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Pressões fiscais marcam início de agosto para mercados financeiros

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Crédito: REUTERS/Amanda Perobelli

São Paulo – Os mercados financeiros no Brasil começaram agosto sob renovadas pressões fiscais, e segundo analistas esse aumento de prêmio de risco dá o pontapé inicial de um potencial recrudescimento de temores com as contas públicas até dezembro, quando ganhará corpo a discussão sobre o Orçamento 2022 e a eleição do ano que vem ficará menos distante.

Desde o fim da semana passada o sentimento voltou a cambalear com manchetes do lado fiscal. Primeiro, por rumores de que o governo estudaria deixar o Bolsa Família fora do teto de gastos. Na sequência, e de forma relacionada, por alertas sobre um forte aumento no volume de pagamentos de precatórios para 2022, que abocanharia boa parte do espaço fiscal esperado para o ano que vem.

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi explícito ao dizer que um pagamento integral dessa conta, que soma em torno de R$ 90 bilhões em 2022, atingiria as despesas do governo como um todo e não só o programa Bolsa Família, razão pela qual a União está trabalhando em proposta para flexibilizar as regras desse pagamento. Guedes reconheceu que o governo pode ter “dormido no ponto”.

O reflexo desse novo episódio de ruído fiscal ficava claro nos preços do dólar e dos juros. O dólar futuro saltou 5% entre a mínima de quinta passada e a máxima dessa terça. Nos juros, o spread entre os DIs janeiro de 2027 e janeiro de 2022 subiu de 252 pontos-base para 287 pontos-base.

“O mercado segue encontrando dificuldades para acompanhar o bom humor externo, principalmente com a volta do receio com tentativas do governo de furar o teto de gastos voltando aos holofotes neste segundo semestre – a tendência é que isso se mantenha tendo em vista que ano que vem teremos eleições presidenciais”, disse Victor Beyruti, economista da Guide.

Nesta semana, estrategistas do Morgan Stanley alertaram que a cada vez maior desaprovação do governo e a proximidade da eleição de 2022 sugerem potenciais riscos em direção a uma política fiscal menos austera.

“Isso poderia, em último caso, criar renovada pressão de alta para os juros longos, especialmente com o excesso de prêmio a termo se movendo para perto de zero”, disseram em relatório da véspera.

A Rio Bravo vai na mesma linha. “No segundo semestre ainda teremos a intensificação das discussões sobre a eleição do próximo ano. Promete ser um final de ano de muita incerteza econômica e fiscal, de elevado risco país e, consequentemente, de volatilidade no mercado”, disse a gestora em comentário.

Essa potencial fonte de mais volatilidade acaba reduzindo o otimismo decorrente de outras variáveis que influenciam os preços dos ativos.

Os economistas Carlos Pedroso e Mauricio Nakahodo, do grupo financeiro MUFG, ainda projetam que o dólar terminará este ano em R$ 5,10, mas sob risco de deterioração do noticiário fiscal, especialmente depois das recentes manchetes sobre o Bolsa Família e o susto com os precatórios.

“Isso é preocupante, porque seria de se esperar a retomada do ajuste fiscal assim que a pandemia estivesse sob controle. Além disso, sinalizaria risco de populismo no ano eleitoral de 2022 se a chapa presidencial não estiver indo bem para a reeleição”, disseram em relatório.

Contas públicas – Recentemente os dados fiscais divulgados já vieram piores. O setor público consolidado teve déficit primário de R$ 65,508 bilhões em junho, acima dos R$ 60,0 bilhões previstos em pesquisa da Reuters. A dívida bruta caiu, mas ainda ficou em 84% do PIB. (Reuters)

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