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Especial: comércio exterior se adapta ao novo normal

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Crédito: Fábio Scremin/APPA
Crédito: Fábio Scremin/APPA

Em dezembro de 2019 a velocidade com que uma doença respiratória desconhecida se espalhava entre a população de Wuhan, na China, preocupava as autoridades que temiam que a notícia gerasse pânico e abalasse as relações do país com outras nações. Mas logo não houve jeito e o alerta foi dado às vésperas do Ano Novo Chinês. O feriado de uma semana, em que os chineses viajam para visitar familiares, festejar e em que a produção fica reduzida a patamares mínimos, teve início em 24 de janeiro de 2020.

Começava ali um verdadeiro caos nas relações comerciais internacionais. Portos indefinidamente fechados, ameaça de desabastecimento global, falta de insumos para indústrias e até mesmo de itens de saúde básicos como máscaras de luvas, era só o começo.

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Dali para frente o mundo ainda assistiria episódios dignos dos livros de história do século 18. A diferença era que no lugar dos barcos saqueados a mando da rainha da Inglaterra ao atravessarem o Oceano Atlântico, tínhamos aviões carregados de insumos médico-hospitalares sequestrados em aeroportos da Europa e Estados Unidos.

No Brasil, a confusão era temperada com amargor pelo chamado custo Brasil, formado pela burocracia, deficiência logística, desperdício e altos custos.

Ainda assim, o mundo continua precisando comprar e vender e, desde a época da disputa pelas especiarias, cruzar oceanos é uma atividade humana, independentemente do meio de transporte ou da tecnologia utilizada, já que hoje é possível negociar sem levantar da cadeira de casa.

O novo normal do Comércio Exterior nos mostrará um novo mapa geopolítico do mundo no pós-pandemia impactado também pelo novo governo Democrata nos Estados Unidos e sua predisposição (veremos até quando) por mais diálogo e equilíbrio de forças no globo.

Modelo de operação precisou ser repensado em meio à crise

Em janeiro de 2020 o feriado do Ano Novo Chinês foi estendido com o objetivo de conter o avanço do novo coronavírus. As indústrias chinesas paralisaram a produção e as companhias de transporte não podiam mais buscar produtos naquele país. O mundo, inclusive o Brasil, começava a sentir os primeiros reflexos da Covid-19 para a cadeia global de suprimentos. A queda da produção chinesa chegou a 30% e das exportações a 17,2%.

Ao passo que a doença se espalhava pela Europa, as indústrias brasileiras viam os estoques de insumos baixando, portos e terminais asiáticos lotados e sem pontos de energia para contêineres refrigerados, bolsas mundiais em queda, moedas de países emergentes desvalorizadas e o medo crescente entre a população.

Para o professor de Comércio Exterior e Negócios Internacionais do Ibmec-MG e gerente da Kuehne-Nagel em Minas Gerais, Frederico Martini, a pandemia fez com que todo o modo de operação de comércio exterior fosse repensado. O desequilíbrio entre oferta de demanda levou a inflação nos valores dos fretes, falta de contêineres e a cotação do dólar atingiu recordes históricos.

“Tudo teve que ser repensado de um dia para o outro. A carga aérea, por exemplo, é cara e as empresas começaram a usar outros modais. As companhias aéreas passaram a adaptar aviões de passageiros para o transporte de cargas essenciais, já que não havia mais turistas. No marítimo o preço do frete começou a subir de forma absurda. De US$ 1.200/ contêiner, chegamos a US$ 12 mil. A partir desses números malucos o mundo começou a pensar porque precisamos consumir tudo da Ásia. Uma das consequências desse desastre é a percepção de que precisamos ter mais linhas de produção espalhadas pelo mundo. Não podemos depender de um só fornecedor”, explica Martini.

Frederico Martini | Crédito Divulgação
Frederico Martini | Crédito Divulgação

Muitos países estão se organizando para atrair suas próprias indústrias transferidas para a Ásia, e também para criar hubs, deslocando grandes cadeias para atender grandes mercados. Nesse movimento global, o Brasil sai atrasado em virtude da política externa praticada nos dois primeiros anos do atual governo, beligerante em relação à China e unilateralmente alinhado aos Estados Unidos do republicano Donald Trump, substituído, ontem (20), pelo democrata Joe Biden.

“A reindustrialização é uma solução que vem pra ficar. Os governos começam a repensar as políticas de incentivo. Nisso o Brasil sai perdendo. A saída da Ford do País indica isso. Temos taxa de juros alta, dólar alto e desemprego absurdo. Se não tiver uma reforma econômica forte, o País pode entrar em uma crise sem precedentes”, pontua o professor do Ibmec-MG.

