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Afroempreendedorismo e o poder das alianças, mobilizações e afetos

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Crédito: Pexels

No último sábado, dia 29 de maio, ocorreu uma ação de fortalecimento e afeto entre afroempreendedores em Belo Horizonte. O Chefe Elian Duarte [1] que comanda com suas mãos competentes o Nesganega Africando [2], um restaurante de comida afro-brasileira desta região e que está temporariamente fechado neste período pandêmico, se uniu ao Back to Black Afro Pub para juntos, promoverem uma mobilização de alavancagem do empreendimento e potencialização mercantil nesta fase de dificuldades que a pandemia agravou. O Chefe Elian Duarte se compromete com uma descolonização do paladar através de uma culinária afetiva e que resgata uma ancestralidade que merece ser compreendida e respeitada. O Back to Black Afro Pub [3], inaugurado há pouco ali na av. do Contorno,se apresenta como um dos poucos espaços da cidade prioritariamente engajados com uma visibilização da cultura negra.

A aliança que se forma entre o Chefe Elian Duarte e o Afro Pub não pode, entretanto, ser vista como algo isolado, há muitas e muitos afroempreendedores se movimentando para que seus negócios sobrevivam. Para além disso, há mais uma gama de aliados que se envolvem nestas ações para fortalecer estes estabelecimentos e estes afro-empresários; amigas e amigos que estão cientes de que é preciso abraçar o afroempreededorismo para que ele resista e siga existindo. Há muita complexidade neste tipo de ação, pois implica em estratégias que consideram afetos e afetam negócios que estão aí precisando de ajuda para sobreviver a estes tempos difíceis.

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Mas o que mais quero evidenciar aqui é que o afroempreendedorismo precisa de aliados para sobreviver e estes não devem ser somente corpos negros. A branquitude, aqui entendida como o conjunto de corpos racializados na posição social dominante, também pode colaborar. Eis aqui um convite para o fortalecimento das alianças!

A Comissão de Apoio Jurídico a Micro e Pequenas Empresas da OAB/MG[4] está atenta às alianças sociais necessárias e se interessa por todas as mobilizações que atravessem os negócios de micro e pequenas empresas, e muitos deles e delas são afroempreendedores. Para além disso, também estamos engajados com práticas impulsionadoras do Black Money e que tenham como horizonte possível o fortalecimento do afroempreendedorismo. Precisamos pensar no afrofuturo dos corpos negros que empreendem hoje no Brasil.

Por afrofuturismo [5] há que se compreender o conjunto de estratégias disruptivas que projetam para além, comportamentos, performances e estratégias atreladas à emancipação e ressignificação do corpo negro no espaço coletivo, sem se desconectar, porém, com elementos ancestrais e afromitológicos. Trata-se de um movimento multidimensional que trafega pelo campo das artes plásticas, da política, da filosofia, da mitologia africana, da história diaspórica, da ciência, dentre outros. Permitindo uma interface entre temáticas e abordagens que ressignificam o lugar social, político, artístico, científico e econômico do negro no presente e no futuro.

Embora o movimento afrofuturista, que tem seu berço nos EUA, tenha emergido na década de 1960, destacado por músicos, artistas e escritores, como Sun Ra, Grace Jones, Jimi Hendrix, Miles Davis, Octavia Butler, Basquiat, dentre outros, é a partir da década de 1990 que ganha proporções mais robustas e passa a ser nominado como o conhecemos hoje. Passando, assim, a ser considerado importante contributivo para o reposicionamento socioeconômico de afrodescendentes, abrindo caminhos para um futuro negro.

Neste cenário, faz-se fundamental estabelecer uma relação entre Afroempreendedorismo, Black Money e Movimento Afrofuturista. Não há como deixar de se observar elementos afrofuturistas nas concepções e práticas atreladas ao movimento afroempreendedor. Do mesmo modo como é possível vislumbrar traços afrofuturistas no Movimento Black Money.

À medida que os conceitos que conformam o afroempreendedorismovão se estruturando, é fácil perceber que o ato de empreender realizado por negros e negras

 comporta um movimento emancipatório, transgressor e futurista. Futurista à medida que estabelece possibilidades de uma existência mais saudável, menos opressiva e perigosa para corpos negros. O afroempreendedorismo desobstaculiza caminhos de um grupo étnico oprimido e invisibilizado. Propõe novos horizontes e expande espaços de circulação socioeconômica e política.

Em relação ao Black Money as mesmas considerações se fazem válidas. As estratégias apresentadas nas diversas vertentes deste movimento demonstram que por este caminho surgem ferramentas capazes de levar o corpo negro adiante, de permiti-lo almejar um futuro digno e satisfatório. Introduzindo num grupo étnico, cujos sonhos e projeções foram castrados há séculos, a potência de vislumbrar um amanhã, um universo de possibilidades.

Este processo de engajamento e captação de aliados é também uma dimensão do Movimento Black Money, que considera a importância premente de que o dinheiro e as riquezas também circulem entre mãos pretas. A formação de uma rede de aliados é estratégia que pode contribuir muito para a sobrevivência do afroempreendedorismo. E agora, em meio a uma pandemia que mata corpos, negócios e sonhos, é hora de estreitarmos as relações entre afroempreendedorismo e Black Money. Por isso, quando você compra de um afroempreendedor, quando você colabora para a manutenção de um Afro Pub, quando você experimenta a comida de um chefe descolonial, você está colaborando com uma rede de sustentação e fortalecimento de afetos, você está flertando com a esperança e isso é muito bom.

E por falar em flertes, parece que no próximo dia 12 de junho, Dia dos Namorados, uma outra ação do ChefeElian Duarte e Black to Back Afro Pub irá acontecer aqui em Belo Horizonte. Está aí mais uma chance de flertarmos com o afrofuturo do afroempreendedorismo. Não percamos a oportunidade!


[1]  @elian_luiz_duarte

[2]  @nesganegaafricando

[3]  @b2b.afropubbh

[4]  @comissaoapoiojuridicompe

[5]  Os próximos parágrafos deste artigo são trechos da obra O Lado Negro do Empreendedorismo – Afroempreendedorismo e Black Money, disponível nas principais livrarias do país.

Serviço

1 – Como consultar a OAB de um advogado?
Para consultar a OAB de um advogado basta ir em serviços/consulta/ inscrição no site da OAB/MG.
2- Qual o valor da anuidade da OAB MG?

3 – Quantos advogados têm em Minas Gerais?
O número de advogados de MG está em portal da transparência/quantidade de inscritos. O número hoje: 111970 advogados e 4002 estagiários

*Membro da Comissão de Apoio Jurídico a Micro e Pequenas Empresas da OAB/MG
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