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Movimento Minas 2032 Negócios

ESG não é moda e sim um tema a ser debatido pelas empresas

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Crédito: Reprodução

Quais os desafios e transversalidades do ESG no Brasil? A pergunta-chave foi tema do painel do dia 20, com Jandaraci Araujo, cofundadora Conselheiras 101, Sara Hughes, fundadora e CEO da Scaffold Education e presidente do conselho de administração do FBN, e mediação Fabio Alperowitch, Fundador da Fama Investimentos.

“É muito fácil falar em qualquer língua, é sonoro o ESG”, Fabio Alperowitch fala também da importância de trazer essas letras separadas environment, sustainability, government. “Muitas vezes tentam separar isso do business, mas o ESG está dentro das empresas”, afirma, que para alguns esse é um conceito “novo”, mas na verdade já é antigo, não é uma moda e sim um tema a ser debatido, “problemas americanos, ingleses, asiáticos, em todo o mundo tem problemas climáticos e de igualdade de gêneros”.

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A diversidade deve ser pensada desde o início da empresa, tanto para seu crescimento na “diversidade de pensamento”, como diz Sara Hughes, quanto para seus valores. “Se a inclusão não estiver nos valores da empresa, não acontece. Isso precisa fazer parte da cultura, é preciso ter uma política clara de engajamento e isso precisa refletir no dia a dia dos colaboradores”, afirma Jandaraci Araujo.

A importância de ter grandes empresas como Natura sendo um exemplo tende a ajudar na imagem do mercado, porém, como criar essa cultura nas pequenas e médias empresas? “As médias empresas representam 99% das empresas que têm no Brasil. Hoje já tem empresas que estão nascendo com um olhar específico, buscando se alinhar e começar com modelos sustentáveis e de políticas sociais”, diz Jandaraci Araujo.

Para a cofundadora, as empresas têm o papel de trazer as pequenas e grandes empresas também para essa agenda que não é um assunto só para as grandes, as pequenas podem e devem ter esse olhar. “Uma forma de trazer é pulverizar cada vez mais os conceitos da agenda ODS para essas empresas, por exemplo, igualdade de gêneros e salários, consumo e produção responsáveis. É uma forma de começar. As grandes empresas têm um papel crucial nisso, de orientar para ficar tangível para as pequenas empresas, o empreendedor não precisa atender todas as ODS, mas sim ir se adaptando aos poucos para começar”, complementa.

No final, as políticas de ESG são importantes tanto para o B2B quanto para o B2C. “É preciso sim ter política pública ao pensar em atuação social e ambiental, precisamos de uma instituição como Sebrae por exemplo, que ajude a empresa a implantar essas políticas, um exemplo disso é política de crédito para energia solar, existem várias formas de fazer isso”, diz Jandaraci Araujo.

O capitalismo para stakeholders também acontece nas empresas familiares, pessoas investidoras que sabem tomar as decisões, ‘sócio-responsável’. “A maior parte das empresas familiares tem um olhar forte, mas de resultados de geração para geração, qual o legado que vamos deixar para a próxima geração? Qual é o impacto a ser desenvolvido? Qual é o nosso DNA? Qual é a nossa comunidade? Boa parte vê sua comunidade como prioridade, outros 42% fazem filantropia, por exemplo”, diz Sara Hughes sobre a confiança do mercado e do consumidor, competência e ética. “Se não tem governança, como que vai ter estratégia?”, questiona fazendo o paralelo de logo inserir a próxima geração no negócio familiar, pois a entrada de pessoas que não são da família também abre nessas companhias, para novas visões de crescimento. “Um dos maiores problemas da empresa familiar é comunicar o que faz”, complementa.

“A nova geração Z tem valores muito distintos das anteriores”, afirma Fabio Alperowitch. Sara Hughes diz que a nova geração quer ter orgulho da família, da empresa, e pressiona os pais, demonstrando o que incomoda e que não tem interesse, e isso fere o fundador. “Precisa fazer um trabalho não de passar bastão, mas de trabalhar junto. Essa nova geração vem como aliado, com gás e isso é muito bom para mudar”, afirma a CEO. Vindas com os valores dos sócios, a FBN desmistifica para essas empresas os valores da ODS, ajuda a criar um plano e ensina como fazer as mudanças aos poucos, é se preocupar com a cultura que está sendo fomentada e isso começa com os sócios.

