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Especial: diálogos DC Negócios
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Vilela destaca que, nesse cenário de produção de alimentos, formam-se polos desiguais no mundo - Créditos: FAEMG

Um dos problemas mais antigos da civilização, a fome é uma tragédia causada por muitos fatores. Embora seja associada principalmente à quantidade de alimento, sua origem está em questões como crises geopolíticas, problemas climáticos e logística de distribuição.

A análise é de Pierre Vilela, engenheiro agrônomo e assessor da Presidência da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). Para o executivo, ações que tocam no combate ao desperdício e no fomento da produtividade da agricultura são urgentes para vencer o problema da fome.

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A discussão foi proposta pelo Diálogos DC, ação que faz parte do Movimento Minas 2032, iniciativa do DIÁRIO DO COMÉRCIO para mobilizar o Estado em torno dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015.

Em entrevista ao jornal, Pierre Vilela comentou como a Faemg contribui para a consolidação do ODS 2, que é sobre a erradicação da fome, busca da segurança alimentar, melhoria da nutrição e promoção da agricultura sustentável.

O executivo destaca que, ao mesmo tempo em que a fome é um desafio complexo por causa dos seus múltiplos fatores, por outro, a população não para de crescer, de forma que o problema parece aumentar a cada dia.

“A solução passa pela produção de alimentos com eficiência, mas também pela logística, pela distribuição justa e pela segurança alimentar. Há muita coisa a ser feita”, diz.




O alerta do executivo é ratificado por dados estatísticos. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 75% do que é produzido na América Latina não chega à mesa do consumidor porque se perde no caminho. Além disso, 25% do custo desse produto é proveniente de seu transporte e somente 20% do valor dele fica com o produtor.

Vilela destaca que, nesse cenário de produção de alimento, formam-se polos desiguais no mundo: de um lado estão os países pobres onde esse alimento não chega e, do outro, países ricos que concentram o consumo e ainda vivem uma cultura de desperdício e obesidade.

Ele critica essa distribuição desigual e reforça a necessidade de valorização das áreas de produção, tendo em vista que apenas 10% do território global é considerado agricultável.

Nesse contexto de ampliar o acesso ao alimento, o executivo afirma que a produção rural ganha protagonismo, tendo em vista que boa parte da comida que chega à mesa das famílias vem do campo.

Por isso ele reforça a importância de um acompanhamento desses produtores rurais, que ainda atuam sem suporte técnico ou de tecnologia. O executivo lembra que esse cenário não apenas compromete a produtividade da agricultura, mas até mesmo a segurança desse alimento.

“Precisamos desmistificar a ideia de que o agricultor é mau. Ele não é mau, mas comete erros porque não tem acesso adequado à tecnologia. O Senso Agropecuário 2016 apontou que apenas 25% dos agricultores no País têm acesso a algum tipo de assistência técnica. Isso quer dizer que a maioria faz agricultura empírica sem ninguém para ajudar”, afirma.




É nesse gap que a Faemg vem trabalhando, segundo o executivo. Ele explica que o órgão atua na melhoria da produção e da qualidade de vida do homem do campo, de forma a fomentar a atividade e garantir que ela seja sustentável.

“A Faemg atua em questões políticas e regulatórias da atividade, mas também na assistência técnica, na capacitação dos agricultores. Dessa forma, garantimos um produtor satisfeito e novas gerações que vão suceder esse produtor e garantir uma atividade sustentável”, finaliza.

Para o Sesc, “sobra” tem destino certo

O Mesa Brasil recolhe alimentos excedentes para distribuição em creches e abrigos – Créditos: Henrique Chendes

O entendimento de que o combate ao desperdício e a ampliação do acesso ao alimento podem ajudar a acabar com a fome e a melhorar a nutrição, levou o Serviço Social do Comércio (Sesc) a criar o Mesa Brasil. Com 16 anos de atuação, o programa recolhe alimentos excedentes em comércios e junto a produtores para distribuição em creches, abrigos, comunidades terapêuticas, entre outras instituições sociais.

O alimento considerado “excedente” é aquele que, apesar de não ter valor comercial, permanece com seu valor nutricional. Um exemplo é o alimento cuja validade está próxima e não chegaria a tempo no ponto de venda. Ou, ainda, frutas e legumes que já estão bem amadurecidos e, por isso, evitados pelos clientes.

Em Minas Gerais, o projeto tem quatro operações físicas localizadas em Belo Horizonte, Montes Claros, no Norte de Minas, Uberlândia, no Triângulo Mineiro e Juiz de Fora, na Zona da Mata.

A gerente de saúde e assistência do Sesc em Minas Gerais, Viviane de Melo Cardoso Ribeiro, destaca que, além de levar o alimento a quem precisa, o projeto faz um trabalho importante de educação dos envolvidos em relação ao desperdício.

O aprendizado está do lado do comércio que doa e acaba entendendo mais sobre a importância de dar um uso adequado aos alimentos, mas, também do lado das entidades que recebem.

“Em cada uma das instituições que entregamos os alimentos falamos da importância do aproveitamento integral das verduras, dos legumes e frutas, por exemplo. Para isso, ensinamos receitas que utilizam todas as partes dos alimentos, como cascas e folhas. Dessa forma, evitamos o desperdício e damos sustentabilidade àquele alimento que foi produzido”, afirma a gerente.

Em 2018, o projeto Mesa Brasil em Minas Gerais doou 2,8 milhões de quilos de alimentos para 814 instituições, beneficiando mais de 220 mil pessoas.

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