Crescimento da carteira de crédito do Bradesco no período foi puxado, principalmente, pelo empréstimo a pessoa física - Crédito: Charles Silva Duarte

São Paulo – O lucro líquido recorrente do Bradesco totalizou R$ 6,5 bilhões no terceiro trimestre, avanço de 19,6% em relação ao mesmo trimestre de 2018. Descontados eventos extraordinários – como o programa de desligamento voluntário (PDV), por exemplo – o lucro contábil subiu 16,5%, para R$ 5,009 bilhões.

Segundo o relatório divulgado ontem pelo segundo maior banco privado do País, o principal impulso para o aumento do lucro foi o resultado das operações de seguros, previdência e capitalização do banco, que registrou alta de 7,5% no período, para R$ 3,473 bilhões. Em seguida, veio a margem financeira (receita com operações de crédito), que cresceu 5,9%.

De outro lado, apesar de as receitas com prestação de serviços ter apresentado aumento de 3,7% no período e de 2,5% na comparação do acumulado até setembro, essa fonte de receitas é a única que ainda não alcançou as metas de crescimento fixadas pelo próprio banco.

O Bradesco é o segundo grande banco a divulgar seus resultados referentes ao terceiro trimestre. Na quarta, o Santander divulgou crescimento também de 19% em seu lucro líquido, a R$ 3,7 bilhões.

A carteira de crédito da instituição somou R$ 578,3 bilhões – crescimento de 10,5%. A alta veio principalmente pelo avanço de 19% dos empréstimos voltados para pessoas físicas, que totalizaram R$ 221,4 bilhões. Dentre as linhas oferecidas, os maiores destaques ficaram com crédito pessoal, consignado e financiamento de veículos, que subiram 36,2%, 24,1% e 21,4%.

Da parte dos recursos voltados para pessoas jurídicas, o Bradesco continua a sinalizar o maior foco em micro, pequenas e médias empresas. O segmento avançou 8,3% no período, para R$ 106,5 bilhões, enquanto o montante cedido para as companhias de grande porte subiu 4,8%.

Já o índice de inadimplência, que mede os atrasos acima de 90 dias, apesar de ter ficado estável em 3,6% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, registrou o maior valor do ano. Ainda conforme informações do relatório, tal avanço é justificado pelo comportamento de casos pontuais na carteira de grandes empreendimentos.

O retorno sobre patrimônio líquido (também conhecido como ROAE) do Bradesco ficou em 20,2% no terceiro trimestre, avanço de 1,2 ponto percentual. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o índice ficou em 20,5%.

Seguradora – O lucro líquido do Grupo Bradesco Seguros, por sua vez, somou R$ 1,885 bilhão no terceiro trimestre, alta de 28,9% em relação a igual período de 2018. Os principais avanços vieram das modalidades de vida, PGBL e VGBL, saúde e capitalização.

Os prêmios ganhos de seguros, contribuição de previdência e receitas de capitalização totalizaram R$ 11,459 bilhões, alta de 6,9% no período. O índice de sinistralidade, porém, alcançou 74,2%, o maior nível desde o primeiro trimestre de 2018, quando estava em 75,1%. (Folhapress)

Banco anuncia fim de 300 agências em 2020

São Paulo – O Bradesco, segundo maior credor do setor privado do Brasil, fechará cerca de 300 agências em 2020, como parte de um esforço para enfrentar maiores despesas operacionais que afetaram os ganhos do terceiro trimestre, disse o presidente do banco ontem.

O Bradesco registra neste ano custos acima do esperado, ficando aquém de suas próprias metas e decepcionando investidores. Em janeiro, o banco informou que seus custos aumentariam até 4% em 2019, mas subiram 7,5% nos primeiros nove meses do ano.

O presidente Octavio de Lazari Junior disse a jornalistas, em uma teleconferência, que o banco fechará 150 agências já neste ano. O banco encerrou setembro com 4.567 agências.

Lazari informou que um recente programa de demissão voluntária também ajudará a cortar custos. Ele disse que 3 mil trabalhadores já aderiram ao programa, cerca de 3% do seu quadro de funcionários. O Bradesco também vem renegociando melhores condições para contratos de fornecedores e fechando acordos em disputas trabalhistas.

Analistas do Credit Suisse observaram, em nota a clientes, que as despesas operacionais decepcionaram com o aumento das despesas com marketing e pessoal. A receita das tarifas também ficou abaixo da meta do banco, mas Lazari disse que provavelmente terminará 2019 na faixa de crescimento de 3% a 7% estabelecida no início do ano.

Lazari afirmou que espera que o banco registre um retorno sobre o patrimônio em torno de 20% nos próximos trimestres, apesar das taxas de juros mais baixas no Brasil. O Bradesco apresentou rentabilidade de 20,2% no terceiro trimestre.

Lucro – O banco pretende acelerar o crescimento para atingir essa meta. “Ganhos de escala serão essenciais para o banco manter sua lucratividade em meio a taxas de juros mais baixas”, disse Lazari a jornalistas.

A carteira de crédito do Bradesco cresceu 3,2% no trimestre, impulsionada principalmente por empréstimos a consumidores e pequenas empresas. Lazari disse que o crescimento do crédito ao consumidor deve manter seu ritmo acelerado nos próximos trimestres.

Os empréstimos vencidos há mais de 90 dias ficaram em 3,6%, um aumento de 0,4 ponto percentual. O banco explicou que o aumento foi causado por problemas com crédito a grandes empresas. As provisões para perdas com empréstimos também aumentaram 4% em relação ao segundo trimestre. (Reuters)