Entre os pontos citados na palestra também teve o greenwashing, a constatação do consumidor com a empresa que ele consome. “Eu acho impossível fazer isso hoje e o consumidor ignorar isso. Qual é a head da cadeia? Eu compro ou vendo produtos dessa cadeia? Para mim isso é reputação, aquilo que faz hoje vai contar uma história depois”, diz Sara Hughes. “Uma hora a casa cai. Outro ponto é a materialidade das coisas, não tem como manter por muito tempo, principalmente na questão ambiental”, complementa Jandaraci Araujo.

Governança Multistakeholder – “A visão de ESG é a mais abrangente sobre os fatores eco ambiental, social e de governança, no ponto de vista de modelo, mas a Governança é e precisa ser o carro-chefe, já que sem uma boa governança não é possível estruturar um modelo verdadeiramente sustentável.” A declaração de Claudinei Elias, CEO da Bravo GRC, foi dada durante o II Fórum Brasileiro do Capitalismo Consciente.

Ainda de acordo com o especialista, a Governança Multistakeholder é aquela que compartilha o poder e o processo de decisão entre as diferentes partes interessadas e que o meio ambiente precisa ser encarado como um stakeholder. “Embora o meio ambiente não fale conosco diretamente, ele se comunica com a gente de diversas formas, principalmente quando entramos no debate sobre as questões climáticas”, pontua.

Durante o workshop, Claudinei Elias ainda alertou sobre a necessidade de todas as empresas, principalmente as mais tradicionais, terem como foco a inovação e práticas humanizadas, principalmente em uma sociedade cada vez mais jovem e consciente.

Utilizam-se conceitos de 1970 para construir negócios hoje

Estamos chegando em um ecossistema que traz a necessidade do sistema B, afirmou o Gerente de Programas na área de Desenvolvimento de Negócios do Sistema B Brasil, Pedro Telles, em workshop no II Fórum Capitalismo Consciente, promovido pelo Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB). “Estamos falando de mecanismo de mercado, de forças de negócios, que as estruturas estão pensando em como resolver”, diz o especialista.

Quando Freeman escreve um artigo sobre o crescimento de lucro das empresas, mostra como esse pensamento não é mais exercitado hoje. “A gente está utilizando conceitos de 1970 para construir negócios em 2020. A transformação que a gente está aqui para propor é que a gente saia desse pensamento para todas as partes interessadas. Não é não gerar lucro para o acionista, é entregar um relatório olhando para o todo, para o mundo, sem aquele viés. É pensar em uma empresa que vai suprir as demandas da sociedade”, diz Telles.

Entre os elementos que qualificam uma empresa do século XXI estão o Propósito de Impacto Positivo, que é a geração de impacto socioambiental positivo no curso da atividade econômica lucrativa; Responsabilidade vinculada, que é a inclusão de instrumentos na governança para qualificar as decisões em prol do impacto social e ambiental, no curto e longo prazo, com o engajamento dos stakeholders; e o Compromisso com a Transparência, que é a mensuração, gestão e publicação do relatório de impacto.

De acordo com Telles, as empresas com sistema B são um modelo de organização que representa e busca promover impacto social e global. Hoje, no mundo, existem mais de 4 mil empresas B certificadas em mais de 75 países, de 150 setores e com um único objetivo. Estas mantêm métricas verificáveis e comparáveis de impacto social e ambiental, transparência e prestação de contas. Já no Brasil, são mais de 200 empresas certificadas com mais de R$ 20 bilhões em receita, alguns exemplos são a Natura, Avante, Vox e Mãe Terra. Além disso, mais de 7400 empresas já estão nesse processo em território nacional.

A avaliação de impacto dessas empresas se inicia com um questionário composto por cinco pilares principais: Governança (missão e engajamento; ética e transparência; e proteção da missão); Trabalhadores (segurança financeira; saúde, bem-estar e segurança; desenvolvimento da carreira; engajamento e satisfação; participação societária; desenvolvimento da força de trabalho); Comunidade (diversidade, equidade e inclusão; impacto econômico; engajamento cívico e doação; gerenciamento da cadeia de suprimento; desenvolvimento da cadeia de valor; desenvolvimento econômico nacional; compromisso formal de doação); Meio Ambiente (gerenciamento ambiental; ar e clima; água; terra e vida; produtos e serviços ambientais benéficos; produtos e serviços que conservam recursos); e Clientes (gestão de clientes; produtos ou serviços socialmente benéficos; atendimento a populações carentes). Esse modelo de impacto também protege as empresas de greenwashing.

