Solução para a crise atual está na união, diz Linkevieius | Crédito: Genilton Elias_www.fotografico.com

Já está disponível no site www.covidradar.org.br o guia de recomendações “Enfrentando a Pandemia com Responsabilidade Social: Guia para Empresas”.

O lançamento virtual, realizado pelo Instituto Ethos e pela Rede Brasil do Pacto Global, em parceria com Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e Transparência Internacional, com a participação da Alliance for Integrity e apoio técnico da Covid Radar, destacou o papel da publicação em apoiar e orientar as empresas em como responder aos desafios, superar o momento e pensar no processo de retomada responsável e sustentável.

Compõem a obra temas como: direitos humanos; transparência, com destaque para as compras e contratações emergenciais; e fortalecimento de mecanismos anticorrupção e pró-integridade, sob a ótica da responsabilidade social, inclusive com algumas especificidades para as pequenas e médias empresas.

De acordo com o presidente do Instituto Ethos, Caio Magri, o guia foi feito em tempo recorde, porém, de maneira extremamente participativa e científica. “Esse trabalho foi feito com base em pesquisas e referências e é um guia em permanente atualização, assim como será a nossa vida no pós-Covid-19.

A crise econômica que já vivíamos foi afetada ainda mais pela pandemia. Vivemos uma crise sanitária gravíssima e temos clareza da responsabilidade dos governantes em mortes evitáveis. A crise política ameaça a democracia no Brasil. Não estamos conseguindo encontrar uma solução conjunta e na perspectiva de uma melhor qualidade de vida para todos. Diante de tudo isso, cresce a importância de mantermos o compromisso com a ética e a transparência. Podemos fazer melhor e há responsabilidade nisso”, analisa Magri.

Segundo o diretor-executivo da rede Brasil para o Pacto Global, Carlo Linkevieius, a solução para a sociedade e, em especial, para as empresas enfrentarem a crise, está na união e na percepção de que apenas uma gestão ética e responsável pode nos colocar em condições de chegar ao pós-pandemia minimamente preparados.

“Um só ator não consegue mudar a realidade das regiões e países. É preciso ter parceria entre setor público, empresas e sociedade civil. Só na América Latina são 15 milhões de pessoas empurradas pela crise para a extrema pobreza, fora as que já estavam nessa situação. É importante a união para uma retomada efetiva e que tire daí oportunidades.

Na Europa está se falando em retomada verde. Na América podemos somar as palavras ‘inclusiva’ e ‘íntegra’. Temos de US$ 10 trilhões a US$ 15 trilhões em pacotes sendo injetados na economia global. Boa parte deles está atrelada a itens de sustentabilidade. Vários países se comprometendo com isso. É uma bela oportunidade de perseguir a retomada nesses termos. O guia não serve só para agora, na retomada, mas fica para outras crises que virão”, destaca Linkevieius.

Para a ponto focal Brasil e Chile Alliance for Integrity, Natalie Gomes de Assis, a iniciativa privada tem papel fundamental na reconstrução da economia não como ela era, mas com um caráter muito mais propositivo e responsável.

“A cooperação é uma excelente ferramenta. O setor privado, apesar de impactado fortemente, tem, ainda, um papel fundamental no enfrentamento desse momento que estamos vivendo. As empresas devem servir como referencial de compliance e governança e também como estímulo ao compliance na sua cadeia de valor. A tendência é focar na sobrevivência, deixando de lado temas relevantes para a sustentabilidade dos próprios negócios. Temos que reconhecer esse cenário de poucos recursos para evitar que a situação se deteriore. Devemos entender o quão essencial é a presença das empresas com estruturas de compliance mais robustas para saúde do sistema”, pontua Natalie de Assis.