Embraer lucra mais no 2º tri e eleva projeções para 2026
A Embraer registrou um crescimento de 25% no lucro líquido no segundo trimestre deste ano e encerrará 2026 com um desempenho mais forte que o inicialmente esperado, segundo comunicado desta segunda-feira (10).
O lucro líquido ajustado foi de R$ 1,11 bilhão ante os R$ 890 milhões do mesmo trimestre de 2025. Segundo a companhia aeroespacial, o aumento em relação ao ano anterior “foi impulsionado principalmente por um forte desempenho operacional e despesas financeiras líquidas menores, fatores que foram parcialmente compensados por impostos mais elevados no período.”
A fabricante atingiu um recorde de receitas no segundo trimestre deste ano. Foram R$ 11,3 bilhões para a receita líquida, um aumento de 10% sobre os R$ 10,27 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.
Em reação aos dados, as ações da empresa registraram alta nesta segunda-feira na Bolsa brasileira. O papel subiu 2,31%, a R$ 94,66. Na máxima do dia, a ação chegou a bater R$ 101,22, avanço de 9,4%.
Para a XP, o trimestre apresentou números fortes em todas as frentes. “Mesmo após excluir os itens positivos não recorrentes, as margens recorrentes ainda vieram acima das nossas estimativas e do consenso, além de melhorarem sequencialmente, ajudando a aliviar as preocupações com rentabilidade levantadas no trimestre anterior.”
Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos, destaca que a reação positiva do mercado é fruto de um conjunto de fatores. “O que mais chama atenção no resultado da Embraer não é apenas o crescimento da receita, mas a qualidade desse avanço. A companhia apresentou expansão de margens, forte geração de caixa e uma carteira de pedidos recorde.”
Lage também elogia o crescimento da área de Defesa, especialmente com o KC-390. Na última semana, a empresa assinou um contrato para o fornecimento de dois modelos do avião à Força Aérea da Colômbia. “Abre uma avenida relevante de expansão para os próximos anos. O balanço veio forte e, principalmente, trouxe sinais de que a melhora operacional está se tornando mais estrutural.”
A Embraer também atualizou suas estimativas para 2026. Embora as entregas para aviação comercial e executiva e a projeção de receita tenham permanecido inalteradas, a margem Ebit ajustada -lucro antes dos juros e tributos- ficou entre 10% e 10,6%, acima da faixa anterior, de 8,7% a 9,3%.
Já o fluxo de caixa livre, ou seja, o dinheiro restante após a companhia cumprir suas obrigações de despesas, dobrou, saindo de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) ou mais para o ano e atingindo a faixa de US$ 400 milhões (R$ 2 bilhões).
Outro recorde segundo a empresa foi a carteira de pedidos, que atingiu US$ 34,5 bilhões (R$ 175,4 bilhões) no segundo trimestre deste ano, aumento de 16% em relação ao período homólogo do ano passado.
Foram 65 aeronaves entregues no segundo trimestre, sendo 20 jatos comerciais e 45 executivos, mas sem entregas no segmento de defesa.
Em relação à subsidiária Eve, que desenvolve o eVTOL (veículo elétrico de decolagem e pouso vertical), conhecido como carro voador, o cenário é diferente.
“A posição de caixa líquido da Eve piorou em R$ 251,9 milhões em relação ao trimestre anterior, atingindo R$ 471,5 milhões no 2T26, devido à geração de fluxo de caixa livre negativo de R$ 248,4 milhões durante o período”, disse a empresa.
A Embraer também viu a dívida bruta da Eve aumentar em R$37,4 milhões na comparação trimestral, “à medida que a companhia continuou financiando seus esforços de pesquisa e desenvolvimento”, afirma.
Raio-X | Embraer
- Fundação: 1969
- Lucro: R$ 1,11 bilhão (2º trimestre de 2026)
- Carteira de pedidos: US$ 34,5 bilhões
- Funcionários: cerca de 23 mil no Brasil e no exterior
- Principais concorrentes: Boeing e Airbus
Conteúdo distribuído por Folhapress
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