“E só tem uma coisa que é obrigatória para toda empresa, é a proteção da missão, a gente pede para que as empresas insiram isso de maneira formal na governança organizacional, para que isso esteja no contrato social da empresa. Precisa escrever que tudo que aquela empresa faz, é pensando nas pessoas, no meio ambiente, no social. Essa pergunta é o coração da missão e do questionário”, conta Telles.

Certificação – A certificação do sistema B é válida por três anos e a cada três anos muda o questionário. Apesar de o questionário ser pago, a certificação final é gratuita para as empresas que passam com esses requisitos. Ser uma empresa B traz melhoria na gestão e governança, diálogo com ESG, posicionamento, atração de talento e torna a empresa parte de uma comunidade de líderes. Isso tudo gera demandas sistêmicas com investidores, empresas, governos, academia e consumidores.

“É melhor começar a pensar nisso desde o nascimento da empresa, do que pensar nisso depois. A resposta funciona muito, o melhor é exatamente conhecer as outras empresas, saber de outras organizações que estão nesse meio”, finaliza Pedro Telles com a dica para quem está começando.

Reconhecimento é de extrema importância

Para começar a falar da evolução em gestão no II Fórum Capitalismo Consciente, Eduardo Gouveia, conselheiro emérito do Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB), leu em sua microtalk uma carta (credo) que escreveu para si mesmo quando era CEO há 20 anos. “Ser líder é uma coisa simples”, diz em sua primeira frase, que a liderança deve inspirar, é ter amor, trazer alegria e motivação, e que isso não muda, é a essência.

Entre as tendências está a celebração, Gouveia conta que passou por uma promoção em que a chefia não o deixou comemorar, por isso enfatiza a importância do reconhecimento e celebração das pequenas conquistas. “A partir daí, toda promoção que eu fizesse como gestor eu ia fazer lá na frente de todos para que aquela pessoa fosse reconhecida. Com isso criei o conceito do baldinho, com chocolate e champanhe, para que depois do trabalho ele comemore com a família, eu fiz isso em toda a minha gestão”, afirma Gouveia. Trazer a família para dentro da empresa é também um dos pontos que o conselheiro diz ter implementado em suas gestões, para que o funcionário seja reconhecido também na frente das pessoas mais importantes de sua vida.

Construir o espírito de colaboração, “a gente ganha junto, a gente falha junto”, é essencial para liderar uma equipe, que todos são importantes e juntos um único. “O líder tem que formar futuros líderes, que transformem as companhias da forma correta. Tem que ter paixão, visão, entusiasmo, descontração, alegria, segurança emocional e extroversão. O líder precisa sim trazer uma segurança emocional plena para o ambiente de trabalho, escuta ativa para captar o que está acontecendo e ajudar a melhorar o ambiente, foco em resultado e por fim, flexibilidade, ser aberto para novas ideias. Para mim, essas competências são essenciais para uma liderança, eu fiz isso ao longo da minha vida”, finaliza o conselheiro.

Importância da liderança Com foco na liderança consciente, o cofundador do Movimento Capitalismo Consciente, Raj Sisodia, palestrou, dia 20, no II Fórum de Brasileiro do Capitalismo Consciente. Além dele, estiveram presentes outros grandes especialistas e líderes do mercado.

Fundador e presidente da Awaken Inc e Professor Universitário de Empresa Consciente e Presidente do Centro de Empresa Consciente da Universidade Tecnológica de Monterrey, Sisodia falou sobre a liderança consciente e como ela tem se dado no mercado de negócios ao longo dos anos.

“A liderança importa. Porque líderes melhores fazem para um mundo melhor, e pela mesma razão, lideranças ruins podem destruir o que levou décadas ou séculos para criar. Então, a liderança é essencial no mundo”, afirma o especialista.

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