Movimento Minas 2032

Expo Favela: Comunidades transformam talento em negócios

Neste anos, a Expo Favela Minas 2026 ampliou ações de inclusão, acessibilidade e formação continuada
Expo Favela: Comunidades transformam talento em negócios
A Expo Favela é um espaço onde a favela mostra sua potência para o mundo, gerando renda, inovação e oportunidades para transformar territórios, afirma Marciele Delduque | Foto: Diário do Comércio / Giulia Simmons

Começou na sexta-feira, dia 29, em Belo Horizonte, a Expo Favela Minas 2026, considerada uma das maiores iniciativas de empreendedorismo, inovação, cultura e impacto social voltadas às periferias brasileiras. Promovido pela Central Única das Favelas em Minas Gerais (Cufa Minas), o evento amplia nesta edição as ações de inclusão, acessibilidade e formação continuada, reforçando seu papel como plataforma de desenvolvimento econômico e social.

Já consolidada na agenda econômica mineira, a feira deve receber mais de 8 mil visitantes e movimentar cerca de R$ 6 milhões em negócios e conexões comerciais ao longo dos dois dias de programação. Empreendedores, investidores, lideranças comunitárias, artistas, comunicadores e instituições parceiras participam de uma agenda voltada à criação de oportunidades e à aproximação entre os territórios periféricos e o mercado.

Para a presidente da Cufa Minas, Marciele Delduque, a Expo Favela evidencia a capacidade de inovação e geração de riqueza presente nas comunidades, destacando o protagonismo de empreendedores negros, mulheres e outros grupos historicamente sub-representados na economia formal.

“A Expo Favela é um espaço onde a favela mostra sua potência para o mundo. Estamos falando de pessoas que empreendem todos os dias, movimentam a economia, geram renda, criam soluções e transformam seus territórios por meio da criatividade e da inovação”, destaca.

Além de impulsionar negócios e ampliar oportunidades de mercado, a Expo Favela Minas 2026 reforça seu compromisso com o desenvolvimento sustentável das periferias. A iniciativa reúne ações voltadas à inclusão produtiva, à diversidade, à inovação e ao fortalecimento dos territórios, em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Entre as metas contempladas estão a erradicação da pobreza, a igualdade de gênero, o trabalho decente, a redução das desigualdades, o desenvolvimento de cidades sustentáveis e o fortalecimento de parcerias para o desenvolvimento.

Marciele Delduque destaca que o protagonismo feminino é uma das marcas desta edição da Expo Favela Minas. Dos 60 empreendimentos selecionados para participar da feira, cerca de 80% são liderados por mulheres, refletindo o avanço da presença feminina na economia popular e no empreendedorismo das periferias. O percentual acompanha uma tendência observada em todo o País, com o crescimento contínuo do número de mulheres à frente de pequenos negócios e iniciativas de impacto social.

Os números do empreendedorismo feminino observados na Expo Favela refletem uma tendência nacional. Segundo o Sebrae, mais de 2 milhões de pequenos negócios liderados por mulheres foram abertos no Brasil em 2025, o equivalente a cerca de 42% das novas empresas criadas no período.

Motor de desenvolvimento

O protagonismo negro também está no centro da proposta do evento. Dados do Sebrae Minas, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que pessoas negras representam 52% dos empreendedores brasileiros, somando mais de 15 milhões de donos de negócios no País. O cenário reforça a relevância do empreendedorismo negro como instrumento de geração de renda, autonomia financeira e transformação social.

A edição de 2026 avança ainda na promoção da inclusão e da acessibilidade. Entre as novidades está a estreia da Batalha dos Surdos, iniciativa que amplia a participação da comunidade surda e valoriza diferentes formas de expressão artística ligadas à economia criativa. A feira também foi estruturada para garantir acessibilidade às pessoas com deficiência, estimulando a participação de públicos diversos.

Para Daniel Delduque, participante da Batalha dos Surdos, iniciativas como essa ampliam oportunidades e fortalecem a economia criativa. “Quando a Expo Favela abre espaço para a Batalha dos Surdos, ela amplia não apenas a inclusão, mas também o entendimento de que a economia criativa nasce da diversidade, da identidade e das diferentes formas de expressão. A cultura periférica é plural, potente e acessível. Valorizar artistas surdos nesse ambiente é reconhecer talentos, gerar oportunidades e fortalecer uma economia mais humana, representativa e transformadora.” Leia mais sobre a Expo Favela Minas no portal do Diário do Comércio.

