Coteminas consegue aprovação judicial para reestruturar dívida de R$ 2 bilhões
A Justiça de Minas Gerais homologou nesta terça-feira (5) o plano de recuperação judicial da Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), fundada em Montes Claros, no Norte do Estado. A decisão, assinada pelo juiz Murilo Silvio de Abreu, da 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte abre caminho para que a empresa reestruture uma dívida que supera R$ 2 bilhões.
A aprovação, no entanto, veio com ressalvas. O juiz impôs condições para a venda de bens e limitou benefícios que a empresa queria estender a fiadores e garantidores. Além disso, advertiu a Coteminas sobre dívidas imediatas em atraso, incluindo R$ 490.788 em débitos aos próprios administradores judiciais que fiscalizam o processo.
O advogado do grupo Coteminas, Bernardo Bicalho, comenta que o processo de recuperação judicial está em curso desde 2024 e que a aprovação significa que as dívidas anteriores com os credores passam a ser regulamentadas pelas condições do plano. “A partir de agora o grupo Coteminas tem que cumprir as condições do plano. São aproximadamente 36 meses para a empresa sair da recuperação e continuar a vida empresarial sem estar sujeita à fiscalização judiciária”, pontua.
O impacto, segundo ele, é positivo porque credores irão receber seus créditos, após a empresa passar por uma readequação nos fluxos de pagamento. O grupo está empenhado em realmente pagar credores e superar essa fase crítica do momento empresarial.
Embora a dívida esteja estimada em mais de R$ 2 bilhões, Bicalho salienta que o valor deve ser revisado para baixo, de acordo com a realidade original do crédito. O processo é considerado natural em casos semelhantes, já que as dívidas ainda passam por revisões judiciárias e fiscais que irão analisar cada crédito individualmente, quando foi constituído, os juros aplicados, bem como o período de correção.
“A gente entende que o valor deve ser revisado para baixo. Vai sofrer uma redução a partir do pagamento aos credores, que aceitaram corte no valor, prazo de carência e parcelamento. Se o valor fosse integralmente exigível, a empresa não teria entrado em recuperação judicial, teria ido à falência”, argumenta.
Coteminas chegou a consumir 20% do algodão produzido no Brasil
Fundado em 1967, o Grupo Coteminas opera como holding de um grupo têxtil com fábricas na Paraíba, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Minas Gerais, além de operações na Argentina e nos Estados Unidos. Em plena operação, o grupo chegou a ser responsável por cerca de 20% do consumo de algodão no Brasil, além de deter marcas relevantes no segmento de cama, mesa e banho, como Artex, Santista, MMartan e Casa Moysés.
A crise que levou o grupo à recuperação judicial foi construída ao longo de mais de uma década. O primeiro baque ocorreu ainda em 2008, quando a valorização do real frente ao dólar derrubou as exportações e deixou 60% da capacidade fabril ociosa. Depois, veio a pandemia de Covid-19, em 2020, que elevou o custo das matérias-primas e consumiu o capital de giro da empresa. Com a alta dos juros nos anos seguintes, o endividamento geral do grupo saltou de 63% para 119% entre 2019 e 2023.
Linha do tempo do processo
- Maio de 2024: entrada do pedido de recuperação judicial
- Junho de 2025: primeira convocação da Assembleia Geral de Credores
- Dezembro de 2025: assembleia retomada e plano aprovado
- 5 de maio de 2026: homologação judicial do plano
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