Desembolsos do Banco do Nordeste crescem 7,9% em Minas Gerais
O Banco do Nordeste (BNB) disponibilizou, de janeiro a março deste ano, R$ 854,7 milhões em contratos de empréstimos para Minas Gerais. O volume é 7,9% maior do que o investido no mesmo intervalo do ano passado e equivale a R$ 62,6 milhões a mais em investimentos no Estado neste ano. Em termos de volume de contratos, o aumento foi de 20%, passando de 89,2 mil no ano passado para 107,3 mil em 2026. Os microempreendedores foram os mais beneficiados, com mais de 20 mil contratos firmados, de um total de 37,9 mil.
O superintendente do Banco do Nordeste em Minas Gerais, Wesley Maciel, afirma que o resultado reflete uma consolidação estratégica, alinhada à vocação histórica do banco como agente de desenvolvimento regional. “É o reforço da identidade primária do banco, que é estar mais próximo dos mini, micro e pequenos”, afirmou.
Um dos principais vetores dessa expansão foi o programa CredAmigo, voltado sobretudo a empreendedores informais. O número de operações saltou de cerca de 13,3 mil para 20,7 mil no período, atendendo trabalhadores que ainda não possuem CNPJ, como pequenos comerciantes, prestadores de serviço e produtores informais.
De acordo com Maciel, cerca de 99% dos financiamentos do programa são direcionados a esse público, com limite de crédito de até R$ 25 mil. A estratégia inclui, ainda, uma parceria com o Sebrae para incentivar a formalização gradual desses empreendedores, permitindo que evoluam para categorias como microempreendedor individual (MEI) e, posteriormente, tenham acesso a linhas mais robustas de financiamento.
Além do microcrédito, o Banco do Nordeste também registrou crescimento nas operações voltadas a micro e pequenas empresas formais e produtores rurais de pequeno porte. Segundo dados do banco, o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) foi a principal fonte de recursos da instituição, responsável por R$ 127,6 milhões em contratos. O valor representa um acréscimo de 94% em relação ao mesmo período do ano anterior, que somou R$ 65 milhões. Além do FNE, a própria instituição foi responsável por oferecer R$ 80 milhões em crédito, capital de giro e apoio aos interessados.
Considerando os empréstimos pelo FNE, as mini e microempresas foram as maiores beneficiadas. Enquanto as minis receberam R$ 271 milhões, quase 57% a mais que no ano passado (R$ 172 milhões) no período, as micros receberam R$ 135,9 milhões no primeiro trimestre, 80% a mais que no mesmo período de 2025 (R$ 72 milhões), respondendo, respectivamente, por 40% e 21% do total do FNE, que no período foi de R$ 647 milhões.
Setor rural puxa expansão
O setor rural foi o principal destaque em termos de crescimento dos desembolsos, impulsionado por fatores climáticos e estruturais. No período de três meses, o setor recebeu R$ 251,3 milhões, alta de 53% em relação ao ano passado, seguido do setor de Comércio e Serviços, que recebeu R$ 179 milhões.
De acordo com Maciel, o bom regime de chuvas entre 2025 e 2026 estimulou a pecuária, especialmente no Norte de Minas, região tradicionalmente forte na criação de gado de corte. “A pecuária daqui é muito estruturada, com genética de qualidade e grandes confinamentos. Em anos de boa chuva, o produtor investe mais”, explicou o superintendente.
Ao lado da atividade pecuária, a agricultura irrigada vem ganhando espaço e diversificando a economia regional. Municípios como Grão Mogol, no Norte de Minas, têm atraído investidores de diferentes partes do País interessados, por exemplo, na cafeicultura irrigada. Já o perímetro irrigado de Jaíba tem registrado a introdução de novas culturas, como o cacau.
O movimento é favorecido por condições naturais da região, como alta incidência solar e disponibilidade de água subterrânea, além de custos de terra mais baixos em comparação a polos agrícolas consolidados, como o Triângulo Mineiro.
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