Crédito: Freepik

Com 74 anos de atuação em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, a Estojos Baldi, líder nacional de embalagens para joias, colocou um novo produto no portfólio nas últimas semanas: máscaras de tecido.

A novidade foi uma maneira que o empresário Walter Baldi encontrou para tentar amenizar as perdas impostas pela chegada do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil e as medidas de distanciamento social recomendadas pelas autoridades médicas mundiais.

Segundo ele, com a paralisação do comércio nas principais cidades do País e a consequente redução de cerca de 90% nos negócios da empresa, a estratégia foi adequar a linha de produção para confeccionar máscaras de proteção em TNT e tricoline, seguindo as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as orientações do Ministério da Saúde.

“Iniciamos a produção há cerca de duas semanas. Convertemos nossos maquinários e estamos oferecendo o produto a valores bem próximos ao preço de custo, visando apenas arcar com os gastos dos insumos e manter ativa a mão de obra”, explicou. A capacidade de produção é de cerca de 500 mil máscaras por mês.

Neste sentido, ele disse que dos 150 funcionários, 40 foram colocados em férias coletivas e o restante mantido na ativa, como forma de operar os negócios e a nova linha de produção.

“Cheguei a pensar em demissões, mas, com a produção das máscaras, conseguimos manter a fábrica operando e vamos atravessar essa que é uma das mais turbulentas fases de nossas vidas”, completou.

Sobre o desempenho dos negócios da empresa, Baldi disse que será bem aquém da prevista (sem revelar números). Isso porque, considerando as medidas de distanciamento social, a indústria terá funcionado em apenas dois, dos quatro trimestres do ano, já que ainda não há previsão de flexibilização das ações e volta do funcionamento dos shoppings – onde está a grande maioria dos clientes da marca.

Assim, o empresário disse que o resultado será “desastroso” e espera que, passado o pico da crise imposta pela pandemia, os pedidos voltem a subir. “Vendemos para as joalherias e elas estão no varejo, todas fechadas. Atendemos por encomenda e entregamos produtos personalizados. Com a restrição do funcionamento do comércio, os contratos foram quase todos suspensos”, lamentou.

A empresa é líder nacional no segmento de embalagens para joias, com a produção de 150 mil estojos por mês. A marca vende para todo o País, mas o principal mercado está em São Paulo, seguido por outras capitais como Porto Alegre e Belo Horizonte.

Estamos oferecendo o produto a valores bem próximos ao preço de custo, diz Walter Baldi | Crédito: Divulgação

MPEs do Norte de Minas adequam negócios

A crise causada pela pandemia do novo coronavírus afetou milhares de empresas, principalmente os pequenos negócios. Diante desse cenário, os empreendedores buscam alternativas para superar a crise e manter seus negócios.

Duas pequenas empresas de Montes Claros, Norte de Minas, dos setores de lingerie e artesanato, mudaram o foco e passaram a produzir máscaras, muito procuradas para a prevenção contra o Covid-19.

De acordo com o Sebrae, a criatividade e a inovação são fundamentais para a sobrevivência dos empreendedores após os impactos da pandemia. Segundo pesquisa da entidade, diante da crise do coronavírus, 89% dos pequenos negócios registraram queda no faturamento desde o início do isolamento social e 31% das empresas precisaram mudar sua forma de trabalhar para continuar no mercado.

Acostumada a fabricar lingeries e moda praia e vender por meio de uma página na internet, Renata Ribeiro, da empresa Surpreenda Lingerie, diminuiu a fabricação das peças íntimas e focou atualmente na produção de máscaras, peça essencial na prevenção do coronavírus.

“Comecei a confeccionar as máscaras meio que por acaso, para atender a uma amiga. Postei na página do Instagram e logo surgiu uma demanda grande de interessados. Percebi que poderia aproveitar este momento, embora meu foco seja lingerie. No começo tive dificuldades, porque o tecido que uso para a lingerie é diferente do usado na máscara. Depois, consegui com o mesmo fornecedor o material adequado. Desde então, já fabriquei e vendi cerca de 300 máscaras”, relata.

Renata Ribeiro destaca que segue as orientações de um profissional de saúde para produzir as peças. “Assisti a um vídeo de um infectologista que passa as dicas de como deve ser feita e daí produzo a máscara cirúrgica e a anatômica, com duas ou três camadas de tecido. Não mudei a área do meu negócio, mas fiz uma adaptação de acordo com a oportunidade que surgiu”, explica a empreendedora que, há dois anos, participa das ações do programa Sebrae Delas.

Enxergar a oportunidade – Nem só da produção e vendas de panos de pratos, forros, crochês e bordados vive Juraci Lourdes Silveira, da marca “Mãos da JuJu”. Habituada a vender seus produtos em feiras de artesanato da cidade, Dona Juju, como é chamada, precisou pensar rápido e buscar novas possibilidades após a proibição da realização das feiras.

Diante da propagação da pandemia, percebeu que as pessoas iriam precisar usar máscaras e foi aí que, com o apoio da filha, decidiu mudar o foco e produzir as peças de proteção do rosto.

“Quando percebemos que seria necessário o uso das máscaras decidimos dar um tempo nas peças tradicionais e investir na produção delas. Divulgamos na internet e rapidamente começaram a surgir vários pedidos. Entregamos no varejo e também maiores quantidades para supermercados, farmácias e padarias. Até para cidades vizinhas já entregamos”, ressalta.

Aos 74 anos, Dona Juju é consciente que faz parte do grupo de risco e deixa um recado. “Precisamos evitar a disseminação do vírus. Então, vamos todos usar máscaras. Fabricamos com dupla face e com tecido que pode ser passado no ferro quente e não deforma ”, diz a artesã.

Aprendizado – Para o gerente da Regional Norte do Sebrae Minas, Claudio Luiz Oliveira, as empreendedoras estão agindo de forma correta ao adaptar seu negócio ao momento.

“O empresário, seja ele de qualquer porte, que não se mexer e ficar esperando o que vai acontecer, irá fechar as portas. Neste momento, é preciso buscar orientação, conhecimento e, principalmente, exercitar a criatividade para virar o jogo e fazer deste problema uma oportunidade para permanecer no mercado”, enfatiza. (ASN)