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Carteira de crédito deve expandir 0,5%, segundo Febraban

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Após crescimento por oito meses consecutivos, o ritmo de expansão anual pode indicar ligeira desaceleração, mas ainda em patamar elevado | Crédito: Charles Silva Duarte Usada em 11-10-19 Usada em 27-03-20 Usada em 28-05-20

O saldo total da carteira de crédito deverá mostrar crescimento de 0,5% em fevereiro, completando o 13º mês consecutivo com desempenho positivo ou estável, revela a Pesquisa Especial de Crédito da Federação Nacional dos Bancos (Febraban), divulgada mensalmente como uma prévia da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Banco Central (BC).

Após crescimento por oito meses consecutivos, o ritmo de expansão anual deve mostrar quase estabilidade, com ligeira desaceleração, de 16,0% para 15,9%, mas ainda em um patamar bastante elevado. Isso se deve ao término de algumas medidas de fomento ao crédito para mitigar os efeitos da pandemia de Covid-19, convergindo para um ritmo de normalização em linha com o comportamento da atividade econômica.

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Os dados serão conhecidos no próximo dia 29, quando a instituição financeira fará a divulgação dos números oficiais.

“A expansão da carteira de crédito ainda deverá permanecer em um patamar bastante alto, mostrando que mesmo diante da perda de tração da atividade econômica neste início de ano, os bancos continuam irrigando a economia, concedendo crédito para as empresas e famílias”, afirma o diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, Rubens Sardenberg.

As projeções são feitas com base em dados consolidados dos principais bancos do País, que representam, dependendo da linha, de 39% a 90% do saldo total do Sistema Financeiro Nacional, além de outras variáveis macroeconômicas que impactam o mercado de crédito.

De acordo com a pesquisa, o melhor desempenho de fevereiro deverá vir da carteira pessoa física, com estimativa de crescimento de 0,8%, acelerando o ritmo de expansão em 12 meses, de 10,9% em janeiro, para 11,3%. O avanço deve ser liderado pela carteira com recursos direcionados (+0,9%), cuja principal linha, a de crédito imobiliário, segue beneficiada pelas baixas taxas de juros.

A carteira com recursos livres, por sua vez, deve crescer 0,7% em fevereiro, o maior crescimento para o mês desde 2008, sugerindo que, ao menos até o mês passado, foi relativamente baixo o impacto das novas medidas restritivas de circulação sobre o consumo das famílias.

Em relação à carteira pessoa jurídica, a pesquisa mostra uma estimativa de alta mais modesta, de 0,2% no mês, com desempenho diferente entre recursos livres e direcionados. Segundo o levantamento, a carteira livre deve crescer 0,8% em fevereiro, enquanto a carteira com recursos direcionados deve recuar 0,8%, refletindo o término dos programas públicos de crédito ligados à pandemia. Em ambos os casos, o ritmo de expansão anual deve perder velocidade, embora permaneça em patamar historicamente alto, acima dos 22%.

Caso os valores se confirmem, as expansões das carteiras seguirão em nível elevado, especialmente a carteira destinada às empresas, que se encontra em seu maior patamar desde 2009.

O bom ritmo de expansão tem contribuído de forma significativa para a retomada da atividade econômica, mas, diante de medidas como o término de programas públicos, a volta, desde janeiro, da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito e a alíquota maior da CSLL a partir de julho, somadas ao processo de normalização (alta) da Selic, iniciado na última reunião do Copom, a expectativa é de alguma desaceleração nos próximos meses, fazendo com que a expansão do crédito em 2021 seja mais contida que os 16% registrados em 2020.

Números de março terão impacto da piora da crise

A Pesquisa Especial de Crédito mostra que as concessões de crédito devem apresentar crescimento de 2,5% em fevereiro, um resultado positivo quando comparado com o desempenho no mesmo mês de anos anteriores. Normalmente, as concessões registram queda (média de -4,1% no período entre 2012 e 2020), devido ao feriado de Carnaval e do menor número de dias úteis no mês.

Assim, a sensação é que o agravamento da pandemia neste início de ano ainda afetou pouco a atividade econômica até o segundo mês. É provável que março registre um recuo maior em função da piora das condições sanitárias e o avanço da pandemia.

De acordo com o levantamento, a expansão de fevereiro deve ser puxada pelas concessões para as empresas (+8,6%), principalmente com recursos direcionados, que devem mostrar alta de 16,0%. O resultado deve refletir uma recomposição do volume de concessões após o expressivo recuo em janeiro (-73,9%), impactado pelo fim dos programas públicos de crédito e pela sazonalidade do mês anterior.

As concessões de pessoa jurídica com recursos livres, por sua vez, devem avançar 8,2%, também mostrando alguma melhora ante a forte queda de janeiro (-30,7%), mês tipicamente marcado pelo menor volume de concessões de linhas ligadas ao comércio, como descontos de duplicatas, recebíveis e antecipações.

Já as concessões destinadas às famílias devem recuar 2,1% em fevereiro. Apesar do resultado negativo, a queda é pequena, considerando o desempenho médio do mês (média de -6,6% entre 2012 a 2020), que tem sazonalidade negativa. O recuo deve ser puxado pelas concessões com recursos livres (-3,1% ante média de -6,9%), afetadas pelo baixo nível de consumo para o mês.

As concessões com recursos direcionados, por sua vez, devem avançar 4,5%, com a demanda aquecida especialmente por crédito imobiliário, devido às baixas taxas de juros. (Com informações da Febraban)

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