Para o professor, assumir o cargo é uma grande honra mas, também, muita responsabilidade | Crédito: Marcelo Gondim

Se, por um lado, a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) está impactando social e economicamente o Brasil e o mundo, por outro, está evidenciando para a sociedade a importância do investimento em ciência.

Esta é a avaliação do professor Evaldo Ferreira Vilela, que assumiu novo desafio no campo da pesquisa científica brasileira em abril, em meio ao enfrentamento da pandemia no País.

Presidente por cinco anos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Vilela foi nomeado novo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), fundação vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), para o apoio à pesquisa brasileira.

Na avaliação do professor, o cenário de pandemia vivido pelo País, no momento, reforça que a ciência pode fazer mais pela sociedade, desde que receba os devidos incentivos e dedicação. “Não temos solução eficaz e confiável sem pesquisa”, resumiu.

Vilela explicou que, por tudo o que tem sido dito acerca do novo vírus e pela contribuição que os pesquisadores já têm dado não apenas no enfrentamento da doença, mas na busca pela prevenção, está ficando mais claro para a população a importância de investimentos em pesquisa.

“As pessoas estão entendendo que a busca por um medicamento, o desenvolvimento de uma vacina e a melhor compreensão do comportamento do vírus passam, necessariamente, pela pesquisa científica, tecnológica e de inovação”, argumentou.

Além disso, o pesquisador reforçou que o momento se traduz também como uma oportunidade de mostrar que essas soluções não vêm de uma única área do conhecimento, mas de uma rede que precisa trabalhar em cooperação.

“Vimos profissionais da medicina, da farmacologia, da química, da física, das engenharias, da matemática, da sociologia, da psicologia atuando em conjunto para compreender o vírus, suas causas e consequências não só fisiológicas, mas no comportamento, nas relações humanas, na história, na política, na economia, entre tantas outras vertentes”, completou.

Para o professor, com tudo isso, é possível entender a importância da cooperação, das parcerias e do intercâmbio de informações para uma ciência de qualidade. E também do investimento no campo científico para todo o mundo.

Desafio – Vilela disse que seu grande desafio à frente do CNPq será ampliar a capacidade de investimento na área, com o direcionamento de mais recursos para o fomento à pesquisa no País.

Segundo ele, já existe um esforço do próprio ministro Marcos Pontes em tirar o orçamento da ciência, tecnologia e inovação do teto de gastos, imposto pela PEC 95 de 2016, que limita o orçamento federal. E lembrou que o esforço por mais recursos não é recente e que a gestão anterior precisou, junto com o MCTIC e a comunidade científica, reforçar o diálogo com o Congresso Nacional para recompor o orçamento do CNPq.

“O desafio é aprimorar ainda mais esse diálogo para convencer o parlamento da importância de mais recursos para a ciência brasileira e, ainda, buscar novas fontes de financiamento, a partir de parcerias, tanto com instituições públicas – ministérios, universidades, fundações de amparo à pesquisa, institutos de pesquisa -, como com a iniciativa privada”, explicou.

Para o professor, assumir o cargo é uma grande honra mas, também, muita responsabilidade. Ele citou a abrangência da atuação do CNPq e que esta é a oportunidade de contribuir para o desenvolvimento de todo o País a partir do investimento em pesquisa.

Por fim, ele ressaltou que o Brasil é referência mundial em muitas áreas do conhecimento e que os pesquisadores brasileiros são respeitados no mundo todo. E citou o papel relevante da comunidade científica nacional em frentes como a produção de vacinas e a existência de instituições prestigiadas internacionalmente como a Fiocruz, a Embrapa, entre outras.

“Temos um potencial enorme. Mas precisamos também pensar na empregabilidade dos nossos jovens pesquisadores, investir em toda a cadeia, que se inicia com a geração e resulta na aplicação do conhecimento, fazendo com que todo esse potencial de gerar conhecimento migre, também, para novos produtos, processos e serviços”, destacou.

Sobre Minas Gerais, ele disse que há um empresariado jovem que, cada vez mais, está buscando a interação com universidades que, por sua vez, também estão mais abertos a parcerias. “Isso tem contribuído muito para o desenvolvimento da ciência na região”, concluiu.