Conexões que geram oportunidades além da feira

Além da rodada de negócios, a Expo Favela Minas reúne painéis temáticos, apresentações culturais, música ao vivo, experiências imersivas e espaços dedicados à literatura, ao esporte, à comunicação e à inovação. Entre os destaques da programação estão a Favela Literária, o Favela Cast, a Arena Esporte, a Cozinha Show e o Prêmio Trancista Referência, que reconhece profissionais que transformam a arte das tranças em instrumento de geração de renda, identidade cultural e fortalecimento da autoestima de mulheres negras.

Entre elas está Pablina Veloso, trancista, diretora do Ateliê do Sol e vencedora do Prêmio Trancista Referência na Expo Favela 2023. Participante do evento desde a primeira edição e integrante do Movimento Minas 2032, iniciativa do Diário do Comércio, a empreendedora lança nesta edição o projeto Trançando Oportunidades, voltado à formação e ao desenvolvimento de mulheres das periferias.

Para Pablina Veloso, a Expo Favela vai além dos dois dias de programação ao criar conexões capazes de gerar resultados duradouros para os participantes. “A cada ano meu negócio prospera mais e consigo aplicar o que aprendo na Expo. Também colho frutos dos relacionamentos construídos ao longo dessa trajetória. Minha empresa já cresceu 30% desde que comecei a participar do evento. Acredito na aprendizagem que transforma porque vivi isso na minha própria história. Hoje uso o negócio das tranças para fortalecer a autoestima e criar autonomia financeira para as mulheres da periferia.”

Outro diferencial da edição de 2026 é a ampliação do suporte aos empreendedores selecionados. Além da participação na feira, eles passam a integrar a Escola de Negócios da Favela, da Cufa Minas, com acesso a mentorias, acompanhamento técnico e capacitações antes, durante e após o evento. O trabalho segue ao longo do ano e culmina na preparação para a edição de 2027.
O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, destaca que a parceria com a Cufa Minas, mantida desde a primeira edição da Expo Favela, tem contribuído para ampliar a visibilidade dos pequenos negócios e aproximá-los de investidores e oportunidades de mercado.

“Esse evento é estratégico para dar visibilidade aos pequenos negócios, além de promover encontros com investidores que possam fortalecer os empreendimentos, gerar negócios, estimular o desenvolvimento econômico das comunidades e a geração de renda”, afirma. Silva ressalta ainda que o programa Comunidade Empreendedora, desenvolvido pelo Sebrae Minas junto a empreendedores das periferias, passa a integrar a programação da feira nesta edição.

Games transformam experiências em oportunidades

O Sebrae Minas, parceiro da Expo Favela desde a primeira edição, promove neste ano o Desafio Comunidade Empreendedora. A iniciativa reúne participantes na criação de games inspirados no cotidiano das periferias, transformando experiências dos territórios em soluções digitais voltadas ao empreendedorismo, à inovação e ao impacto social.

Oito duplas foram selecionadas para a imersão, que começou na sexta-feira (29) e termina neste sábado (30). Utilizando a plataforma FazGame, os participantes desenvolvem jogos baseados em histórias, desafios e oportunidades presentes nas comunidades, conectando criatividade, tecnologia e desenvolvimento local.

Para a analista do Sebrae Minas, Michelle Noronha, o desafio evidencia o potencial inovador existente nas periferias e amplia o acesso dos participantes a ferramentas digitais e novas possibilidades de atuação profissional.

“O desafio aproxima tecnologia e empreendedorismo de uma linguagem acessível e conectada à realidade das periferias. Quando os participantes transformam experiências do território em soluções criativas, eles também desenvolvem visão de futuro, repertório digital e capacidade de inovação”, afirma.

A iniciativa integra a estratégia do Sebrae Minas de estimular a cultura empreendedora nas comunidades e reforça o papel da Expo Favela como espaço de formação, conexão e geração de oportunidades para os negócios das periferias.

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