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Guterres lembrou de desastres naturais recentes e afirmou que “a natureza está respondendo com fúria” - Crédito: THE UNITED NATIONS

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, abriu ontem o Encontro de Cúpula sobre Ação Climática, em Nova York, destacando que o “tempo está a acabar, mas ainda não é tarde demais” para promover mudanças que levem à sustentabilidade.

O encontro reúne mais de 80 líderes internacionais de governos, setor privado e da sociedade civil. Para Guterres, não há mais tempo para conversas, mas sim para ação.

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Ele lembrou de desastres naturais recentes e afirmou que “a natureza está respondendo com fúria.” E citou sua visita às Bahamas, este mês, quando viu de perto os estragos do furacão Dorian. O chefe da ONU também lembrou de Moçambique, atingido por dois ciclones no início do ano.

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Jovens engajados – Ao falar da Cúpula da Juventude sobre o Clima, realizada no sábado (21), Guterres disse que “os jovens estão oferecendo soluções e cobrando prestação de contas e ação urgentes”. Ele afirmou que a sua geração “falhou com a responsabilidade de proteger o planeta” e que isso deve mudar. Segundo ele, a mudança climática é causada pelas pessoas, e as soluções devem vir delas.

O chefe da ONU citou algumas ferramentas necessárias para este combate, dizendo que existem tecnologias que podem substituir mais de 70% das emissões atuais. O mundo conta com mapas para essa ação, como a Agenda 2030 e o Acordo de Paris, disse.

Segundo os últimos dados do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, se as temperaturas subirem mais de 1.5ºC, haverá danos graves e irreversíveis. E se nada for feito, as temperaturas devem subir 3°C até ao final do século.

Novo modelo – Guterres afirmou que não será “uma testemunha silenciosa do crime de condenar o presente e destruir o direito a um futuro sustentável.” E que para evitar esse cenário é necessário cortar as emissões de dióxido de carbono em 45% até 2030 e atingir a neutralidade de carbono até 2050.

O chefe da ONU afirma que é preciso “ligar a mudança climática a um novo modelo de desenvolvimento, uma globalização justa, com menos sofrimento, mais justiça e harmonia entre as pessoas e o planeta.”

Ele também disse que “tudo tem um custo, mas o maior custo é não fazer nada.” Para ele, “o mais caro é subsidiar uma indústria de combustíveis fósseis que está morrendo e construir mais centrais de carvão.”

O secretário-geral questionou se haveria “bom senso em dar trilhões do dinheiro de contribuintes para que a indústria de combustíveis fósseis fortaleça furacões, espalhe doenças tropicais e aumente conflitos”

Segundo ele, “é tempo de mudar os impostos dos salários para o carbono, e taxar poluição, não pessoas.” Ele acredita que é possível “fazer uma transformação política e dos mercados para um mercado verde, com melhores vidas, trabalhos, saúde, segurança alimentar, igualdade e crescimento sustentável.”

Guterres finalizou seu discurso dizendo que é sua obrigação e obrigação de todo o mundo, fazer tudo o que é possível para parar a mudança climática antes que ela pare a todos. (ABr)

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