A ideia é que, mais do que um trajeto, as empresas precisam oferecer comodidade, simplicidade, sustentabilidade, afirmou André Petenussi - Crédito: Divulgação

Transportar pessoas e coisas do ponto A ao ponto B. A premissa da mobilidade permanecerá sempre a mesma, mas, a forma como isso acontece já está sofrendo significativas alterações e poderá ser muito mais transformada.

O alerta é de especialistas e representantes do setor, durante o evento “Futuros da Mobilidade”, realizado, na última semana, no Órbi, na região Nordeste da Capital.

O evento foi realizado pelo capítulo Belo Horizonte da SingularityU, com patrocínio da Localiza Hertz. Entre os palestrantes convidados estavam os representantes das empresas Uber, Buser e CargoX, que apostam no compartilhamento de carros, ônibus de viagem e caminhões de carga, respectivamente, e que são a prova de que a forma de transportar dentro e fora das cidades já não é mais a mesma.

O CTO da Localiza Hertz, André Petenussi, afirmou que vivemos uma revolução disruptiva e silenciosa, que muda tudo o que conhecemos, inclusive a mobilidade.

Ele destacou que a Localiza está atenta a essas mudanças, lembrando que a adaptação à era digital já não é mais uma escolha para as empresas que pretendem sobreviver.

“As empresas do futuro serão empresas de tecnologia com especialidade em seu segmento. Não vai adiantar ser apenas especialista no seu setor: você necessariamente terá que partir da tecnologia”, disse.

Para ele, a inovação na mobilidade passará por princípios de experiência do usuário. A ideia é que, mais do que um trajeto, as empresas precisam oferecer comodidade, simplicidade, sustentabilidade.

Além disso, ele acredita na integração de negócios no setor. Como exemplo ele cita a parceria entre Localiza e Uber, que oferece benefícios aos motoristas do aplicativo que alugam carros na locadora.

Essa ideia de integração também foi defendida pela Community Engagement Head da CargoX, Patrícia Carvalho dos Santos. Para ela, não há futuro da mobilidade se a discussão for sobre um único modal.

“No transporte de cargas, por exemplo, temos que conversar com quem traz esse material pela ferrovia ou por meio de navios. Então, só a integração de modais é que trará otimização real para a mobilidade”, disse.

A CargoX tem sede em São Paulo e sua plataforma digital conecta caminhoneiros à indústria que precisa transportar cargas. A solução traz mais inteligência ao processo de contratação desse serviço e evita que os caminhões rodem vazios na volta de seus destinos.

“Antes o motorista ficava esperando pela carga e chegava a ficar até 30 dias fora de casa. Nossa plataforma devolve a ele o controle sobre sua jornada”, disse.

Novo olhar – Para o cofundador da Buser, Marcelo Vasconcellos, a inovação na mobilidade tem a ver com lançar um novo olhar para os serviços já conhecidos. Dentro da sua área de atuação, que é o transporte rodoviário, ele cita outras empresas que surgiram antes da Buser e que tentaram inovar no segmento, como a ClickBus, que é uma plataforma de compra de passagem de ônibus.

“Essas empresas trouxeram novidades, mas não alteraram a prestação do serviço. A Buser trouxe algo completamente novo, que é o fretamento colaborativo de ônibus de viagem. É muito diferente porque estamos discutindo o monopólio do estado na prestação desse serviço de transporte”, disse.

Por meio do aplicativo da Buser, pessoas que querem fazer o mesmo trajeto – Belo Horizonte a São Paulo, por exemplo – fazem reservas para o fretamento de um ônibus particular. Dessa forma, o custo pela passagem chega a ser 60% menor que no modelo tradicional, via empresas de ônibus nas rodoviárias.

Esse mesmo olhar diferenciado para mobilidade está levando a Uber a inovar nos mais diferentes modais. A empresa surgiu com o transporte particular de pessoas por meio de carros na cidade, mas sua atuação hoje vai muito além.

Em sua apresentação, a Gerente de Operações da Uber, Silvia Penna, mostrou que a empresa já aposta no transporte de comida, em bicicletas e patins elétricos, em transporte de cargas e até em transporte aéreo. “O que a gente imagina sobre a mobilidade do futuro é: transportar pessoas e coisas em diferentes modais. E sempre de forma acessível, sustentável e socialmente escalável”, completou.