$ 2 bilhões no primeiro trimestre, o que levou o lucro ajustado a cair cerca de 20% na comparação com igual período de 2019.

No fim de março, o índice de inadimplência acima de 90 dias do BB era de 3,2%, marcando a segunda queda sequencial, mas acima do índice de 2,58% de um ano antes.

Segundo o vice-presidente de finanças e relações com investidores do BB, Carlos Hamilton Araújo, o BB melhorou seus modelos de risco desde a última crise enfrentada pelo País, após a recessão de 2015/16.

Por isso, afirmou, o banco acredita que desta vez o índice pode subir, mas não ir muito além do pico de 4,11% atingido no meio de 2017.

Em relatório assinado pelo analista Marcos Assumpção, o Itaú BBA considerou sólidos os resultados operacionais do BB, com bons números de margem financeira e redução de custos.

“Vemos a ação sendo negociada a níveis historicamente baixos e a mais barata entre as que cobrimos”, diz trecho do relatório.

Crise econômica – Além do aumento das provisões para calotes, Novaes elencou entre efeitos mais imediatos da crise deflagrada pela pandemia nos negócios do banco a suspensão de operações de mercado de capitais e a venda de participações do BB em negócios.

A joint venture com o suíço UBS em banco de investimento deve começar a valer no segundo semestre deste ano, como previsto, mas com volume de negócios fraco por enquanto.

Novaes alertou que as medidas de distanciamento social para conter os efeitos da pandemia podem estar subavaliando os efeitos econômicos dessa política.

“Se tiver muitos fechamentos de empresas, pode criar problemas maiores do que os que quer se resolver”, disse o executivo, em um discurso alinhado com o do presidente Jair Bolsonaro, que tem criticado as medidas de isolamento social determinadas por governos estaduais. (Reuters)

Lucro líquido de estatal recua 20,1% no 1º tri

São Paulo – O Banco do Brasil (BB) reportou ontem queda de 20,1% no lucro líquido do primeiro trimestre, quando elevou em R$ 2 bilhões suas provisões para potenciais perdas com empréstimos em razão da crise desencadeada pela pandemia do novo coronavírus.

O lucro líquido recorrente do banco controlado pelo governo, que exclui itens extraordinários, ficou em R$ 3,395 bilhões contra R$ 4,247 bilhões um ano antes, 24,5% abaixo da média das estimativas compiladas pela Refinitv.

O BB também suspendeu suas projeções para 2020, citando o “ambiente de alta volatilidade e de incerteza decorrentes da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que tem exigido atualizações frequentes de cenários e de premissas, dificultando a construção de estimativas acuradas”.

As provisões para perdas com empréstimos no primeiro trimestre aumentaram 63,3% em relação ao ano anterior, fazendo o retorno sobre o patrimônio cair para 12,5%, mais de 5 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

Os números do BB mostram que os resultados operacionais da instituição iam bem até a crise começar em março. A receita de tarifas aumentou 4%, para R$ 7,1 bilhões, embora os ganhos com cartões de crédito e débito já tenham caído.

Desembolsos – A carteira de empréstimos domésticos também aumentou 4,2% em relação ao trimestre anterior, impulsionada principalmente por desembolsos para grandes empresas, que buscavam linhas de crédito para enfrentar a pandemia.

O índice de inadimplência de 90 dias do Banco do Brasil permaneceu praticamente estável em 3,2% no primeiro trimestre. (Reuters)