Legislação

Creci-MG intensifica ações para combater atuação de falsos corretores em BH e Nova Lima

Força-tarefa vai orientar síndicos, porteiros e administradoras após o registro de 328 denúncias de possíveis irregularidades no primeiro semestre deste ano
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Creci-MG intensifica ações para combater atuação de falsos corretores em BH e Nova Lima
Foto: Abraão Bruck/CMBH

O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG) inicia, nesta segunda-feira (6), uma força-tarefa em condomínios de Belo Horizonte e Nova Lima para orientar síndicos, porteiros e administradoras sobre os riscos da intermediação imobiliária realizada por pessoas sem habilitação profissional. A iniciativa ocorre após o aumento das denúncias de exercício irregular da profissão.

Somente no primeiro semestre de 2026, o Creci-MG recebeu 328 denúncias de possíveis irregularidades, das quais 178 foram identificadas e 150 anônimas.

A operação terá como foco as 15 maiores administradoras de condomínios da Capital e bairros com grande volume de negociações imobiliárias, como Lourdes, Funcionários, Buritis, Belvedere, Barreiro, Castelo, Sion, Santo Agostinho, Sagrada Família e Ouro Preto, além de Vila da Serra, em Nova Lima. A expectativa é realizar cerca de 90 visitas de orientação já no primeiro dia, com continuidade das ações nas semanas seguintes.

Segundo o presidente do Creci-MG, Ricardo Mendes, o conselho identificou um aumento de casos em que porteiros, síndicos e outros profissionais utilizam informações obtidas no cotidiano dos condomínios para intermediar, de forma irregular, a compra, venda e locação de imóveis.

“O que começou com corretores procurando informações sobre imóveis disponíveis acabou levando algumas pessoas a acreditar que também poderiam atuar como intermediárias nessas negociações. Isso representa um risco muito grande para a sociedade, porque estamos falando do patrimônio de uma vida inteira e de pessoas que não possuem qualificação nem autorização legal para exercer essa atividade”, pondera.

Ricardo Mendes explica que essas pessoas não estão sujeitas à fiscalização do Creci-MG. Com isso, consumidores podem acreditar que negociam com um corretor habilitado quando, na realidade, tratam com alguém sem formação ou registro profissional.

“Começaram a aparecer denúncias de pessoas que imaginaram que estavam diante de um profissional habilitado e, na verdade, eram porteiros ou outros profissionais que se aventuravam a intermediar essas transações apenas por terem informações privilegiadas dentro do condomínio”, diz.

Fiscalização terá caráter orientativo

Segundo o presidente do Creci-MG, a operação terá, inicialmente, caráter educativo. As equipes distribuirão material informativo e esclarecerão quais atividades podem ou não ser desempenhadas por síndicos, porteiros e administradores de condomínios.

“O primeiro ato da fiscalização é orientar. Queremos explicar que essas pessoas não podem, em nenhuma hipótese, intermediar negociações imobiliárias. Também queremos conscientizar os moradores para que não incentivem esse tipo de prática”, explica.

Exercício irregular pode gerar processo criminal

Mendes ressalta que atuar como corretor de imóveis sem registro configura exercício ilegal de profissão regulamentada, caracterizando contravenção penal.

“A pessoa responde a um processo criminal. Já o corretor regularmente inscrito que facilita ou acoberta esse tipo de prática responde administrativamente perante o conselho e pode sofrer penalidades que vão desde advertência até o cancelamento definitivo da inscrição profissional”, alerta.

Redes sociais ampliam número de golpes

Além da atuação irregular em condomínios, o Creci-MG alerta para o aumento de fraudes em anúncios publicados nas redes sociais. Segundo o presidente da entidade, uma das estratégias mais comuns é oferecer imóveis por preços muito abaixo dos praticados no mercado para atrair interessados.

“Recebemos denúncias de pessoas experientes que acreditam em ofertas de aluguel ou venda muito abaixo do valor de mercado. Muitas vezes, o golpista anuncia um imóvel que normalmente custaria entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por mês por apenas R$ 1,5 mil, condicionando o negócio ao pagamento antecipado como forma de reserva”, afirma.

Para Ricardo Mendes, ofertas com descontos muito expressivos devem servir como sinal de alerta. “O mercado imobiliário não é um mercado de liquidações. Quando alguém encontra um imóvel dos sonhos por um preço muito inferior ao praticado, é bastante provável que esteja diante de um golpe”, afirma.

Como evitar golpes

Como medida de prevenção, o Creci-MG orienta os consumidores a verificar se o corretor possui registro ativo antes de fechar qualquer negociação imobiliária.

“Se houver qualquer dúvida, o cidadão deve procurar o conselho. A consulta ao registro profissional é pública e permite confirmar se está negociando com um corretor habilitado. Muitas pessoas acabam perdendo a economia de uma vida inteira por não fazer essa verificação antes de fechar negócio”, afirma Ricardo Mendes.

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