Murad: outra novidade é o lançamento de um e-book | Crédito: Divulgação

A nova diretoria da Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev) toma posse em meio à maior crise da história do segmento.

Impactados seriamente pela crise econômica causada pelo novo coronavírus, viagens e eventos corporativos foram praticamente a zero nos últimos três meses.
Em um esforço de entender os acontecimentos e demandas da cadeia produtiva, além de promover o diálogo constante, a associação está lançando o “Velocímetro Alagev”. A ferramenta é uma plataforma colaborativa em que gestores de eventos e viagens corporativas lançarão os dados dos negócios realizados.

De acordo com o diretor-executivo da Alagev, Eduardo Murad, uma segunda novidade é o lançamento de um e-book voltado para os gestores de viagem com dicas para a gestão durante a pandemia.

“Nesse momento de crise aguda, e na retomada, os gestores de viagens e os gestores de eventos se tornam ainda mais importantes para a cadeia produtiva. Se olharmos as curvas da retomada pelo mundo veremos que os eventos vêm por último, mas por que precisa ser assim se existem protocolos para fazer essa volta? Existe uma necessidade de acompanharmos a retomada e, por isso, estamos lançando essas ferramentas. É importante que tenhamos dados e que troquemos experiências sobre eles”, explica Murad.

A pandemia do Covid-19 apanhou o segmento em um momento positivo. A Pesquisa Conjuntural de Viagens Corporativas (PCVC), realizada pela Alagev, em parceria com a professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo, Mariana Aldrigui, revelou um crescimento de 4% do setor em 2019 em relação ao ano anterior.

O faturamento foi de R$ 75,9 bilhões. 2019 foi o terceiro ano consecutivo de aumento no faturamento.

A paralisação dos eventos presenciais jogou luz sobre as soluções virtuais. É certo que elas já existiam, mas não eram usadas em escala. Para a nova presidente da Alagev, Roberta Moreno, de uma hora para outras empresas que não tinham feito a transição digital foram obrigadas a recorrer às plataformas digitais para continuar se comunicando e interagindo com clientes, fornecedores e outros públicos com o objetivo de manter os negócios e, em alguns casos, até conquistar novas oportunidades.

“Se não estávamos preparados para os eventos 100% on-line, agora estamos. Vemos os fornecedores se reinventado e trazendo coisas muito bacanas. Apesar do presencial ser essencial, estamos nos transformando e agora é uma fase de aprendizado”, afirma Roberta Moreno.

Segundo a nova vice-presidente da Alagev, Larissa Licatti, eventos híbridos – realizados em parte virtual e em parte presencial – são uma novidade desses novos tempos.

“Os eventos virtuais vão perdurar por um tempo e depois uma parte vai migrar para o híbrido. As pessoas ainda terão receio de grandes eventos, e os híbridos podem trazer mais pessoas que não poderiam viajar mesmo em tempos normais. Mas o físico não vai deixar de existir, vai retornar porque a convivência é muito valiosa. Os híbridos vão entrar para agregar”, pontuou Larissa Licatti.

Estudos sobre o turismo de lazer revelam que, em um futuro próximo, logo após o fim da fase mais aguda da crise, os viajantes vão preferir os destinos secundários, em cidades com menor pressão turística e que tiveram um índice menor de contaminação pelo novo coronavírus.

Sobre o turismo de negócios essa tendência ainda não se mostrou com tanta força, mas também não é descartada pelos especialistas.

“Estudos mostram que as cidades secundárias como Campinas (SP) e Uberlândia (Triângulo Mineiro), por exemplo, vinham subindo na preferência dos gestores de eventos e viagens corporativas. E esse é um movimento que não acontece só no Brasil, é verificado no mundo inteiro. Não é uma certeza, mas será muito interessante acompanhar o resultado desses destinos. Eles podem surpreender”, avalia o diretor-financeiro da Alagev, Gustavo Elbaum.