Crédito: Divulgação/Petiscos da Deia

As homenagens a Santo Antônio, São João e São Pedro há muito tempo se estenderam pelos meses de junho e julho e esquentam o inverno (pouco rigoroso) de todo o País.

E nem mesmo o novo coronavírus conseguiu apagar o brilho da festa, que, se não pode agitar os arraiais espalhados por cidades de todos os portes, pode acontecer dentro de casa ou dentro das empresas que continuam funcionando.

Tudo, claro, dentro das normas de segurança e higiene preconizadas pelas autoridades sanitárias.

Para garantir a comilança que, além de aquecer o corpo e a alma, ainda “engorda” o faturamento de várias empresas, surgiram os “kits juninos” ou as “festas juninas na caixa”.

Na Petiscos da Deia a saída foi inventar uma caixa cheia de delícias típicas como caldos de mandioca e de feijão, canjica, doces típicos, milho verde, mingau de milho e feijão tropeiro entregues por delivery.

Os alimentos, preparados em porções de vários tamanhos, conforme os pedidos, são destinados, devidamente embalados, para qualquer bairro de Belo Horizonte.

De acordo com a fundadora da Petiscos da Deia, Andréa Vaz, as festas juninas eram responsáveis por 60% de seu faturamento anual. A caixa para cinco pessoas custa R$ 180 e para 10 pessoas R$ 360.

“A ideia veio para tentar salvar – ao menos – parte do mês. Fizemos algo parecido no Dia das Mães e deu certo. Decidimos testar agora e a aceitação foi muito boa. Escolhemos os itens, embalamos com toda a segurança e vai tudo dentro de uma caixa enfeitada, como um presente para os nossos clientes”, explica Andréa Vaz.

Até o fim de julho, a iniciativa deve render cerca de 40% do faturamento que a empresária conquistou no mesmo período do ano passado. Trabalhando sempre com freelances, ela não precisou demitir ninguém, aderiu aos aplicativos de entrega e agora conta com o apoio indispensável da família.

“Assim que cada um termina suas tarefas, corre para ajudar. Sempre trabalhei com avulsos e agora com o ritmo lento de encomendas conto com a ajuda dos filhos que atendem os clientes, fazem entregas e ajudam na cozinha, de acordo com a necessidade. A maioria das encomendas vem pelo WhatsApp e pelos aplicativos de entregas”, diz a empreendedora.

Cristiane Bianchetti: buscamos sempre ter um diferencial | Crédito: Divulgação/Formiguinha Doce Amor

Além da Capital – Ideia parecida teve a proprietária da Formiguinha Doce Amor, Cristiane Bianchetti Ferreira. Acostumada a trabalhar para grandes festas, a empresária usou a criatividade para não deixar os clientes sumirem e já fez entregas dos kits juninos até em Itaúna, na região Central do Estado.

O preço médio da caixa para uma pessoa é de R$ 25 e o preço pode variar de acordo com os itens escolhidos e o tamanho das porções, que podem ser customizados. Os itens mais pedidos são a canjica, doces típicos, praliné de amendoim e pipoca, além dos caldos.

“Atendíamos eventos grandes e essa foi uma forma de, pelo menos, salvarmos o mês. As pessoas estão fazendo festas pequenas dentro de casa e as empresas têm usado o kit como forma de motivar os colaboradores. Buscamos sempre ter um diferencial e podemos personalizar a caixa, aplicar a marca do cliente e alterar o tamanho das porções, por exemplo”, completa Cristiane Bianchetti.

A expectativa é de que o formato que surgiu para atender uma emergência se torne um novo nicho para o bufê. A possibilidade de estarmos sujeitos a outros períodos de fechamento da economia e isolamento social – já anunciado pelas autoridades de saúde – aguça a criatividade da empreendedora.

“A ideia de colocar uma festa ou uma data comemorativa dentro da caixa foi muito bem aceita pelos clientes. Acho que esse é um modelo que veio para ficar mesmo depois que essas restrições passarem. É um novo jeito de comemorar e se divertir que as pessoas aprenderam. Vai ter quem queira se juntar à multidão e quem queira ficar em casa.

Acredito que acabamos inventando mais um nicho, mais uma possibilidade de atender antigos clientes e conquistar novos”, finaliza a proprietária da Formiguinha Doce Amor.