Finanças

Mercado de factoring enfrenta inadimplência e queda na demanda de até 15% em 2026

Aumento na inadimplência, desaceleração da atividade econômica e concorrência estão afetando as factoring em Minas Gerais
Mercado de factoring enfrenta inadimplência e queda na demanda de até 15% em 2026
Foto: Reprodução Adobe Stock

O mercado de antecipação de recebíveis, que engloba factorings e securitizadoras, atravessa um início de ano desafiador em 2026, com demanda até 15% menor. A avaliação é do presidente do Sindicato das Empresas de Factoring de Minas Gerais (Sindisfac-MG), Roberto Ribeiro, que aponta aumento da inadimplência, desaceleração da atividade econômica e crescimento da concorrência como os principais entraves do setor.

De acordo com Ribeiro, o desempenho dos primeiros cinco meses do ano ficou aquém do esperado. “A gente não viveu os últimos cinco meses como gostaríamos. Há problemas de inadimplência, falta de títulos no mercado e uma concorrência muito forte”, afirma. Segundo ele, a demanda por operações está entre 10% e 15% menor na comparação com o mesmo período de 2025.

O setor atua principalmente no atendimento a micro e pequenas empresas, oferecendo capital de giro por meio da antecipação de recebíveis. Por isso, funciona como um termômetro da atividade econômica nesses segmentos. “A gente depende diretamente do faturamento dessas empresas. Como há menos atividade econômica, elas faturam menos e isso impacta nosso volume de operações”, explica.

Entre os fatores que pressionam o mercado, o presidente do Sindisfac-MG destaca o avanço da inadimplência, inclusive entre clientes historicamente adimplentes. Além disso, há uma preocupação crescente com o aumento dos pedidos de recuperação judicial. Alguns deles, segundo ele, apresentam indícios de uso indevido do instrumento. “Temos visto casos de recuperações judiciais fraudulentas, feitas não para recuperar a empresa, mas para evitar o pagamento de dívidas”, afirma.

Outro ponto levantado é a redução na oferta de recebíveis, o chamado “papel” no mercado. Com menor faturamento das empresas, há menos ativos disponíveis para antecipação, o que limita a atuação das factorings e securitizadoras.

A forte expansão dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) voltados à antecipação de recebíveis, conhecidos como multicedente e multisacado, também é apontada como fator de impacto. O crescimento desses fundos amplia a concorrência no setor, pressionando taxas e exigindo maior eficiência das empresas.

Roberto Ribeiro
Concorrência com os FDICs também vem afetando o desempenho das factoring, segundo Ribeiro | Foto: Arquivo Pessoal / Roberto Ribeiro

Segundo Ribeiro, esse mercado dobrou de tamanho em menos de um ano, passando de cerca de R$ 40 bilhões para R$ 80 bilhões no Brasil. “Isso mostra a força e a validação desse modelo, que evoluiu muito rápido e no qual o investidor acredita por ser considerado seguro”, destaca.

Por outro lado, Ribeiro reconhece que esse movimento tende a beneficiar os tomadores de crédito, especialmente os pequenos negócios, ao ampliar o acesso a recursos e reduzir custos.

Sem “virada de chave”

Diante desse cenário, a expectativa do presidente do Sindisfac-MG é de estabilidade, sem mudanças bruscas. “Não esperamos uma virada de chave até o fim do ano. A tendência é seguir no mesmo ritmo”, afirma.

Ele pondera que o setor costuma reagir mais lentamente às mudanças macroeconômicas e políticas, com impactos mais claros apenas no médio prazo.

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