Minas Gerais leiloa concessão de ponte que vai ligar Cássia e Delfinópolis
O governo de Minas Gerais realizou, nesta terça-feira (14), na B3, em São Paulo, o leilão para a concessão da construção, operação e manutenção de uma ponte sobre o reservatório da Usina Hidrelétrica de Mascarenhas de Moraes, no Sul de Minas. A estrutura vai conectar os municípios de Cássia e Delfinópolis, encerrando décadas de dependência de travessia por balsas.
O certame foi vencido pelo Consórcio Ponte Delfinópolis, formado por duas empresas mineiras, a Vereda Engenharia e a Trena Construtora. O consórcio ofereceu o maior desconto sobre a contraprestação mensal máxima paga pelo Estado, R$ 851 mil mensais, com deságio de 15,10%.
O governador Mateus Simões destacou o significado da iniciativa. “Essa PPP representa mais do que o fechamento de um ciclo. É o início de um novo modelo de investimento em infraestrutura no Estado, abrindo um corredor de escoamento, impulsionando o turismo e gerando oportunidades para toda a região”.
Para o diretor-presidente da Vereda Engenharia, Maurício Neto, integrante do consórcio vencedor, a disputa foi bastante acirrada. “Não esperávamos ser tão competitivos. Mas, como bons mineiros e querendo trabalhar pelo nosso Estado, fizemos um esforço para ganhar a concessão e poder realizar uma obra muito importante para todos nós, para nossa empresa e para o Estado de Minas Gerais”, disse o empresário, que revelou quais serão os próximos passos após obter a concessão da ponte, com duração de 30 anos.
“Temos um período de 12 meses para as desapropriações, que são poucas, já que a estrada é existente, e para a aprovação dos projetos, não só pelo Estado, mas também em Brasília, pela Aneel. Isso demanda tempo”, comentou Neto.
Benefícios para a região
Com 1.280 metros de extensão, a ponte vai beneficiar cerca de 780 veículos por dia e deve transformar radicalmente a mobilidade local. O trajeto, que hoje leva em torno de 30 minutos de balsa sem contar as longas filas comuns nos períodos de temporada, passará a ser feito em aproximadamente dois minutos. O contrato prevê investimentos estimados em R$ 221,4 milhões.
O impacto vai além dos dois municípios diretamente conectados: a expectativa é que mais de 300 mil pessoas em cerca de 50 cidades mineiras sejam beneficiadas pela melhoria na logística e na conectividade regional. A limitação atual prejudica o acesso a serviços essenciais, como saúde e educação, além de restringir o potencial agrícola e turístico da área.
“Essa ponte vai mudar, de fato, a vida das pessoas. Estamos promovendo a conexão de toda a região com desenvolvimento econômico e novas oportunidades”, afirmou o secretário adjunto da Seinfra, Pedro Calixto.
Após a assinatura do contrato, a concessionária terá 12 meses para elaborar o projeto executivo. A entrega da ponte à população está prevista para até 2030.
Contexto histórico
A travessia por balsas no Lago de Mascarenhas de Moraes foi adotada como solução emergencial durante a formação do reservatório, entre as décadas de 1950 e 1960. Com o tempo, o serviço passou a operar sem padronização, frequentemente com embarcações obsoletas, consolidando a necessidade de uma solução permanente para a mobilidade da região.
“Existe um represamento da economia local por falta de acesso adequado. Grande parte do escoamento agrícola, o trânsito de ambulâncias e o deslocamento em geral se fazem por balsas desde a construção da barragem. Por isso, acreditamos que a obra possa desenvolver a região, inclusive o turismo: o município de Grão Mogol tem 157 cachoeiras catalogadas, podendo atrair um novo contingente de pessoas”, disse o diretor-presidente da Vereda Engenharia, Maurício Neto. A empresa conduzirá a obra ao lado da Trena Construtora
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