Multilateralismo – A abertura de novos mercados e a distensão das relações com países importantes, tanto do ponto de vista de fornecedores ou compradores das indústrias brasileiras, é ponto fundamental para fortalecer o comércio exterior brasileiro. A exemplo do que está acontecendo com a dificuldade para importação de insumos e vacinas, o trabalho da diplomacia profissional do Brasil se torna cada vez mais importante.

“Um dos pilares do comércio exterior é a transparência. A entrada da Duimp (Declaração Única de Importação) no Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior) foi uma coisa boa e que veio para ficar. De outro lado, temos que potencializar a marca Brasil, ter um marketing internacional forte. Defendo o multilateralismo, o desenvolvimento de novos mercados, como na África, por exemplo. No mundo atual existe uma força contrária à globalização. O Brexit mostra isso. Mas com a mudança da política americana, a médio prazo, podemos voltar a uma política menos centralizada”, analisa o gerente da Kuehne-Nagel em Minas.

A avaliação do professor da área de Estratégia Pública da Fundação Dom Cabral (FDC), Paulo Vicente, caminha no mesmo sentido. “Estamos perdendo a oportunidade, por enquanto, mas isso pode mudar. Os países desenvolvidos vão trazer a produção mais para perto. O México é o maior beneficiário nessa história e nosso principal concorrente. A tarefa do Itamaraty é essencial, conversando com todo mundo. Devemos apostar na burocracia profissional. É ela que estabiliza a democracia e garante a manutenção das políticas de estado”, completa Vicente. (DM)

Paulo Vicente | Crédito: Divulgação
Paulo Vicente | Crédito: Divulgação

Startup mineira oferece soluções logísticas

O fechamento das cidades e as restrições de locomoção entre cidades e países ocorridas tantas vezes desde março do ano passado, quando foi declarada a pandemia de Covid-19 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), acertou em cheio o setor de logística e a cadeia de suprimentos.

Ao oferecer soluções para esse setor, a startup mineira Simplifica Frete, sediada em Varginha (Sul de Minas), registrou crescimento da base de clientes e anuncia a sua internacionalização a partir do primeiro bimestre de 2021.

De acordo com um dos sócios-fundadores da Simplifica Fretes, Davi Santiago, a plataforma atua no setor logístico aduaneiro. As empresas cadastradas na ferramenta conseguem cotar e acompanhar as cargas, agora, também fora do Brasil.

“Em 2020 foi muito difícil. Um contêiner passou de U$ 740 para U$ 10 mil e a tendência é aumentar o preço. Por conta do distanciamento social muitas empresas ficaram com dificuldade de comunicação interna. A nossa solução foi um porto seguro por oferecer um processo padronizado. Conseguimos, em muitas situações, valores mais competitivos. Desde setembro desenvolvemos um spin-off da solução para fornecer o processo fora do Brasil”, explica Santiago.

Uma das clientes da Simplifica Fretes é a Pixel, empresa sediada no Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí (Sul de Minas) que fabrica soluções em IoT. Parte primordial dos componentes eletrônicos que garantem a produção da Pixel vem da China. O fechamento do País em janeiro de 2020 causou transtornos sem precedentes.

E, segundo o Ceo da Pixel, Cláudio Ribeiro, na outra ponta, a exportação também foi abalada. “Hoje no caso dos componentes eletrônicos o Brasil depende 100% da China. Já era difícil e quando a Europa deixou de ter voos regulares, tudo piorou. Os componentes que demoravam 15 dias para estar na fábrica passaram a demorar 45 dias. Perdemos o processo de logística que construímos ao longo de 18 anos. O mundo agora começa a dividir os hubs de produção, tirando um pouco de concentração da China. Se o Brasil tivesse uma política industrial de longo prazo mais bem elaborada, poderíamos atrair essas empresas, gerando empregos e divisas”, afirma Ribeiro.

Para a gerente de Supply Chain da Pixel, Mariana Pereira, atrasos e interrupções na cadeia de suprimentos, além da alta dos custos, podem inviabilizar a produção e entrega de pedidos por parte da fábrica no Brasil. O acompanhamento das cargas se tornou, a partir da pandemia, ponto fundamental para evitar que as operações sejam ainda mais afetadas.“O comércio exterior é uma coisa burocrática e morosa. O Simplifica Fretes me ajuda a economizar tempo e me apresenta uma gama de fornecedores que eu não conhecia, gerando concorrência e avaliando a qualidade do serviço. Avaliamos utilizar o acompanhamento no exterior. Assim, sobra mais tempo para gente cuidar da parte estratégica do nosso produto, da nossa empresa”, completa Mariana Pereira. (DM)

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