Negócios

Cooperativismo movimenta R$ 184 bilhões e amplia participação na economia mineira

Resultado verificado em 2025 foi 16,6% superior ao exercício anterior; atividade foi responsável por 1/6 do Produto Interno Bruto em Minas Gerais
Cooperativismo movimenta R$ 184 bilhões e amplia participação na economia mineira
Ao todo, Minas Gerais conta com 788 cooperativas distribuídas em oito ramos de atividade, entre eles, o agropecuário | Foto: Cristiano Machado / Imprensa MG

Responsáveis por 1/6 do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, as cooperativas mantiveram o ritmo de crescimento em 2025 e apresentaram uma taxa de expansão 12 vezes maior que a registrada no PIB estadual. O cooperativismo demonstrou resiliência e movimentou R$ 184 bilhões, valor que ficou 16,6% superior ao registrado em 2024. Conforme os dados do Anuário do Cooperativismo Mineiro 2026, o resultado foi puxado, principalmente, pelos ramos de crédito, agropecuário e saúde, cujas movimentações financeiras cresceram dois dígitos no ano passado.

A publicação do Sistema Ocemg mostrou ainda que, em cinco anos, as cooperativas mineiras praticamente dobraram a movimentação econômica, saindo de R$ 93,5 bilhões, em 2021, para R$ 184 bilhões em 2025, um avanço de 97%.

Além da forte movimentação financeira, o cooperativismo mineiro segue também como um grande gerador de postos de trabalho, com um crescimento de 4,6% no quadro funcional e ultrapassando, em 2025, a marca de 64,1 mil pessoas empregadas. No ano passado, o segmento registrou também um crescimento de 13% no número de cooperados em Minas, totalizando 4,2 milhões de cooperados.

Ao todo, Minas Gerais conta com 788 cooperativas distribuídas em oito ramos de atividade, incluindo crédito, agropecuário, saúde, transportes, infraestrutura, consumo, seguros e trabalho, produção de bens e serviços.

Resiliência diante dos desafios econômicos

Conforme o presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, as cooperativas estão presentes em praticamente todos os setores da economia e mantêm uma forte conexão com atividades estratégicas para o Estado, como agropecuária, crédito e saúde. Por serem entidades comprometidas com a sustentabilidade dos negócios e atenderem aos cooperados com seriedade, as cooperativas também são mais resilientes frente aos desafios do mercado.

“Enquanto muitos segmentos sofreram os efeitos dos juros elevados, das oscilações climáticas e da instabilidade econômica, as cooperativas mantiveram seu ritmo de crescimento por serem instituições comprometidas com a sustentabilidade dos negócios, a inovação e a solidez dos investimentos”, observa.

Scucato destaca ainda que o modelo cooperativista reúne escala econômica e compromisso de longo prazo. “Quando uma cooperativa de crédito financia pequenos e médios produtores, ou quando uma cooperativa agropecuária oferece assistência técnica, armazenagem e acesso a mercados, ela conquista a lealdade do cooperado, estabelecendo com ele uma relação de confiança sólida e duradoura, e ainda ajuda a fortalecer a economia da comunidade onde atua. Esse efeito multiplicador contribui para um crescimento mais consistente e sustentável”, diz.

Crédito, agro e saúde lideram resultados

Durante o ano passado, apesar dos desafios enfrentados – como instabilidades econômicas, juros elevados e clima desafiador – os ramos de crédito, agropecuário e saúde se destacaram e responderam por grande parte dos resultados do cooperativismo mineiro.

As cooperativas de crédito movimentaram R$ 93,4 bilhões em 2025, registrando, assim, uma alta de 12,3% frente a 2024. O setor é um dos mais importantes do Estado devido à capilaridade e por levar crédito e serviços às cidades onde as entidades bancárias não atuam de forma física.

Ronaldo Scucato
Foto: Divulgação Sistema Ocemg

As cooperativas de crédito estão presentes em 720 cidades ou 84,4% dos municípios mineiros e são a única instituição com presença física em 84 deles. A movimentação financeira do setor passou de R$ 43,1 bilhões em 2021 para R$ 93,4 bilhões em 2025, crescimento de 116,9%.

“O ramo de crédito manteve destaque na movimentação econômica. As cooperativas financeiras movimentaram R$ 93,4 bilhões em 2025, valor que representa cerca da metade de toda a movimentação econômica do cooperativismo no Estado. O segmento ampliou operações de crédito, fortaleceu o financiamento ao produtor rural e expandiu sua presença pelo interior do Estado, chegando a 84 municípios onde é a única instituição financeira presente”, destaca.

Maior ramo em número de cooperativas, com 196, o setor agropecuário movimentou R$ 66,8 bilhões em 2025, alta de 26,7% ou R$ 14,1 bilhões a mais movimentados em um ano. Com o resultado, o ramo respondeu por 33,6% de todo o crescimento econômico do cooperativismo mineiro no período. As cooperativas agropecuárias contam com 228,8 mil cooperados, geram 21,3 mil empregos diretos e respondem por 26,5% do PIB do agronegócio mineiro.

“Os bons resultados do cooperativismo mineiro no campo foram impulsionados, especialmente, pela força de cadeias como café e leite. Hoje, quase dois terços do café produzido em Minas passam por cooperativas”, explica Scucato.

O presidente da Ocemg também destacou o bom resultado das cooperativas de saúde. O ramo registrou R$ 18,4 bilhões em movimentação econômica em 2025, alta de 11,1% sobre o ano anterior. No Estado, as 119 cooperativas de saúde contam com 56,1 mil cooperados e geram 17,9 mil empregos diretos.

“Em apenas um ano, 129 mil mineiros passaram a ter acesso a serviços de saúde, por meio das cooperativas. Hoje, são 3,9 milhões de pessoas atendidas em todo o Estado. O segmento também ampliou sua capacidade assistencial, com 100,7 milhões de procedimentos realizados em um ano, entre exames e atendimentos. Isso equivale a cerca de 227 mil exames e 49 mil consultas por dia”, ressalta Scucato.

Em 2026, cooperativas continuarão a crescer

Conforme o presidente da Ocemg, as cooperativas devem seguir com bons resultados em 2026, apesar dos desafios da economia global. Scucato explica que a economia, no Brasil e no mundo, está sendo afetada pelo clima de instabilidade que impera na geopolítica global. Assim, 2026 está sendo marcado por conflitos armados, pela alta do preço do petróleo, por juros elevados, pela sobretaxação de commodities e pela intensidade dos impactos das mudanças climáticas.

“Por isso, a expectativa é de uma economia com crescimento moderado, juros ainda elevados e um ambiente que exige eficiência e capacidade de adaptação das organizações. Na contramão do mercado, o cooperativismo continuará a crescer. Nosso modelo de negócios foi inclusive reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) por sua capacidade de continuar a crescer em tempos de crise, logo após a crise financeira global de 2008”, destaca.

Prova da resiliência, segundo Scucato, é que entre entre 2021 e 2025, a movimentação econômica das cooperativas mineiras praticamente dobrou, passando de R$ 93,5 bilhões para R$ 184 bilhões, um avanço de 97%.

“Nos próximos anos, o cooperativismo deve crescer ainda mais em Minas Gerais e em todo o Brasil, impulsionado também pela abertura das cooperativas de seguros – autorizadas a funcionar no País após a publicação da Lei Complementar 213/2025. A expectativa da Superintendência de Seguros Privados (Susep) é que o novo ramo aumente o crescimento deste setor em cerca de 15% ao ano. Espaço para crescer não falta”, diz.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas