Cacau Dourado: irmãs mineiras apostam em chocolate saudável e miram exportações
Em plena era dos produtos “sabor” chocolate, uma indústria mineira aposta não só na integridade dos seus produtos, como no valor da saudabilidade para conquistar os paladares mais exigentes no Brasil e no mundo. Sediada na região Oeste de Belo Horizonte, a Cacau Dourado é a concretização do sonho de três irmãs encantadas pelo cacau produzido por um único cacaueiro no quintal da infância, na cidade de Dionísio, no Vale do Rio Doce.
Maísa, Mariza e Marcília Araújo comandam a Cacau Dourado há sete anos, apostando em produtos low carb (baixo teor de carboidratos, priorizando gorduras boas, proteínas e vegetais, sem adição de açúcar). Ao mesmo tempo, elas estão engajadas no movimento bean-to-bar (do grão à barra), que valoriza a origem, a qualidade e a rastreabilidade do produto.
“Quando crianças e com condições financeiras ruins, nós queríamos transformar o cacau do quintal em chocolate, mas, claro, não dava certo. Muito tempo depois, morando em Goiânia (GO), a Maísa foi visitar nossos pais e voltou para casa com alguns quilos de cacau, determinada a fazer chocolate. Não ficou como ela queria e ela resolveu estudar. De volta a BH, convenceu as irmãs de que aquilo poderia ser um bom negócio e assim surgiu a Cacau Dourado”, relembra Marcília Araújo.
A sociedade foi fortemente impactada pela pandemia, em 2020, com o fechamento dos pontos de venda, o que levou as irmãs para o comércio virtual. Logo depois, a participação na feira BH Saudável abriu novas portas. A produção da Cacau Dourado hoje é de 100 quilos por mês, feitos pelas irmãs e mais uma funcionária.
“A gente fazia produtos diferentes e conseguimos nos manter no mercado. Para a BH Saudável precisávamos de um produto com zero adição de açúcar. Fizemos um chocolate com 78% de cacau, tivemos bom feedback e entendemos a saudabilidade como o nosso grande valor, com ingredientes de verdade. Hoje temos orgulho de atender especialmente o público diabético, que, muitas vezes, é enganado por rótulos mal feitos pela grande indústria”, observa.

E assim, as irmãs vão aumentando a sua participação no poderoso mercado brasileiro de chocolates. Conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoins e Balas (Abicab) e da empresa de inteligência de mercado Mordor Intelligence, a indústria brasileira teve produção de cerca de 814 mil toneladas e movimentou aproximadamente R$ 10 bilhões em 2025.
O olhar das irmãs, porém, não se limita ao Brasil. “Participamos da feira La Chocolaterie, na Argentina, em junho, para começar a entender como é o processo de exportação. No Brasil, ainda não existe uma valorização de produtos como os nossos; as pessoas ainda os acham caros, apesar de ser um nicho que cresce. A exportação pode ser um caminho para acelerarmos a expansão. A ideia é começar pelos nossos vizinhos”, pontua a empresária.
A La Chocolaterie é a principal e maior feira do setor de chocolate e cacau da Argentina. O evento reúne mais de 120 expositores internacionais, oferecendo degustações, palestras e masterclasses com chocolatiers e confeiteiros renomados.
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