O prédio que abrigava o Othon Palace tem quase 300 apartamentos | Crédito: Luciana Montes

Dezoito meses depois de encerradas as atividades, o prédio do antigo Belo Horizonte Othon Palace está à venda. O imóvel, que é considerado um cartão-postal da Capital, tem quase 300 apartamentos e, na época do fechamento, tinha cerca de 150 colaboradores.

De acordo com o gerente-geral de Operações Corporativas da Rede Othon, Jorge Chaves, a expectativa é fechar o negócio entre 45 e 60 dias. “A decisão de vender o ativo foi muito planejada, já fazia parte do plano de recuperação da empresa. Cumprimos todo o rito do plano de recuperação judicial e a venda segue todas as exigências da Justiça”, explica Chaves.

Nem mesmo a crise causada pela pandemia do Covid-19 desanima o executivo. Segundo ele, desde o fechamento a empresa vem recebendo potenciais compradores. Alguns, inclusive, já visitaram o imóvel. O valor do imóvel não foi divulgado.

“Apesar da pandemia, que está afetando o País, mantivemos o cronograma previsto. Será uma venda direta, intermediada pela consultoria SinchroPartners. O comprador poderá utilizar o imóvel de diferentes formas e a única restrição é a fachada, que é tombada pelo patrimônio do município. O prédio recebeu manutenção durante todo esse tempo. Mantivemos boa parte do mobiliário e será uma venda de ‘porteira fechada’. Não é nosso interesse fazer uma venda fracionada”, pontua o gerente-geral de Operações Corporativas da Rede Othon.

Consultores de mercado avaliam que o negócio deve girar entre R$ 45 milhões e R$ 50 milhões, considerando-se a localização e a área construída. Segundo o consultor estratégico em hotelaria na MVS Consultoria, Maarten Van Sluys, a venda só confirma, mais uma vez, a retirada da rede do mercado mineiro e pouco deve significar para a cadeia produtiva do turismo da Capital. A perspectiva é de que, ainda que surja um comprador, dificilmente ele será um empresário mineiro.

“Dificilmente o imóvel será adquirido por outra rede de hotéis. Ele é muito grande para os padrões atuais, principalmente considerando que o turismo passará por, pelo menos, dois anos de muitas dificuldades. Belo Horizonte, para piorar, já vinha de uma fase muito difícil com uma crise de superoferta desde 2014. Estávamos no início de uma recuperação, mas as chuvas do início do ano atrapalharam o Carnaval e agora essa pandemia vai atrasar ainda mais esse processo”, analisa Van Sluys.