Por meio do processo de corte a laser do material, o Fab Lab tem realizado cerca de 300 cortes por dia | Crédito: Rodrigo Braga

Imbuídos na colaboração para o desenvolvimento de soluções de combate ao novo coronavírus (Covid-19), voluntários e profissionais de diversas áreas de atuação se mobilizam para produzir equipamentos de proteção individual (EPIs) utilizados principalmente por profissionais de saúde de todo o País.

Neste momento, Fab Labs ganham ainda mais relevância no ambiente tecnológico e colaboram com o fornecimento de diversos materiais feitos a partir de impressoras 3D e cortadoras a laser.

No Centro Universitário Newton Paiva, sediado na capital mineira, por exemplo, o ambiente tecnológico está sendo utilizado para a produção de escudos faciais, por meio do processo de corte a laser do material, realizando cerca de 300 cortes por dia. Até o momento, já foram disponibilizados 90 escudos para Hospital da Baleia, Hospital das Clínicas e Sofia Feldman.

De acordo com o responsável pelo setor de Pesquisa, Extensão e Inovação da Newton, Leonardo Fernandes, por dia, a equipe do laboratório produz cerca de 20 escudos, e o trabalho só está sendo possível por causa do engajamento dos envolvidos e pela colaboração de outros Fab Labs, universidades e médicos. Segundo ele, o processo tem sido construído “a várias mãos”.

“É um trabalho conjunto, que envolve pesquisa, tecnologia, prototipagem e colaboração. Desde o início, estamos atuando no processo, a começar pelo levantamento de hospitais e entidades que precisariam dos equipamentos e identificamos mais de 10 mil solicitações na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e mais de 20 mil em Minas Gerais”, ressaltou.

A partir da necessidade, o centro universitário resolveu atuar em duas frentes: na linha de produção propriamente dos EPIs, com linha 3D e corte a laser e também no Trem Maker – coletivo de makers, que reúne engenheiros, especialistas em fabricação digital, designers, programadores, publicitários e médicos – incluindo profissionais e estudantes da Newton.

“Os Fab Labs já são espaços fortes de prototipação, de projetos sociais e de pesquisa. Enxergamos como o espírito acadêmico é importante neste momento, construindo saberes com auxílio de diversas áreas. Os pesquisadores da saúde, por exemplo, trazem o feedback sobre o uso dos escudos, enquanto os das exatas conseguem adequar e fazer a modelagem 3D”, pontuou.

Sobre o Trem Maker criado em Belo Horizonte e que conta com a participação do Fab Lab da Newton, o coordenador explicou que, em diferentes áreas, os integrantes estão todos engajados no mesmo propósito: o de produzir e doar EPIs aos profissionais de saúde que estão na linha de frente no combate ao coronavírus.

Para isso, diariamente, a equipe produz de 300 a 500 escudos e os voluntários responsáveis por receber os pedidos dos hospitais organizam a logística da entrega. O fornecimento atende mais de 15 hospitais presentes na Grande Belo Horizonte.

Tacom aguarda homologação de ventilador

Diante do crescente registro de casos de infecção pelo novo coronavírus, uma notícia animadora: os hospitais de campanha de Minas Gerais podem ganhar, já nos próximos dias, um reforço fundamental no tratamento do Covid-19.

Trata-se de um ventilador pulmonar inteligente, desenvolvido especificamente para dar suporte a pacientes infectados. Se homologado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o equipamento ajudará a evitar um provável colapso no sistema de saúde do Estado, motivado, especialmente, pela indisponibilidade de respiradores artificiais.

Por meio do projeto social InspirAR e com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a empresa mineira de soluções tecnológicas Tacom desenvolveu um protótipo do ventilador pulmonar em 20 dias.

Médicos intensivistas de uma grande rede de hospitais de Minas Gerais, engenheiros, programadores e desenvolvedores participaram do projeto.

“Nos países mais atingidos, a falta de respiradores foi o principal motivo dos óbitos. Pensando nisso e na tentativa de salvar vidas, decidimos nos movimentar para desenvolver um novo modelo de ventilador pulmonar”, explica o diretor comercial da Tacom, Marco Antônio Tonussi.

De fácil manuseio e custo muito inferior ao de um respirador importado, o ventilador pulmonar, por meio do sistema de exaustão a vácuo, evita o vazamento de ar contaminado, expirado pelos respiradores convencionais.

Além disso, o uso do aparelho possibilita que profissionais da saúde especialistas em ventilação mecânica possam se dedicar a casos mais graves, já que os ventiladores pulmonares são controlados remotamente, bastando apenas um profissional para controle de até 50 equipamentos simultaneamente.

Depois de fabricados, os equipamentos serão doados ao governo estadual, que se encarregará da destinação aos hospitais de campanha e demais instituições hospitalares das cidades mais afetadas pela pandemia. A expectativa é de que, até o mês de junho, sejam produzidas entre 2 mil e 5 mil unidades.

Desafio – A preocupação dos sócios da Tacom, dos apoiadores do projeto e do governador Romeu Zema, que visitou a empresa no último dia 16, é que o equipamento não seja homologado em tempo hábil pela Anvisa.

“O processo de homologação leva, em média, de seis a 12 meses. Mas estamos contando com o respaldo técnico e jurídico da Fiemg para tornar mais ágil esse trâmite, considerando o caráter urgente da situação”, ressalta Tonussi.

Depois te ter sido aprovado por médicos, o ventilador agora passa por um refinamento do software, simulações e outros testes, enquanto aguarda homologação. (Da Redação)