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Fim do Elo7 surpreende artesãos e ameaça renda de pequenos empreendedores

Usuários do marketplace relatam falta de aviso prévio e dificuldade para encontrar alternativas viáveis de venda on-line após encerramento da plataforma
Fim do Elo7 surpreende artesãos e ameaça renda de pequenos empreendedores
Foto: Adobe Stock

Empreendedores que usavam o Elo7 para comercializar seus produtos artesanais afirmam ter sido surpreendidos com o descontinuamento do marketplace, anunciado nessa segunda-feira (11) pela Enjoei, dona do canal desde 2023.

Artesã há 20 anos, a mineira Mileide Gomes, de 44 anos, conta que não recebeu sequer um comunicado da plataforma em seu e-mail informando sobre o encerramento das atividades. “Fiquei sabendo [do fechamento] pelo Instagram e por posts de outras companheiras de trabalho que vendiam por lá”, conta a empreendedora que era usuária do Elo7 desde que o canal foi criado, em 2008. “Antigamente, a gente pagava para expor e era muito bom, bem organizado. O site era bastante intuitivo”, destaca.

Produtora de bonecas e bichos de pano, a artesã – que além de expor na Feira Hippie, no Centro de Belo Horizonte, tem um ateliê em sua casa, no bairro Alípio de Melo, na região da Pampulha – afirma que precisou fechar a loja virtual por um período e, ao retornar, em 2023, (mesma época em que a Enjoei assumiu a gestão do canal) se deparou com taxas muito altas. “Depois que eu voltei não consegui fazer nenhuma venda apesar de sempre direcionar os clientes para o canal”, diz.

Descontinuação do Elo7 deixa artesãos sem alternativa viável de venda on-line

Mileide afirma que, nos últimos meses, chegou a receber mensagens de consumidores interessados nos seus produtos, mas não conseguiu acessar o Elo7 para efetivar as vendas, nem responder aos potenciais compradores. Sem nenhum retorno do marketplace, deixou de acessá-lo.

“Cerca de 80% da renda de muitas pessoas que eu acompanhava pelas redes sociais vinha do Elo7. São muitos artesãos que vendiam com carteira de clientes consolidada. Sem falar das recomendações e das avaliações do site, que davam credibilidade para o trabalho dos profissionais. Sem isso, muitos terão que começar do zero”, destaca.

A profissional revela ainda que a descontinuação do Elo7 impacta não só a receita dos artesãos como também deixará muitos deles sem alternativas para venda on-line. “Para um artesão migrar para gigantes como a Shopee e Shein, por exemplo, é mais complicado. O prazo para as entregas, muito imediatos, não são compatíveis com o nosso formato de produção artesanal. Os preços para hospedar os produtos nesses grandes canais também são mais caros”, conclui.

Elo7
Perfil do Elo7 no Instagram comunicou o descontinuamento na rede social na segunda-feira (11). Foto | Reprodução

O que diz a Enjoei, dona do Elo7

Procurada pela reportagem do Diário do Comércio, a Enjoei, detentora do Elo7, respondeu que o encerramento do marketplace dedicado à venda de produtos artesanais ocorreu “em resposta a um cenário de mercado em constante evolução e crescentes desafios”.

A empresa disse também que a “medida é o resultado de análises aprofundadas sobre a dinâmica do setor e os obstáculos enfrentados na construção e engajamento de audiência em um ambiente cada vez mais competitivo”.

A Enjoei afirma ainda expressar sua mais profunda gratidão a toda a comunidade Elo7 – vendedores, artesãos e compradores – e reafirma seu compromisso de oferecer toda a assistência necessária para vendedores e consumidores que realizaram transações até a data de encerramento da plataforma por meio do canal de suporte da marca.

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