Movimento Minas 2032

Expo Favela evidencia força da inclusão no desenvolvimento

Iniciativa aproxima empreendedores das periferias de investidores, empresas e redes de capacitação, ampliando oportunidades econômicas
Expo Favela evidencia força da inclusão no desenvolvimento
Foto: Diário do Comércio / Giulia Simmons

A Expo Favela Minas 2026 é a prova de que as comunidades estão longe de ser apenas espaços marcados por desafios sociais. São territórios de criatividade, inovação, empreendedorismo e geração de riqueza.

Mais do que uma feira de negócios, o evento representa uma visão contemporânea de desenvolvimento, alinhada à Agenda 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ao fortalecer o empreendedorismo negro, feminino, jovem e periférico, a iniciativa contribui para a redução das desigualdades, amplia oportunidades de renda e impulsiona a inclusão produtiva.

Em Minas Gerais, esse movimento tem importância ainda maior. O Estado reúne tradição empreendedora, capacidade de inovação e uma economia cada vez mais conectada à chamada Nova Economia. Inserir as periferias nesse processo significa ampliar mercados, fortalecer cadeias produtivas e criar oportunidades em setores que demandam diversidade, criatividade e novas soluções.

Os números ajudam a explicar essa transformação. Pessoas negras já representam mais da metade dos empreendedores brasileiros. As mulheres, por sua vez, lideram uma parcela crescente dos pequenos negócios no País. Quando eventos como a Expo Favela aproximam esses empreendedores de investidores, empresas, instituições e redes de capacitação, os resultados ultrapassam o campo social e alcançam a economia de forma concreta.

Os próprios ODS presentes na programação dialogam diretamente com desafios enfrentados pelo setor produtivo. Trabalho decente, crescimento econômico, igualdade de gênero, inovação, redução das desigualdades e construção de parcerias são temas que hoje fazem parte da agenda de competitividade das empresas. Sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental. Tornou-se estratégia de desenvolvimento.

A diversidade também aparece como um ativo econômico. A estreia da Batalha dos Surdos, o protagonismo feminino, a valorização da cultura periférica e os espaços dedicados à literatura, à gastronomia, à comunicação e ao esporte mostram que inovação nasce da pluralidade de experiências, identidades e territórios.

Nesse contexto, a economia criativa ganha destaque. A favela produz cultura, estética, linguagem, tendências e soluções diariamente. É um ambiente fértil para novos negócios, produtos e modelos de atuação. Ignorar esse potencial significa abrir mão de oportunidades. Investir nele é apostar em competitividade e crescimento.

A Expo Favela Minas também demonstra maturidade ao compreender que o desenvolvimento empreendedor não pode se limitar aos dias de realização da feira. A continuidade proporcionada pela Escola de Negócios da Favela amplia o alcance da iniciativa e fortalece sua capacidade de gerar resultados duradouros. Mentorias, capacitações e acompanhamento técnico são instrumentos essenciais para transformar potencial em crescimento sustentável.

O mercado começa a compreender que inclusão é inteligência econômica. Diversidade estimula inovação. Representatividade amplia mercados. Oportunidades fortalecem territórios. E desenvolvimento sustentável depende da participação de todos.

O Diário do Comércio, por meio do Movimento Minas 2032, apoia a Expo Favela Minas desde sua criação. Também acompanho o evento desde as primeiras edições e essa experiência reforçou uma convicção: o futuro dos negócios passa pela capacidade de conectar mercado, inovação e transformação humana. É nessa convergência que surgem as soluções mais relevantes para os desafios econômicos e sociais do nosso tempo.

Leia a reportagem: Comunidades transformam talento em negócios

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